Odival,

Parece que você está mesmo bem informado, mas acho que se afastou muito do centro da questão colocada por você mesmo: o anúncio da Oracle é bom ou não para o SL?

Resumidamente, na minha leitura pesou muito mais para a decisão da Oracle atingir a RH do que qualquer aspiração maior com SL nesse caso. Como disse o Banfy, vamos ver por quanto tempo vai durar esse ímpeto.

Abraço,

On 10/30/06, Olival Gomes Barboza Júnior <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Não precisa pedir desculpas para discordar, oras . . . :-)

Acho q não me expressei muito bem e não fui enfático no lugar certo. O pto em q eu queria tocar, neste caso, é q o tamanho dessas empresas costuma exigir ganhos maiores do q o de uma empresa pequena. Empresas deste tamanho exigem negócios lucrativos, de preferência com margens vantajosas para eles, independente da natureza deste negócio. Se vc reler o q eu escrevi no primeiro parágrafo, verá q eu coloquei a questão de licenças tradicionais apenas como um "exemplo".

De fato, parte das empresas citadas há muito tiveram suas unidades de "serviços" ultrapassando as receitas de unidades baseadas em licenciamento. Mas, até aí, continua a questão dos lucros relativamente grandes. Veja só, a hora de um consultor da IBM não se compara a hora de um pequeno consultor, tampouco a hora do consultor Oracle pode ser considerada algo "barato". Duvido q os valores cobrados sejam integralmente repassados aos profissionais, donde imagino q uma vultosa margem de lucro ainda permaneça nos negócios baseados em "serviços" de uma IBM ou Oracle.

Se vc ler mais adiante, verá q a situação problema q eu coloco é justamente q essas empresas gdes já possuem uma vasta rede de atendimento, com múltiplos canais, sendo capaz de levar seus serviços a lugares q uma pequena não poderia, mantendo, entretanto, o seu padrão de qualidade se assim o desejar.

Qto à Apple, acho q vc deveria reconsiderar sua avaliação em face aos rumos q a empresa está tomando, visto q hj ela é sustentada pelo iPod e pelo modelo de negócios em torno da iTunes Store (antiga Music, agora mais genérica, já q estão vendendo filmes tbém). A surpresa foi o qto a sua unidade de hardware vendeu esse ano, mas isso foi acompanhado por uma certa queda do processo de Q&A (eu comprei um macbook com a famigerada síndrome do random shutdown, carinhosamente apelidada de MaQueCaraioDedefeito - MQCD - por estas bandas, portanto acompanhei de perto boa parte da comunidade nacional e internacional com problemas em seus computadores Apple). Pra quem não tinha mesmo muita coisa do mercado de PCs, este crescimento não chega a ser algo tão significativo para o resto do mundo.

Agora, a Oracle, embora há muito tempo tenha sua unidade de Consulting Services (ou seja lá como se chama agora) respondendo por boa parte de sua receita, ainda utiliza o licenciamento de software tradicional como um "cash cow", inventando modelos cada vez mais complexos para arrancar dinheiro do cliente nessa modalidade (vide a confusão q é fazer um licenciamento para máquina multicore, onde há "pesos" por core conforme o produto q vc está comprando e por aí vai). Pode não ser o principal, mas está longe de ser algo tão secundário assim enquanto eles não tiverem esgotado toda a capacidade de receita do licenciamento tradicional. Visto o qto vale uma licença dos produtos IBM tbém, acredito q os fatos apontam q ela tbém segue esta linha, diversificando suas ofertas, mas mantendo o software proprietário (caro) como fonte de receita.

A Novell parece q ainda não se encontrou, já q mantém a oferta do Enterprise SuSE, mas fornece pelas beiradas o tal do Open Enterprise (ou algo assim), q é uma camada proprietária sobre o SUSE, sendo q o produto todo empacotado é proprietário.

A única "grande" q parece realmente ter abraçado o conceito de serviços foi a Sun, q simplesmente parou de cobrar licenças de seu sistema operacional e principais produtos, mantendo apenas a cobrança pelos serviços de suporte, mas há anos ela está enfrentando prejuízos sérios (de 2001 pra cá já foram U$5Bilhões - é BI mesmo - em perdas), então não dá pra saber o qto essa estratégia representa apenas mais uma tentativa de construir um modelo de negócio novo e lucrativo, já q parte do modelo antigo deles q dava lucro se baseava em vender hardware com tecnologia de ponta a preços extremamente salgados. Na época do boom das TICs isso deu certo, mas agora todo mundo quer fazer q nem o Google e ter um farm de servidores gnu/linux descartáveis.

No final das contas, continua o problema das grandes começarem a invadir um mercado q - a julgar por boa parte da "doutrina SL" - normalmente seria ocupado por empresas menores, de preferência, locais. Se um elefante desses começar a dançar na cabeça das pequenas (parafraseando o título do livro do Gestner), meu caro, acho q não sobra nada pra contar a história no mercado.

