Em 31/10/2006, às 00:54, Antonio Fonseca escreveu:

Novamente discordo, primeiro porque nunca me iludi quanto a possibilidade do modelo do SL criar todo um novo e hermético mercado. Não sou dado a acreditar muito facilmente em rupturas. Mudanças de paradigma sim, rupturas completas,  dificilmente.

Não precisa ser um "novo e hermético mercado". Inovações de ruptura não necessariamente significam descontinuidades absolutas como vc colocou. No caso específico, produtos suficientemente bons podem retirar uma faixa de mercado de produtos q estejam excedendo as necessidades de parte de seus clientes. Foi assim com WNT 3.x e Novell Netware. Foi assim com gnu/linux e Solaris (e um pouco com o próprio WNT e W2k Server). Tem tudo pra ser assim com OOo e MS Office, mas, neste caso em particular, acho q há outros fatores em jogo.

Isso não é exatamente novidade. O prof. Clayton Christensen escreveu sobre isso em 3 livros: O Dilema do Inovador, O Crescimento pela Inovação e o mais recente Seeing What's Next. As teorias q ele apresenta são bem embasadas e suas pesquisas aparentemente ainda não foram contestadas. 

Acho q o Geoffrey Moore tbém apresentou algo similar no Crossing the Chasm (e talvez nos outros volumes desta coleção).


Eu acho que a principal contribuição do FOSS está em aprimorar a forma como o software pode ser desenvolvido e exatamente por esse motivo permitir um maior e mais eficiente acesso a tecnologia e ao conhecimento. E claro, software de melhor qualidade.

Ok, mas este é o lado OS do FLOSS . . . O lado Free/Libre tbém traz muita gente para este jogo q não se daria ao trabalho de pressionar uma tecla se não fosse pela ideologia deste aspecto do movimento. 


Também não vejo como pode ocorrer com muita facilidade essa tal fagocitose entre empresas que trabalham com o FOSS e as grandes e tradicionais de TI. Aquisições e fusões certamente poderão ocorrer mas dificilmente entre desiguais, existem até barreiras legais contra isso.


A Oracle comprou a Sleepycat e a Innobase, abocanhando duas das principais engines de bancos de dados livres (a primeira pelo Berkeley DB, a segunda pela engine com InnoDB q acompanhava o MySQL).

A IBM comprou a Gluecode (sem citar os projetos FLOSS q ela banca).

A Novell comprou a SUSE e a Ximian.

Nenhum dos casos citados acima pode ser caracterizado como uma "fusão entre iguais". Quais foram as "barreiras legais"?

Só falta a Microsoft começar a comprar tbém, mas. por enquanto, ela fica só nos acordos (vide SugarCRM) . . . ;-)


Quanto ao caso da RH, também não vejo como ela pode ser comparada com uma empresa como a Microsoft (pelos motivos que já expus anteriormente). Agora é claro que uma empresa de capital aberto sempre poderá estar  

Muito simples: compara-se do pto de vista do cliente, não da empresa. Há uma parcela do mercado da RedHat q a enxerga como provedor de mais um Unix like, como antes enxergavam os Unixes de mercado (AIX, Ultrix, SCO, etc). Para esta parcela, a percepção de valor não está no fato do produto ser open source (mesmo pq eles sequer sabem como se beneficiar do código-fonte disponível), mas sim no valor da subscrição (equiparado com o valor das licenças e CALs do mundo proprietário), na efetividade do suporte, na estabilidade do produto, etc. Tanto funciona assim q parte da proposta de valor do produto Red Hat Enterprise está em sua certificação para rodar diversos softwares proprietários, com destaque justamente para as ofertas da Oracle (um executivo da Red Hat declarou certa vez q o principal vendedor deles era justamente a Oracle, e minha vivência de campo mostra q é bem por aí mesmo, pelo menos no Brasil). Ora, quem compra Red Hat para rodar Oracle não está exatamente priorizando uma infra-estrutura baseada em FLOSS, mas sim uma plataforma para prover soluções, independente da natureza da tecnologia empregada.

Leia http://idgnow.uol.com.br/mercado/2006/10/30/idgnoticia.2006-10-30.3548931580

Esta ação da Red Hat tem a ver com sua luta particular com a Oracle e a necessidade de manter o valor de suas ações em níveis correspondentes ao q os analistas financeiros esperam (caso contrário, todo mundo coloca a Red Hat em "Strongly Sell" ou algo assim). Já se cogita (bom, no The Register, então . . . ), inclusive, q a Oracle teria agido de forma hostil com a Red Hat justamente pq esta, ao adquirir o jBoss, passou a concorrer com as próprias ofertas da Oracle nesta categoria de produtos (servidores de app J2EE). Não vamos confundir movimentos de posicionamento competitivo com apenas um aspecto do arsenal da Oracle.

[ ]s,

olival.junior


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