Quoting Pedro de Medeiros <[EMAIL PROTECTED]>:
 É sempre muito bom ver pessoas dispostas a discutir a questão de gênero com
seriedade. Homens, então, são uma veradeira raridade.


É verdade. Até hoje, conheci uns 2 ou três que eu não tivesse, em algum ponto,
discutido depois de comecar a debater gênero.

On 6/20/06, Ricardo L. A. Banffy <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Eu não conheço muitas mulheres envolvidas com desenvolvimento de
> software livre, mas eu gostaria de ouvir mais sobre essas barreiras -
> talvez por eu ser homem, essas barreiras, embora existam, sejam
> imperceptíveis pra mim.

Certamente. Eu trabalho com tecnologia desde 2000, e desde 2002 estou
envolvida
com a comunidade Software Livre, e posso te dizer que existem barreiras e
muitas. Algumas são mais perceptíveis, outras são aquele tipo de discriminacão
que nem a pessoa que o faz se dá conta de ter feito, porque
infelizmente tratar
com preconceito é o "natural".

Na comunidade Software Livre, apesar de eu ter conhecimentos técnicos para
palestrar sobre diferentes assuntos técnicos, 95% dos convites de
palestras que
eu recebo são para falar sobre Mulheres e Software Livre. E cada vez que eu
comeco a falar sobre isso eu tenho novos exemplos, e a palestra que
eram umas 6
páginas escritas a mão, daqui a pouco vira um livro.

Isso me deixa super chateada. Não o fato de eu falar sobre a problemática de
gênero, porque já que existe, acho que temos que trabalhar para que se
minimize
o mais rapido possível, mas pelo fato de ter mais e mais exemplos.

 Quando fiz meu primeiro curso de linux, parecia que eu estava numa corrida
de kart onde todos os homens presentes queriam pelo menos garantir que não
"perderiam" para mim. Um amigo (este sim desenvolvedor mesmo) me falou rindo
que era muito feio para um homem perder para uma mulher, então por aí você
já tem uma idéia. Comparei com corrida de kart porque foi a mesma sensação
que tive quando corria com amigos de meu irmão. Após algum tempo, eles
passaram a me respeitar, mas não era como mulher, e sim como uma "anomalia",
algo fora do "normal".

Eu lembro quando eu fui fazer um cursinho preparatorio para certificacao RHCE,
séculos atrás, na Utah, e quando eu tava pegando o material, a recepcionista
falou: esses são os seus colegas de curso. Quando eu juntei o material e falei
oi, a frase que eu ouvi antes de todos ficarem mudos era "slackware é
gnu/linux
pra macho". Qual não foi a surpresa quando eles me viram dizer "eu
também estou
nesta turma" e estava justamente vestindo uma camiseta do slackware?

Os caras passaram a semana falando de como eles eram maravilhosos
fazendo tudo o
que eles faziam, e eu lá quieta e sorrindo, achando tudo "tri legal". No final
da prova, 40% das 9 ou 10 pessoas tinham passado, e uma delas era eu.

Acho que iniciativas como essa da Fundacao Gnome são louváveis e merecem ser
copiadas, adaptadas, distribuídas. No melhor do espírito do Software
Livre para
que o SL reflita cada vez mais a multiplicidade de seus usuários, que
certamente, inclui mulheres.

cheers,
nanda


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