On 6/3/06, Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
On Jun  2, 2006, "Pedro de Medeiros" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

> On 6/1/06, Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>> Não vejo qualquer característica da GNU GPL que se assemelhe com as
>> descrições acima e que também seja característica exclusiva ou ao
>> menos proeminente de vírus.

>> Alguém consegue dar uma de advogado do diabo e defender o uso do termo
>> viral no contexto da GNU GPL, sob a luz da apresentação acima, por
>> favor?

> Transfusão de pedaços de código de um software GPL para um software
> não-GPL, contaminando o software não-GPL com a doença, ou seja, a
> licença dessa porção de código.

> Resumindo:

> transfusão de sangue doente => receptor doente
> transfusão de "código doente" => "software doente".

> Não é uma abstração forçada, mas fica evidente a maldade em sua aplicação.

Mas não se aplica apenas a vírus.  Se o sangue doente contiver
bactérias, protozoários, veneno, drogas ou outros patógenos, pode
contaminar o receptor.


Os antígenos (drogas, veneno, substâncias alérgicas) ao menos se
diluem no sangue do receptor, causando menor estrago, ou seja, é
proporcional a quantidade. Já com patógenos (vivos ou vírus), uma
quantidade relativamente pequena deles pode se reproduzir dentro de um
organismo novo (ou no próprio sangue colhido). O relicenciamento sob
GPL não é enfraquecido ou fortalecido pela quantidade de código
transplantado para dentro da aplicação, nisso a licença se assemelha
mais a um patógeno do que aos antígenos.

Mas existem razões ainda para separar vírus de protozoários e
bactérias: vírus não têm estruturas suficientes para serem
considerados organismos completos, assim como pedaços de código-fonte
(algoritmos) não são completos e não se igualam a aplicações. Apesar
da analogia entre ser vivo e aplicação ser bem restrita, não é
novidade comparar pedaços de código genético com algoritmos. O termo
vírus de computador usa a mesma analogia, apesar de que para um
propósito diferente.

Desse modo, transfusão de código é mais semelhante a contaminação por
vírus do que por bactéria ou protozoário.


Ou seja, o termo `viral' não caracteriza essa situação.


O que lembra, a etmologia do termo "vírus" diz que esta vem do latim e
significa "venenoso", e como toda evolução de linguagem, acaba sendo
usada para muitas coisas sem estar necessariamente ligada ao patógeno
ou mesmo ao seu significado original. Um exemplo é a memética, que
estuda a proliferação de unidades de informação por veículos de
divulgação em massa, como a internet. Um meme é um "objeto viral",
apesar de não causar mal. Talvez a memética possa tirar o significado
nocivo que existe em "viral". :)


Próxima? :-) :-)


Resta dizer que, apesar de ter virado um exercício de divagação, nada
ainda descaracterizaria alguém querer chamar GPL de "viral". Talvez,
se censurado, ele então decida chamar de "infeccioso" o que pode ser
até pior. :)


[]'s!
--
Pedro de Medeiros - Computer Science - University of Brasília
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