Em Tue, 18 Jul 2006 15:13:23 -0300
Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

> Claramente Debian fez a opção por alegadamente privilegiar o usuário
> (embora eu tenha minhas dúvidas de que deixá-lo se acomodar com
> software proprietário seja um privilégio) em detrimento do Software
> Livre.

Tendo sido o único desenvolvedor brasileiro a votar a favor da remoção
do non-free (se me lembro bem), acho que estou numa posição mais ou
menos confortável para dizer que essa é uma generalização que não se
aplica.

O software não-livre é completamente 'second-class citizen' no Debian.
 
> O próprio contrato social do Debian citado acima contém uma mensagem
> perigosíssima para o Software Livre:
> 
>   Nós reconhecemos que alguns de nossos usuários precisam usar
>   softwares que não atendem à Definição Debian de Software Livre.
> 
> Isso valida a noção errada de que software proprietário é um mal
> necessário e aceitável.  Se usuários do projeto Debian querem tomar

Concordo plenamente. Meu argumento nas discussões homéricas que
precederam a votação foi exatamente esse: manter o non-free é como
assinar um termo de que nós aceitamos software não-livre como algo que
tem seu lugar; o que eu gostaria era de ver um statement do Debian
dizendo que software não-livre é inaceitável.

O que me alegra é ver que, apesar de codificada no nosso contrato
social, essa postura não se repete, por exemplo, nas atitudes de
dia-a-dia da maioria de nós. O esforço gigante dos mantenedores do
kernel para remover firmwares non-free do kernel que vai no Debian, por
exemplo, é louvável, assim como é louvável ver nosso líder dizendo para
uma representante da Intel que nos chamou para um jantar durante a
debconf5 para saber como contribuir conosco que nós defendemos o
software livre e esse é um dos pontos em que não se negocia.

Eu ainda acredito que vamos conseguir tirar contrib e non-free do
Debian, mas não vejo isso como um problema tão grande; acredito que é
algo de certa forma normal em um projeto tão grande e diverso, que haja
pontas de incoerência.

> Se sobrassem recursos ao projeto Debian, talvez fosse justificável
> dispender parte deles em Software não Livre.  Não creio que seja o
> caso.

Agora, note que o Debian como projeto não dispõe arbitratiamente de
recursos. Os recursos é que decidem onde se aplicar; isso significa
que, embora haja pessoas como eu que nem olham para a non-free, tem
gente que dedica um pedaço da sua vida pra manter algo lá compilando e
funcionando (em mais de uma arch, as vezes).
 
> Melhor seria extinguir o non-free, ou ao menos retirar dele tudo que
> não seja Software Livre, de modo que o projeto Debian possa fazer jus
> à cláusula 1 de seu contrato social, e deixar que quem queira manter
> esses pacotes o faça por conta própria, sem interferir com o
> desenvolvimento do Debian propriamente dito, sem exigir que os
> desenvolvedores Debian sejam perturbados por necessidades de softwares
> proprietários.

Concordo com isso.

Abraço,

-- 
Gustavo Noronha Silva <[EMAIL PROTECTED]>
http://people.debian.org/~kov/
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