Cláudio Sampaio wrote:
> Sim, eu advogo mudanças pra isso - onde os nossos antepassados erraram,
> não em outros lugares. Por exemplo, não vejo o menor sentido em negar
> voto às mulheres. No entanto, também não veria sentido em que, por
> exemplo, os votos das mulheres hoje em dia valessem por dois votos dos
> homens "pra compensar".

Isso é completamente diferente da questão. A questão do voto é uma
questão legal e binária, a questão das mulheres na tecnologia não o é. A
questão do voto é uma questão resolvida no passado, a questão das
mulheres na tecnologia ainda existe. E todos os dias acumulamos mais e
mais exemplos para as nossas palestras, discussões via email.

Só pra comentar: quando me mudei para a Suíca, me apavorei com um
número. As mulheres somente conseguiram direito de voto em todo
território Suíco, na esfera federal e cantonal (estadual) há 12 anos
atrás. E o direito de voto foi concedido pelo governo federal a revelia
do que o governo cantonal tinha votado e decido, porque os homens que
tinham poder de foto, há 12 anos atrás, ainda achavam que as mulheres
não tinham direito a votar.

> "Pode" trabalhar? Aí você está dando uma óptica totalmente diferente. O
> que ocorre é o seguinte: como você mesma demonstra citando Capra e Jung,
> homens e mulheres têm, em geral, forças e fraquezas diferentes. Os
> homens, por exemplo, parecem ter melhor facilidade de se guiar em mapas
> e de rotacionar objetos mentalmente. O que isso quer dizer é só que em
> média, de uma amostra aleatória de homens e mulheres sem treinamento
> especial, mais homens tirarão nota boa em um teste de rotação mental de
> objetos e facilidade de guiar em mapas do que as mulheres, assim como,
> se pegarmos uma amostra aleatória de homens e mulheres, a altura média
> dos homens será maior que a das mulheres.

Assim como o intelecto de uma pessoa é um conjunto de diferentes
deficiencias e habilidades, um problema é composto de diferentes óticas
e maneiras de solucão. Especialmente falando de TI. Habilidades
comprovadamente se contróem com prática. E se as mulheres tivessem
acessado a tecnologia e tivessem sido vistas pela sociedade como os
homens o são, hoje essa discussão estaria numa história ruim de ficcão
científica ou sobre o apocalipse.

> Pois eu tenho uma surpresa pra você, o paradigma do "cérebro masculino"
> e "cérebro feminino" é uma verdade tão forte e comprovada que já se
> tornou parte integrante da ciência cognitiva, sem grandes contestações
> exceto em uma ou outra conclusão minuciosa de alguma pesquisa com
> metodologia falha. É sabido que homens e mulheres têm mentes diferentes
> em geral, e me espanta estar contestando isso se você mesma implicou
> esse mesmo fato nas suas citações.

Ter mentes diferentes no geral é muito abstrato. Por exemplo: a maioria
das mulheres no Brasil pensa que elas mesmas não têm o direito a
reproducão. A maioria delas pensa que aborto é um crime. Será que é uma
diferenca biológica entre mulheres européias e mulheres latino
americanas ou é uma diferenca cultural?

Na Malásia, existem mais mulheres do que homens na área de TI. Não acho
que isso seja o que estamos buscando, mas...o que isso prova? Prova uma
diferenca cultural ou prova que a evolucao das espécies aconteceu de
maneira diferente na Malásia?

> E convenhamos, os "homens" não estão tentando provar que algo é verdade
> ou mentira. Não existem "os homens" no sentido de um complô contra as
> mulheres, e se existem homens machistas também existem mulheres machistas.

Existe "os homens" no sentido de "a maioria dos homens".

> - Suponhamos que exista um atributo chamado de "capacidade de
> liderança", binário, ou seja: ou a pessoa tem ou não tem.
> - Suponhamos ainda que a distribuição desse atributo seja dependente de
> sexo; digamos que 60% dos homens o têm e 30% apenas das mulheres o têm.
> - Suponhamos ainda que esse atributo seja diretamente mapeável à
> adequação da pessoa a um cargo de chefia. Um cargo de chefia depende
> apenas dessa capacidade, e de nenhuma outra mais.

