Cleber, fiquei perplexo com sua exposição no PSL
Brasil.

Sim, a Dataprev deve existir. 

Nao vou responder a tudo. Outros podem comlplementar.
E tambem não vou dar continuidada a uma eventual
polemica se ela vier a surgir. Respeito sua posição
por princípio (ninguém é dono da verdade), porém
discordo na essência. Algumas coisas talvez o ajudem a
refletir melhor.

A Dataprev existe já há muito tempo. Resultou de uma
unificação dos sistemas previdenciários de categoria
em um sistema de Previdência universal, ou seja,
extensivo a todos os Brasileiros, administrado pelo
Estado. Não cabe discutir em uma lista como esta
extensivamente sobre esse longo e triste histórico de
uma Ditadura e que culminou enentre 1966 e 2002 num
Governo adesista aos interesses internacionais que
veio a implementar um Estado neo-liberal.

Em 1995 o neoliberalismo ganhou assento na então
Secretaria dio Planejamento. O Plano Diretor de
Reforma do Estado (PDRAE - 1995) elaborado por Brasser
Pereira iniciou o desmonte do Estado. O Plano era
transformar o Estado em uma máquina burocrática
mínima, gestora de contratos internacionais, dentre
eles os de informática de grande porte, bastante
atrativos ao capital estrangeiro. Em 1999 o FMI (que
dava os rumos) apresentou à Previdência um
"planejamento" orientando para várias atrocidades na
Previdência, dentre outras a privatização parcial e
total dos Serviços da Dataprev. Esses planos do FMI
eram extensivos a outros Ministérios. A Caixa
Econômica Federal, por exemplo, vinha já sendo fatiada
em várias áreas de negócio, visando privatização. A
Datamec, com menos sorte, foi privatizada por pouco
mais de 80 milhões, tendo contratos com o Governo de
mais de 350 milhões. No caso Datamec, os mesmos
sistemas desenvolvidos sob o poder público, foram
mantidos em funcionamento, até os dias de hoje, pela
empresa multinacional que a comprou, sem que qualquer
valor fosse agregado. Tratava-se do desmonte de
setores estratégicos do fazer público (processos de
trabalho informatizado, regras de negócio, informações
e dados sobre cidadãos) para repasse ao capital
privado estrangeiro.

Durante esse mesmo período, a Dataprev vinha sendo
sucateada através da desqualificação de sua mão de
obra, da ausência de planos consistentes de evolução
tecnológica e de escassez de investimentos. Consertar
esse quadro histórico de desmantelamento do fazer
público não é fácil. Neste sentido e com muitas
dificuldades atuaram as sucessivas Diretorias da
Dataprev durante o atual Governo. Não vejo porque dar
descrédito a uma pessoa (que sequer conheço) que
assume a sua Presidência a menos de 20 dias.

A licitação a que você se refere, deriva de um
empréstimo internacional que suceceu ao plano do FMI.
Um empréstimo feito pelos bancos internacionais
"desenvolvimento", ainda no Governo passado ao INSS (e
não à Dataprev, cabe esclarecer). Um empréstimo
vosando a "modernização da Previdência". Desse
empréstimo - cujo contrato permanece válido já que foi
firmado pelo Governo Brasileiro - a maior parte já foi
gasta pelo INSS no Governo passado e não vou analisar
como para não ser extenso, mas você deve imaginar. O
papel da Dataprev nessa questão da fábrica de
software, apenas nesta segunda metade do Governo atual
é que passou a ser acompanhada tecnicamente pela
Dataprev, mas o dinheiro que foi emprestado, pertence
ao INSS e segue as regras do contrato firmado no
Governo anterior. Espero que INSS e Dataprev hoje,
consigam transformar esse dinheiro em dinheiro
produtivo para a cidadania, mesmo tendo que seguir as
regras já delineadas nesse antigo contrato que não
pode ser rompido.

Para reverter o paradigma do modelo neo-liberal, há
que se repensar e rafazer o "Modelo de Estado", já ha
muito imbuído nos corações e mentes da burocracia
(concursada e não eleita) do Governo ao curso da
execução do já citado PDRAE de 1995, há que se
projetar e estabelecer outro "Modelo de Estado",
substitutivo do modelo de Estado neoliberal.   Há
também que se investir na máquina do Estado e não
partir para a privatização de serviços essenciais.

