On Jun  5, 2006, "Pedro de Medeiros" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

> On 6/4/06, Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

>> Ou seja, se há de se buscar uma analogia defensável para o termo
>> `viral' aplicado à GPL, parece-me que deva envolver situações em
>> que o vírus é transmitido da mãe ou do pai para um filho, na
>> concepção ou na gestação.

> O problema é que a analogia não preenche todas as lacunas porque o
> modelo tem suas limitações. Um programa pode ter concepção assexuada
> (um único programador?) ou multissexuada (colaborativo?). A herança é
> canônicamente dividida igualmente entre todo o código e seus
> respectivos colaboradores? O que dizer da paternidade de um programa
> que usa bibliotecas de diversas origens diferentes e com licenças
> diferentes?

Quando falei de antecessores, me referia aos programas dos quais se
criam derivações, não aos programadores.  Se você conseguir achar
alguma analogia defensável envolvendo os programadores e não os
programas propriamente ditos, vá em frente ;-)

> Acho que vou ter que mudar a abordagem para distinguir vírus de
> bactérias ou protozoários, partindo do pressuposto de que o vírus é
> algo mais sutil, de outra natureza e difícil de detectar. A licença
> seria também algo igualmente sutil.

Para dizer que a licença é tão sutil quanto um vírus, talvez fosse
adequado um termo de comparação para dizer que outra coisa seria tão
menos sutil quanto por exemplo uma bactéria.  Por que uma bactéria não
poderia estar tão dormente quanto um vírus?  Porque o vírus pode ter
seu material genético separado da capa protéica e efetivamente
escondido no núcleo de uma célula hospedeira, enquanto o mesmo não
ocorre com a bactéria?

Mas, nesse caso, cai seu argumento de que a ``linguagem do vírus'' é
distinta da linguagem da ``linguagem do tecido''; os dois são material
genético normal, ainda que o do vírus ás vezes seja RNA e não DNA.

> Vou ter que mudar a analogia de código transplantado equivaler a
> pedaços de DNA. Ao invés disso, código transplantado se equivale a um
> tecido vivo transplantado.

> A licença GPL, nesse novo contexto, seria o mesmo que considerar que
> as células transplantadas estão contaminadas por um vírus "dormente",
> dentro do citoplasma das células, com o potencial de eclodir no
> momento mais apropriado.

> A licença não é detectada pela pura análise sintática do código,
> porque ela está "dormente" (é uma característica sutil, escrita em uma
> "linguagem" que é estranha ou ortogonal à linguagem do programa). A
> licença só "acorda" quando o software é publicado.

> Essa distinção seria semelhante ao que distingüe vírus de outros
> patógenos. Os outros patógenos (bactérias, protozoários, fungos etc.)
> são mais semelhantes, morfologicamente, fisiologicamente,
> evolutivamente etc., ao tecido vivo do que o vírus. Assim como licença
> e código têm propósitos e origens distintos.

Tá melhor, mas não compro a coisa do vírus dormente não detectado,
ainda que uma outra objeção minha, de que é obrigação de quem faz o
transplante fazer uma análise do tecido buscando por patógenos, assim
como de quem transplanta código fazer a análise da licença, pareça-me
de fato dar suporte à sua analogia.

Acho que falta só dar uma polida na justificativa de por que o vírus é
tão distinto de outros patógenos vivos, mas infelizmente começo a
enxergar que a analogia talvez seja defensável mesmo.

-- 
Alexandre Oliva         http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
Secretary for FSF Latin America        http://www.fsfla.org/
Red Hat Compiler Engineer   [EMAIL PROTECTED], gcc.gnu.org}
Free Software Evangelist  [EMAIL PROTECTED], gnu.org}
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