Julian,

Julian Carlo Fagotti escreveu:
Se software livre não tem haver com liberdade no sentido filosófico, a coisa tá pior do que eu pensava.

Software livre, além de fundamento moral e filosófico, tem fundamento em questões práticas. Por exemplo, por que obrigar alguém a copiar, junto com o código-fonte, (pelo menos) um arquivo executável que talvez nem mesmo funcione em seu sistema, somente para atender a uma licença? Não é um desperdício de tempo, banda de passagem, memória de armazenamento, etc.? Não pode isso ser um incentivo para evitar um software assim licenciado? Em que conceito filosófico ou questão prática se apóia uma tal exigência?

Se ``filosófico'' é apenas qualquer um (por exemplo alguém que, por extrema desinformação, pense que para a FSF só a GNU GPL é uma licença de sofware livre) poder redefinir tudo como qualquer coisa e vice-versa segundo vieses particulares -- ignorando as origens dos conceitos -- as coisas estão realmente piores do que eu pensava.


Vamos fazer assim, software livre é o que a Fernada diz que é e pronto! E não discuta! Senão vai perverter a liberdade.

Julian, a Fernanda respondeu à sua mensagem de maneira bem polida. Por que responder tão agressivamente? Se você defende a liberdade de definir e redefinir software livre, como é que o conceito da FSF (defendido pela Fernanda) pode ser tão inaceitável para você? E a liberdade de outros discordarem de você, não existe?

Volta e meia essas questões sobre a licença LPG-AP ressurgem aqui na lista, sempre caindo nesse mesmo problema: as críticas baseadas no conceito de software livre da FSF ou nos critérios do Projeto Debian são rejeitadas em nome da liberdade de definir qualquer coisa como quiser.

Este não é o caminho adequado.

Penso que as coisas podem caminhar melhor se:

-- Houver abertura para críticas e sugestões sobre a LPG-AP, a ser consideradas em uma futura versão; a discussão sobre a licença só será frutífera quando e se uma nova versão realmente estiver sendo planejada.
        ou
-- Considerar-se a LPG-AP como uma licença em versão definitiva, sem previsão de alteração; nesse caso, não vejo razão para ficar discutindo o assunto (especialmente do modo desvirtuado como acaba acontecendo), ou tentar tampar com a peneira o fato de a LPG-AP não ser uma licença de software livre segundo quem criou o conceito (Stallman/FSF), ou segundo conceitos de terceiros (Debian), amplamente aceitos na comunidade de software livre.

Acredito que a LPG-AP tenha sido elaborada cuidadosamente segundo critérios que a administração pública do Paraná julgasse importantes -- por exemplo, receio de que FUD pudesse ser transformado em argumento em processos por improbidade administrativa, ou necessidade do preenchimento de ``lacunas'' esclarecendo sobre tópicos não abordados por licenças pré-existentes como a GNU GPL, etc. etc. Liberar programas públicos sob a LPG-AP sem dúvida é um grande progresso se comparado a manter o código secreto e não distribuir os programas. É quase-livre.

Mas para quem -- como eu, ou a Fernanda, ou o Oliva, ou a comunidade Debian -- o conceito de software livre é aquele elaborado por Stallman e ``criterializado'' nas DFSG (que, aliás, definem Open Source), a LPG-AP ainda deixa a desejar (como mostrado na página da FSF). Não penso que para nenhum de nós a LPG-AP seja inaceitável -- ela apenas não atende a todos os requisitos para ser considerada (segundo critérios estabelecidos) uma licença de software livre. Para mim, a LPG-AP é como diversas licenças da CretiveCommons: são boas para certos fins, mas deixam a desejar sob o prisma de uma cultura livre. Não as rejeitamos completamente, apenas consideramos que poderiam ser melhores sem algumas de suas restrições.

A propósito: divulgar a LPG-AP dizendo que ``alguns direitos são reservados'' (assim como faz a CreativeCommons) seria mais adequado e correto (sob diversos pontos de vista) do que taxá-la de licença de ``software livre'' sob pena de atrair críticas negativas.

Se a escolha por é afirmar que a LPG-AP é uma licença de ``software livre'', então esteja pronto para ouvir censuras por parte de quem criou o conceito de software livre, definiu critérios para a classificação de software livre, ou simplesmente comunga as idéias desses. Pode ter certeza de que essas pessoas são numerosas.

Mais um ponto prático: se a LPG-AP fosse livre segundo as DFSG (ainda tenho esperanças de que uma nova versão o seja), mais desenvolvedores poderiam se interessar pelos programas sob tal licença (ou você acha que as opiniões aqui expressas são tão excepcionais assim?), os programas seriam empacotados para distribuições livres (p.ex. no repositório principal do Debian, no Ututo, Dynebolic, etc.), e, mais importante, essas discussões agressivas e infrutíferas seriam evitadas :-)

Se não me engado, acho que o Pablo Cerdeira havia criado um wiki para discutir uma nova versão da LPG-AP; onde está isso mesmo?

Abraços,
Hudson

--
  '-------------------------------------------------------------------.
Hudson Lacerda <http://br.geocities.com/hfmlacerda/>

* VOTO VIRTUAL - ESPECIALISTAS ANALISAM RISCOS DA URNA ELETRÔNICA
http://conjur.estadao.com.br/static/text/48154,1

* PARTIDOS POLÍTICOS AINDA NÃO FISCALIZAM URNAS ELETRÔNICAS
http://conjur.estadao.com.br/static/text/48233,1

*Não deixe seu voto sumir! http://www.votoseguro.org/
*Apóie o Manifesto:        http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/
  .-------------------------------------------------------------------'
--


                
_______________________________________________________ O Yahoo! está de cara nova. Venha conferir! http://br.yahoo.com
_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista: http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil

Responder a