Com mais de 40 serviços na Internet, com o tratamento
de todas as guias de arrecadação de empresas, com o
pagamento mensal de cerca de 27 milhões de
beneficiários mes uma rede que embora moderna e capaz
precisa de atualizações constantes. Para quem não
sabe, na linha de servidores, a Dataprev é uma das
maiores usuárias de software livre do Governo. Em
breve, creio que (com os mesmos problemas e não
maiores ou menores que outras estatais como Serpro,
Datasus e os Ministérios) venha-se a tratar de verdade
da questão das estações. E com toda a seriedade e
sobriedade tenho a dizer que o software livre não é a
questão central. É importantissima a questão, mas não
é central. O que é central é sair de um estado
burocrático que desenvolve sistemas para si mesmo e
passar a priorizar o povo brasileiro, a cidadania e os
direitos sociais. E não é fácil em tres anos resgatar
o que vem sendo destruído competentemente há décadas.

Na questão do reconhecimento da importância da Empresa
para que o Estado para que  possa desempenhar seu
papel junto à sociedade - conforma dito pelo
Presidente que acaba de assumir a Dataprev - é preciso
reverter o processo destrutivo desencadeado pelos
Governos PFL-FHC, o paradigma do Estado mínimo
buricrático gestor de contratos, o
paradigma da redução do tratamento da questão social e
respectivos serviços (como escola, saúde e
previdência) com repasse para a iniciativa privada (o
capital descontrolado em seus desequilíbrios na renda
popular). Os investimentos necessários não foram
executados também neste Governo que, num primeiro
momento precisou priorizar o pagamento da dívida
externa, a redução das taxas de juros dos títulos
públicos, a geração de superávit primário, dentre
outras medidas que estabelecessem condições básicas
para um desenvolvimento sustentado e soberano do país,
ao mesmo tempo em que atuava com gastos para a redução
da pobreza absoluta dentre outras medidas de cunho
social abandonadas pelos 8 anos de PFL-FHC, de modelo
neoliberal e de tutela ao FMI.

Para que se tenha uma idéia do desmonte, vejama no
quadro mais abaixo as diferenças entre o orçado e o
executado em investimentos desde o último Governo FHC
até os dias hoje dentro da Dataprev, e você verá, que
apesar das dificuldades em investir em novas
tecnologias e de manter adequadamente suas instalações
prediais a Dataprev tem cumprido sua missão inclusive
com melhor qualidade e em bem maior quantidade de
serviços (se você se der ao trabalho de pesquisar). Os
sistemas são antigos sim, antigos bons e maduros e, de
fato, a equipe técnica é boa. Não são sistemas
construídos através de planos mirabolantes, mas
depurados ao longo de toda uma história de atuação de
técnicos competentes, muitas vezes não tão bem
remunerados quanto deviam ser. Há também toda uma
falácia que circula hoje sobre integração de cadastros
e "conversa"de sistemas que de fato, não correspondem
às verdadeiras necessidades do Estado e, muitas vezes,
derivam de planos de burocratas ou "professores
pardais micreiros" que desconhecem a natureza do
Estado, não tem planos fundamentados em estudos
sólidos e nunca na vida desenvolveram ou colocaram em
operação contunuada  sistemas tão complexos quanto os
que estamos enfocando. É preciso criticar sim, visando
construir, mas é preciso ter responsabilidade,
particularmente com a cidadania e com o acúmulo
positivo no Estado. É preciso cuidado com o "canto da
sereia" dos neoliberais que não morreram e, muitos
deles, lobos, ainda posam de cordeiro e até conseguem
participar do Governo, pois o mundo real é diferente
do mundo das idéias ... é sutil ... e lamacento.

          Orçado     Realizado     % Realizado      
1999      18,00      13,20         73,33%
2000      42,50      18,99         44,68%
2001      55,00      3,36           6,11%
2002      35,00      16,89         48,26%
2003      55,00      6,04          10,98%
2004      70,00      8,43          12,04%
2005      35,00      6,32          18,06%
* Valores em milhões.