Estudos também mostram que:

1) O ambiente cultural influencia mais na construcão de habilidades de
um indivíduo do que pre-disposicao genetica.

2) Estudos tambem mostram que aspectos masculinos e femininos são como
duas listas de características que cada cérebro combina, pegando um
pouco de características de cada lista. Com isso eu quero dizer que
mulheres e homens possuem características de ambas as listas,
aleatoriamente.

3) Mulheres possuem mais interconexão entre os neuronios e as partes do
cérebro.

4) Habilidades para línguas é uma característica da listinha feminina.
Existe uma predisposicão genética nas mulheres para aprender línguas.
Trazendo isso para nossa área isso mostra que mulheres também têm mais
habilidade para linguagens de programacão, já que aprender uma linguagem
de programacao nova, conforme também outros estudos, é como aprender
outra língua para falar com o computador.

5) Mulheres possuem maior habilidade para resolver problemas complexos.

Se juntarmos os pontos 4 e 5, teríamos uma indústria de TI e uma
comunidade Software Livre com mulheres resolvendo problemas complexos e
homens escrevendo drivers para dispositivos (sem engenharia reversa, que
seria muito completo para os homens). Muito mais mulheres
desenvolvedoras e experts em linguagens de programacao que homens. Mas
isso não se reflete na participacão das mulheres na tecnologia. Porque?
Porque o cérebro de homens e mulheres é composto por diversas das
características da lista feminina e masculina de caracteristicas
aleatoriamente. Isso mostra, porém, que seu cérebro é mais feminino do
que masculino, segundo a sua teoria da segregacao das espécies.

Estou só tentando juntar algumas estatísticas para mostrar que sim:
ambiente cultural molda o indivído mais do que genética. A genética muda
para se adaptar ao ambiente, mas o ambiente não muda para se adaptar ao
indivíduo. O sol não vai pensar que ele está matando as pessoas de
câncer de pele, então ele deve baixar sua intensidade de raios.

> Ué, claro. Mas agora sou eu que digo, você não entendeu o que eu disse?
> Estou falando especificamente dos prêmios que o Google criou "só para
> mulheres". Se você disser que acha que a distribuição tem que ser mais
> equilibrada, eu volto ao argumento que isso é questão de interesses e
> capacidades individuais e sua distribuição entre os sexos e caímos no
> caso que eu expliquei: se "forçarmos", numa área em que há diferença de
> distribuição entre os sexos, igualdade numérica, estaremos cometendo
> desigualdade, vide meu exemplo de 1000 pessoas.

O premio não é do Google, é da GNOME Foundation.

> Talvez porque recursos são limitados e quando você aumenta em algum
> lugar, diminui de outro? Se o Google dá um prêmio a mais para mulheres,
> está deixando de dar para homens; se uma universidade coloca quotas para
> garantir mais vagas para negros, está tirando vagas de pessoas
> não-negras. É uma injustiça na medida em que você deixa de recompensar
> puramente a capacidade da pessoa e passa a recompensar (ou penalizar) um
> fator estranho a ela, como o sexo ou a raça.

Denovo: O Google não está dando nada pra ninguém, é um projeto da GNOME
Foundation. Depois: negros e mulheres, de maneiras completamente
diferentes entre si, tiveram seus direitos e oportunidades vetados por
muito tempo. Enquanto em todos os outros países na abolicão da
escravatura os escravos ganhavam compensacao financeira para
reconstruírem suas vidas, no Brasil e em alguns outros países, quem
ganhou compensacão financeira foram os ex-donos dos negros.

Tudo isso, também mostra que não importa em si o que aconteceu, mas sim
o contexto cultural no qual aconteceu, para moldar o que até hoje é a
miséria na qual a maioria dos negros do nosso país vivem.

> Veja, Fabianne. O errado não é somente o machismo. O errado é o sexismo
> em geral. Se combatemos segregação de sexo com mais segregação de sexo,
> não se consegue a paz, apenas se prolonga a guerra.

Me desculpe Patola, mas agora você ao meu ver atolou o pé na jaca :)
Colocou a questão de gênero como uma guerra que as mulheres têm que
lutar contra os homens, ao invés de um problema que homens e mulheres
como iguais em direito devem trabalhar JUNTOS para combater, e isso põe
completamente a mostra o seu machismo.

Abracos,
Fernanda
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