[ ]s,

olival.junior

Em 30/10/2006, às 19:39, Antonio Fonseca escreveu:

Desculpe, mas sou obrigado a discordar. Esse negócio a que você se refere, da necessidade de obter boas margens de lucro com a venda de licenças de software "tradicional" (leia-se proprietário) para se sustentar já é coisa do passado para a maioria das grandes de TIC. Elas não estão mais preocupadas com isso.

E isso ocorreu por causa do monopólio de mercado da Microsoft, somente ela e a Apple recentemente com sua divisão do MacOS X ainda enxergam que terão bons resultados exclusivamente com as vendas de licenças de sistemas operacionais (no caso da Apple isso é obtido obrigando a aquisição casa do hardware ou o contrário).

Até mesmo a Novell, estritamente uma empresa de software, diz abertamente que não espera muito da receita com licenciamento ou subscrição de seu software.

A principal receita da IBM por exemplo vem de "global Services", a HP recentemente informou que suas divisões que comercializam produtos relacionados ligados de alguma forma a software open source são as que apresentam as maiores margens de lucro justamente pela possibilidade de vender serviços.

O negócio de todas, inclusive da Red Hat, já é construído essencialmente em torno de serviços.

Abraço,

ASF

On 10/30/06, Olival Gomes Barboza Júnior <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Sem ser tão específico qto à Oracle (q parece ter uma agenda oculta
mais extensa do q imaginamos), acho q a questão aqui é q muitos
enxergavam no SL uma forma de vc colocar no ar um produto com
potencial para criar um novo mercado, do tipo q interessa aos novos
entrantes por ter margens de lucro mais apertadas, incentivando a
chegada de novos empreendimentos e idéias a um mercado (de TIC) q
precisa bastante dessa "renovação". Em tese, este mercado *não*
interessaria às "gdes" (IBM, Oracle, etc) pq o tamanho de seus
negócios exigiam margens mais altas, obtidas, por explo, com as
receitas do licenciamento tradicional de seus softwares (vide a
Oracle q até por core tentou cobrar qdo lançaram os multicores).

Agora, um tempo atrás, alguém alertou (não lembro onde ouvi isso) q
esses caras, por terem canais de distribuição infinitamente maiores q
qqr softhouse fazendo SL, poderiam chegar em um pto de decidir
investir nisso e obter ganhos de escala q os "pequenos" jamais seriam
capazes de obter (é como vender comodities, vc tem uma margem de
lucro pequena por unidade, então precisa de vendas gigantescas para
faturar bem). Assim, ou essas empresas de SL pra valer seriam
compradas (acho q a própria IBM andou comprando um punhado ano
passado e neste ano, e, até aí, acho q dá pra pensar na Novell, SUSE
e Ximian como algo nessa linha, exceto pela Novell não estar mais
exatamente no papel de "gde", embora conserve inúmeros canais da sua
época de quase monopólio) ou iriam à falência mesmo.

Assim, embora em tese o q a Oracle fez não seja tão diferente do q a
CentOS faz, acho q a intenção e possivelmente os resultados são bem
diferentes. Felizmente, da mesma forma q o CentOS não representa
ameaça à Red Hat justamente pq esta já estabeleceu o "valor" da sua
marca, acho q a Oracle tbém não conseguiria sobrepôr este "valor".
Tudo o q consigo imaginar de uma fictícia distribuição Oracle Linux
seria algo a ser "verticalizado" na linha de produtos deles (naquele
esquema "one stop shop" q eles tentam tanto empurrar), mais ou menos
como o Apache Http Server acabou virando - na linha de produtos deles
- o Oracle Http Server, q é parte inseparável do Oracle Application
Server, q empurra em um pacote desde um ambiente J2EE até uma solução
de Portal. Normalmente, tudo muito mal integrado. Sem falar q o
Metalink está longe de ser o melhor suporte do mundo . . .

Em suma, não acho q seja um negócio "bom" para o SL. Mas, acho q é um
negócio "inevitável" justamente pelas liberdades estabelecidas pelo
SL. Resta saber se haverá uma corrida pelas empresas de SL
maiorzinhas no mercado dos EUA ou se tudo continuará como
dantes . . . ;-)

[ ]s,

olival.junior

Em 30/10/2006, às 18:07, Alexandre Oliva escreveu:

> falando com meu chapéu vermelho, não com o boné GNU ;-)
>
> On Oct 30, 2006, "Ricardo L. A. Banffy" < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
>> Pra Red Hat é péssimo, não tenho dúvidas.
>
> Na verdade, não é.  Faz parte da natureza do Software Livre qualquer
> um poder pegar o software que você distribui e oferecer serviços em
> cima dele.  O CentOS faz isso e não causa problema algum à Red Hat.  O
> que a Oracle fez foi pegar o CentOS e botar um preço por serviço em
> cima dele.  Nada de novo...  O que faz diferença é o conhecimento que
> cada prestador de serviço reúne sobre o software, para poder oferecer
> um serviço melhor qualificado, e a seriedade e qualidade que oferece
> aos clientes, pagantes ou potenciais.
>
> Se a Oracle vai conseguir oferecer um bom serviço, só o tempo vai
> dizer.  Mas as inúmeras modificações na base de código no *dia* do
> lançamento falam algo sobre a seriedade do processo de Q&A deles...
> ;-)
>
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