Há muito a se fazer. Esperamos também que a nova
Gestão da Dataprev (que não conheço)  articule-se com
o conjunto das políticas de Governo, especialmente com
as questões da inclusão digital e do software livre.
Não vejo, diante do exposto, algo que justifique a
condenação da Dataprev com tantos serviços prestado à
cidadania, processando e mantendo informações críticas
ao Estado e à soberania nacional. Esse discurso da
condenação à morte, é preciso ter cuidado, era o
discurso do FMI e de seus amigos no Governo passado.
Talvez eles voltem e ainda realizem o sonho de
transferir tudo para as multinacionais, mas não o
farão agora, estou seguro.
Abraço,
Flavio

--- Cleber Vieira Baptista <[EMAIL PROTECTED]>
wrote:

>
http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=39
> 01&sid=2 artigo postado aqui na lista.
> 
>          O que é a DataPrev?
>   Respondendo de uma forma bem simples: "Empresa de
> Tecnologia e Informação
> da Previdência Social", então por conseqüência é
> responsável pelos sistemas
> e todo parque tecnológico da Previdência Social.
> Correto?
> 
>   Não precisamos aprofundar muito no que diz
> respeito a incompetência da
> DATAPREV para saber que a mesma deve 'sumir do
> mapa', não me refiro a
> maioria dos profissionais da instituição que
> provavelmente são pessoas do
> mais alto gabarito,  me refiro a instituição como um
> todo.
> 
>   A DataPrev desenvolveu e comprou sistemas ruins,
> tecnologias proprietárias
> e monopolistas que contribuem e muito para a baixa
> qualidade dos aplicativos
> que rodam na Previdência. Provavelmente não existe
> troca de dados com a
> Receita Federal e outras instituições públicas e
> privadas. Pois se houvesse,
> várias fraudes seriam descobertas. Tb. se os
> sistemas fossem bons a
> roubalheira era barrada em boa parte pelos
> aplicativos.
> 
>   Não venham me falar que ultimamente o previdência
> vem empenhado esforços
> para barrar as fraudes, isso é conversa fiada que
> ouvimos em todos os
> governos e continua a mesma coisa. O rombo da
> previdência aumenta todo dia.
> 
>   Tb. não venham me falar que a Previdência usa
> tecnologias antigas e que
> isso atrapalha o bom andamento dos processos, isso é
> outra conversa fiada.
> Pode dificultar um pouco o desenvolvimento, mas não
> é desculpa pelos
> péssimos sistemas que rodam na previdência.
> 
>   Os bancos privados e públicos usam tecnologias
> antigas e nem por isso
> existe a roubalheira que encontramos na previdência,
> muito pelo contrario.
> De onde vc. acha que vem os dados do seu extrato
> bancário? Provavelmente vem
> de um grande porte, rodando com Cobol. Isso sim que
> é competência, preservar
> o legado que demorou anos para ser desenvolvido
> alinhado com novas
> tecnologias.
> 
>   No caso da previdência é realmente de bom tom
> jogar fora todo o código
> legado e criar tudo novamente, pois o legado é em
> grande parte uma porcaria.
> E não venham me falar que isso é um desrespeito com
> as pessoas que deram
> suor e muito do seu tempo para desenvolver esse
> legado ruim. Eu não estou me
> referindo ao trabalho dos programadores e analista,
> mas sim o da instituição
> como um todo, de seus dirigentes e principalmente
> dos governantes que só
> falam que vão resolver "...o vexame que se vê
> diariamente na TV, dos
> velinhos dormindo nas filas dos postos de
> atendimento do INSS..."   e não
> resolvem nada, é tudo conversa fiada.
> 
>   Um dia eu vi na TV,  acho que foi o ministro da
> previdência falando que em
> 30 dias não haveria mais filas nos postos de
> atendimento do INSS, um
> assessor desmentiu falando que não era bem assim.
> Como podem ver, nem os
> 'cabeças' da Previdência sabem o que tem na mão.
> 
>   Eu não sei quais são, tão pouco sei o que fazem os
> sistemas desenvolvidos
> pela Dataprev ou setor privado ao comando da mesma.
