On 6/6/06, Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
On Jun  5, 2006, "Pedro de Medeiros" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

> O problema é que a analogia não preenche todas as lacunas porque o
> modelo tem suas limitações. Um programa pode ter concepção assexuada
> (um único programador?) ou multissexuada (colaborativo?). A herança é
> canônicamente dividida igualmente entre todo o código e seus
> respectivos colaboradores? O que dizer da paternidade de um programa
> que usa bibliotecas de diversas origens diferentes e com licenças
> diferentes?

Quando falei de antecessores, me referia aos programas dos quais se
criam derivações, não aos programadores.  Se você conseguir achar
alguma analogia defensável envolvendo os programadores e não os
programas propriamente ditos, vá em frente ;-)


Acho que essa questão especificamente é mas favorável para o software
livre, já que a licença GPL precisa dizer quem criou aquele código. Já
com software proprietário, os direitos autorais são geralmente da
empresa que o contrata. Nessa linha, as empresas vão defender o ponto
de vista de que pessoas sozinhas escrevem código ruim e que são
necessárias empresas para transformar competências em código bem
escrito. Não precisamos nem entrar na questão de como isso é enganoso,
né? :)

Mas então as empresas usam o apelo ao medo, dizendo que software livre
não dá dinheiro. :-/


> Acho que vou ter que mudar a abordagem para distinguir vírus de
> bactérias ou protozoários, partindo do pressuposto de que o vírus é
> algo mais sutil, de outra natureza e difícil de detectar. A licença
> seria também algo igualmente sutil.

Para dizer que a licença é tão sutil quanto um vírus, talvez fosse
adequado um termo de comparação para dizer que outra coisa seria tão
menos sutil quanto por exemplo uma bactéria.  Por que uma bactéria não
poderia estar tão dormente quanto um vírus?  Porque o vírus pode ter
seu material genético separado da capa protéica e efetivamente
escondido no núcleo de uma célula hospedeira, enquanto o mesmo não
ocorre com a bactéria?


Não, até porque falar sobre DNA deu errado. Então eu usaria uma
abordagem por exclusão. Bactérias, protozoários e fungus não ficam
dormentes no corpo da pessoa contaminada (pelo menos, não que eu
saiba). Mas vírus podem se esconder nas células dessa forma durante
anos, nesses casos existem doenças em que exames de sangue revelam
baixíssima ou nenhuma concentração de um patógeno, por exemplo, há
pessoas com AIDS que não a manifesta por anos. E é necessário um teste
específico só para encontrá-lo (e foi demorado para a medicina enfim
localizar o vírus e tomar conhecimento de sua existência).

O exemplo da mitocôndria é muito bom mesmo. Só que a analogia nos leva
a outras comparações. Apesar de eu gostar de pensar que software GPL
seja também uma evolução natural do software em todos os sentidos
(mesmo que, mais exatamente, da forma como ele é feito), alguns podem
não concordar e chamá-lo de software com "letrinhas miúdas",
especialmente aqueles que têm medo do que a licença significa.

Isso equivale a dizer que o vírus dormente deixa o hospedeiro numa
situação de vigilância constante, enquanto que, na mitocôndria, todos
vencem (tanto a bactéria adaptada, quanto a célula). A questão vai se
resumir a essa diferença de ponto de vista, porque está ligada aos
interesses dos participantes. :)


Mas, nesse caso, cai seu argumento de que a ``linguagem do vírus'' é
distinta da linguagem da ``linguagem do tecido''; os dois são material
genético normal, ainda que o do vírus ás vezes seja RNA e não DNA.


Bem lembrado. A intenção é a de se distanciar dessa analogia do DNA,
que não deu certo. A diferença é histórica/evolutiva/funcional.


Tá melhor, mas não compro a coisa do vírus dormente não detectado,
ainda que uma outra objeção minha, de que é obrigação de quem faz o
transplante fazer uma análise do tecido buscando por patógenos, assim
como de quem transplanta código fazer a análise da licença, pareça-me
de fato dar suporte à sua analogia.


Nesse caso a GPL faria o papel de vírus novo e desconhecido, ainda não
reconhecido pela comunidade médica. Muitas transfusões foram feitas
porque eram necessárias e não se conhecia ainda esse novo agente e
seus efeitos.

Mas isso não é um problema da situação, mas de malícia ao aplicá-la
como analogia, até porque contaminação por transfusão de sangue ou
transplante aconteceu muito e pode ainda estar acontecendo até hoje. A
analogia é maliciosa porque é a falácia de apelo ao medo com uma
pitada da falácia do homem de palha: simplifica-se a o argumento
opositor (ao fazer parecer que o programador não é responsável por
atribuir ao seu próprio código a licença GPL), associando-o ao terror
(vírus, doenças etc.).

Acho que a analogia mais exata, evitando repetir o "viral", é assinar
um contrato sem ler. Você não deve lamentar o contrato quando ele é
comprovadamente válido, é melhor ser safo e saber a conseqüência dos
seus atos ao assiná-lo.

P.S.: depois eu vejo se a outra mensagem tem alguma coisa que eu
esqueci de comentar. Agora estou de saída. :)


[]'s!
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Pedro de Medeiros - Computer Science - University of Brasília
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