Ricardo L. A. Banffy escreveu:
Pedro A.D.Rezende wrote:
Não é essa a opinião dos diretores da empresa que venceu a licitação, fabricou e entregou 75 mil dessas impressoras para a eleição de 2002 (Bematech). Eles tem outra opinião, que eu ouvi de viva voz, sobre exatamente o que é "profundamente perverso" nisso.


Independente do que a direção da Bematech proclama, o mecanismo de transporte - por motivos que eu nunca quis entender por ter muito mais o que fazer na época - era bem mais complicado do que precisaria ser. Palavra de engenheiro que viu, pessoalmente, um número muito grande de encarnações do dispositivo falharem miseravelmente até que um deles funcionasse a contento. Na minha modesta opinião, ela funcionava, mas não era um exemplo daquela elegância mecânica que transpira confiabilidade. Ela era o que foi encomendado.

O TSE exigiu que as impressoras viessem com um lacre físico selando a passagem do papel, a greta entre o compartimento do carro de impressão e a superfície externa onde se encaixa o saco plástico que recebe os votos impressos.

Depois de exigir esse lacre no edital, o TSE omitiu do manual de montagem da impressora a instrução para retirada do lacre. E depois, foi para a TV cantar essa pedra, que estamos vendo aqui matraqueada: "As possibilidades do papel enroscar..."

Como eu disse antes, o problema não é a urna eletrônica - o problema é o TSE. Fazê-la inexpugnável não resolveria, na prática, nenhum problema se não se resolver o que causa esse tipo de omissão, coisa que, aliás, ficou demonstrada com, precisamente, essa omissão. Aparentemente, na ausência de uma falha mecânica natural, alguém providenciou uma.

Como eu dei a entender em outro thread, quando ser desnecessário ou incompetente não são motivos para se afastar um servidor público, Darwin se afirma com força. O responsável pela omissão sabe que nada de ruim vai acontecer, portanto, quando solicitado, comete um erro. É a sobrevivência do mais servil.


Nessa msg, vc dá como favas contadas, ao desconsiderar alternativas, que a omissão da instrução de retirada do lacre da urna no manual de montagem da impressora na urna foi decorrência de um erro. Ainda, como gancho para apresentar sua bela aplicação da teoria darwiniana na administração pública.

Já eu, que não me considero nem ciberbobo nem sabichão fantasiado de ciberbobo, considero também a possibilidade dessa omissão ter sido proposital. Possibilidade esta corroborada pelos argumentos que ouvi, também de viva voz, no debate pela revogação da lei que impunha tal impressão do voto.

São perspectivas diferentes.

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