> Só sei  o que qualquer
> pessoa com o mínimo de conhecimento saberia. São
> ruins, pq se fossem bons,
> muitas coisas erradas que vemos ocorrer na
> previdência não estariam
> acontecendo e seriam bloqueadas pelos aplicativos.
> 
>   Um dia, a minha filha mais velha hoje com 16 anos,
> na época devia ter uns
> 9. Tinha que fazer um trabalho da escola sobre
> previdência Social e me
> perguntou o que era isso. Na minha ignorância e
> falta de conhecimento sobre
> o assunto tentei ajuda-la no trabalho escolar.
> Quando ela me perguntou, se
> quando fosse velha teria que ficar na fila de
> madrugada para conseguir algum
> benefício que seria em tese um direito seu.  Eu
> respondi que provavelmente
> sim, se ela no futuro não tiver previdência Privada,
> não for funcionária
> pública que tem um previdência diferenciada.  Com
> certeza teria que
> enfrentar as filas do INSS, pois esse problema não
> vai ser resolvido nunca
> se depender da boa vontade dos governantes.
> 
>   Por isso acho que a previdência Publica tem que
> acabar e dar lugar a
> previdência Privada e como conseqüência a DataPrev
> tb. tem que sumir do
> mapa. Mesmo que a previdência Social continue
> publica, a DataPrev tem que
> desaparecer. Vejam os bons exemplos que temos nas
> empresas de capital misto
> como Petrobrás, Eletrobrás e Banco do Brasil.
> 
>   Nesse pais 90% do que é público funciona
> precariamente ou não funciona e
> 90% do que é privado funciona relativamente bem.
> Infelizmente escola publica
> é ruim, atendimento médico publico é ruim, estradas
> publicas são ruins,
> presídios públicos não valem nada, previdência
> Social publica é ruim e
> DataPrev é péssima.
> 
>   "...CD - Quais são as empresas que farão parte
> dessa fábrica de software,
> que irá desenvolver os novos sistemas e qual o
> motivo da demora na
> assinatura dos contratos?
>   Soares - Essa fábrica de software é formada pelas
> empresas Tata
> Consultancy Services do Brasil e as consorciadas
> DBA, MSA e Policentro. A
> gerência da fábrica de software ficará a cargo da
> Dataprev. ..."
> 
>   E como sempre, a Dataprev como outras instituições
> governamentais, deixam
> de lado as pequenas empresas de desenvolvimento, que
> poderiam formar
> consórcios para o desenvolvimento de novos
> aplicativos. E privilegiam
> empresas estrangeiras e grandes empresas nacionais
> de TI.
> 
>   Como informação, mas  acho que muitos devem saber,
> a TATA é uma empresa
> estrangeira que formou um joint venture com a TBA,
> que por sua vez, tem uma
> relação muito estreita com o Microsoft. Estreita até
> demais, nos órgãos
> públicos TBA é sinônimo de Microsoft.
> 
>    A TBA responde ou respondeu por vários processos
> no CADE, TCU e outros. A
> Microsoft/TBA foram acusadas e monopólio, venda
> casada de serviços e
> produtos, superfaturamento em contratos com o
> governo e outras
> irregularidades.
> 
>   Bem, as leis que regem as licitações públicas ao
> invés de punir essas
> empresas, as privilegiam. No momento que não obrigam
> os órgão públicos a
> contratarem pequenas empresas, formando consórcios
> para concorrerem em
> grandes licitações. Prejudica e muito o crescimento
> de pequenas  e médias
> empresas nacionais de TI.
> 
>   O caso da Unisys é uma piada, essa empresa, vem
> tendo problemas por causa
> do monopólio e super faturamento tem muito tempo com
> a Previdência e outras
> instituições como o banco do Maranhão. Por mim essa
> empresa seria proibida
> de atuar no Brasil por vários anos.
> http://www.fisccal.org.br/noticias18.htm
> 
>   Com essa incompetência toda, vc6 acham que a
> DataPrev tem que existir?
> 
>   Eu acho que não.
> 
>   O que isso tudo tem haver com código livre?
> 
>   Tudo, ou ninguem percebeu?
> 
>   t+
> 
>   Cleber Vieira Baptista
> 
> 
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