Boa tarde,

    Para dar minha contribuição ao debate...
    Acho que está existindo um problema de interligação das idéias,
pois algumas pessoas argumentam que não dá certo um programa
compensatório e outras dizendo que têm que mudar com um programa
compensatório. Vamos tentar juntar as duas idéias.

    Podemos pensar na política de gênero igual ao da cotas de escolas
públicas? Eu acredito que em alguns aspectos sim, mas vamos la tentar
fazer uma análise.

    Como já falaram anteriormente os homens têm uma formação muito
mais voltada para a tecnologia, decorrente do problema social, isso
faz com que estes tendam a se especializarem mais do que as mulheres.
Sobretudo existem mulheres que rompem as barreiras do preconceito e se
tornam tão boas, ou melhores, nas areas de TI do que os homens.

    Podemos fazer um paralelo com a questão da educação e cotas, pois
hoje a escola pública é uma porcaria, mas isso não faz com que algumas
pessoas superem os problemas da escola pública e tenham sucesso em
vestibulares muitas vezes "elitizados".

    Agora devemos nos perguntar, será que a pessoa que saiu da escola
pública e passou em um curso concorrido teve que fazer o mesmo esforço
que uma que saiu da particular? A resposta é quase instantânea, pois
acho que todos concordam em que a pessoa da pública teve um esforço
MUITO maior devido a limitações e coisas do tipo.

    Trazendo esse raciocinio para a questão das mulheres podemos
fazer um paralelo e afirmar que estas tenham que fazer um esforço bem
maior do que os homens para terem visibilidade dentro da sociedade e
mais particularmente na area de TI.

    Agora a questão é se políticas compensatórias resolvem ou não.
Nesse plano é bastante diferente as cotas com a questão de gênero,
pois cotas é uma política temporária e deve ser feito paralelamente um
real investimento no ensino publico básico. Já na questão de gênero é
mais complicado, pois como iríamos fazer uma política de mudança de
cultura? Talvez através de muitos debates poderia ser uma idéia.

    O que temos que ter em mente é que políticas compensatórias devem
ser aplicadas paralelamente com políticas reais de mudanças de
posturas, pois só dar o peixe não fará com que as pessoas saibam
pescar. Ainda assim, devemos primeiramente investir na política de
mudança de cultura e só em último caso usar políticas compensatórias

    Apoio a  GNOME pela idéia de privilegiar as mulheres, pois além
de dizer que as mulheres têm capacidade, ela "taca na cara" das
pessoas que existe um problema de gênero.

    Agora devems levar em conta que isso não pode se tornar uma
política constante, pois assim poderíamos a vim causar um efeito
inverso de aumentar o preconceito com as mulheres alegando que estas
precisam de vantagens para conseguir algo.

    Acredito que essa idéia da GNOME levou muitos locais a fazerem a
reflexões/debates como na psl-brasil

    Gostaria de parabenizar a comunidade por essa discussão.

Saudações livres,
Roberto Parente

Em 25/06/06, Ricardo L. A. Banffy<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Fernanda G Weiden wrote:
> Isso não é verdade. Porque mulheres que se interessam por tecnologia
> oferecem tecnologia aos seus filhos de forma mais igualitária, sejam
> filhos homens ou filhas mulheres. Isso a longo prazo então conserta o
> problema.

Isso resolve o problema. Mas estamos falando de longo prazo. Não dá pra
resolver isso da noite pro dia. Ao menos não direito. Você mesma disse
que elas se interessaram por tecnologia em primeiro lugar. Se esse passo
foi dado, aquele pequeno pedaço do problema (ela e as filhas) está
resolvido.

Resolvido direito e para sempre. Ele não vai voltar na próxima geração.

>> E a idéia da FSF é brilhante principalmente porque evita uma "endogamia
>> de idéias".
>
> Eu não concordo que seja certa porque o argumento é: pessoas da
> comunidade já trabalham de graca. Pagar a eles é desperdicar dinheiro,
> já que eles fariam de graca mesmo.

A motivação pode ser torta, mas o resultado é bom.

>> Eu não entendo nada de fonoaudiologia. Deveríamos então ter incentivos
>> para que homens pudessem participar mais desse pujante mercado?
>
> Não conheco como é o mercado de fono. Mas eu apoiaria uma campanha como
> a Fabs sugeriu ou uma para dar cursos de graca de manicure e pedicure
> para homens.

Acredite - você não confiaria suas unhas à precisão das minhas mãos.

>> Não estão ignorando. Só não resolvem o problema.
>
> Porque você está vendo a solucão do problema prático como target, e não
> a mudanca cultural por trás da aplicacao prática da compensacao.

Não entendo - ambos reconhecemos que o problema é cultural, não numérico.

> Errado: estaremos dando condicoes a essas pessoas de acesso mais digno a
> educacao e ao mercado de trabalho, e elas por sua vez poderao, mesmo que
> o governo não corrija o problema da escola publica, pagar uma escola
> particular para seus filhos, fruto de trabalho digno, e os seus filhos
> concorrerão com iguais possibilidades por sua vaga na universidade
> publica no futuro.

Nesse meio-tempo a escola pública continua uma merda. Só que tem menos
gente estudando nela porque alguns conseguiram escapar. E ainda vamos
precisar do mesmo mecanismo para a geração seguinte, porque ela continua
uma merda e nem todos escaparam, só que agora temos menos pessoas
pressionando pela solução. Exatamente qual problema isso resolveu?

> Aliás, eles tomam remédio antes de ir no médico e não tem nada a mostrar
> pro médico depois porque a fila pra conseguir uma consulta é de meses e
> meses ;)

Tá vendo como todo problema tem uma solução simples, elegante e errada?
A fila é longa, logo, resolvemos não indo ao médico.

[]s
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