É um texto politizado que atende a interesses políticos bem definidos,
mas que se esconde na suposta imparcialidade da mídia. São políticos
utilizando um veículo de mídia para fazer a sua política prevalecer.

Sobre a politização do SL, ela é boa e é bem vinda, afinal ninguém
quer ser um alienado. A partidarização do movimento não é positiva,
apesar dos partidos serem legítimos representantes políticos da
sociedade, não podemos atrelar o movimento a este ou aquele partido.

Mas querer que o Estado não participe de eventos é estranho, uma vez
que os Governos são os maiores compradores de software do país, e que
interessa a todos reduzir seus custos com aquisição de licenças, e
interessa ao país que os governos adotem e estimulem o uso de SL.

Será que a redução de gastos com licenças está ferindo os interesses
políticos bem definidos? Será este um movimento para espantar o SL dos
Governos e abrir caminho para os Lobbys?

Abs

Edgard

On 11/21/06, Thiago Santos de Amorim <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
acredito que essa questão deve ser discutida na lista.

Eventos de Software Livre. Qual é o foco?
Por InfomediaTV Eventos, não importa de que natureza, são fonte de
conhecimento e possibilitam a aproximação de profissionais do mesmo
segmento. Além disso, atraem outros setores na promoção de negócios e
parcerias. Mas e no caso do software livre? Qual o motivo para a realização
de tantos encontros, quais os seus objetivos e que resultados deles se
obtêm?

Mesmo um esforço pequeno de memória faz recordar uma série desses eventos:
fisl, Latinoware, PyCon, Maratona How To, Conisli e LinuxWorld. Além de
encontros promovidos por grupos como Fenadados, Linuxchix, UniRio e a
Prefeitura Municipal de Rio das Ostras. Por fim, há exemplos no exterior,
como Encontro Solar e Encontro de Rosário, ambos realizados na Argentina.

Cada qual com suas características e público, as iniciativas citadas buscam
ampliar a participação dos softwares de código aberto junto à parcela da
população que faz uso da informática. Em mais de uma oportunidade, o
InfomediaTV abriu espaço para essas realizações.

Mas apresentar as ferramentas não basta. É necessário espaço para a
realização de negócios, para divulgação das inovações, para aproximação das
partes que fazem crescer a cadeia produtiva onde está inserido o software de
código aberto. E por que isso não acontece?

Em primeiríssimo lugar, devido a uma realidade que contrasta com a alardeada
capacidade nacional para o desenvolvimento de código e soluções. Por mais
que se afirme e reafirme por representantes e integrantes dessa comunidade
que o papel brasileiro é de grande importância, é, notoriamente, a mesma
dúzia de palestrantes que se desloca pelo país alimentando o interesse de
platéias a respeito do tema.

Isso demonstra uma situação paradoxal. Se a comunidade tem capacidade, se os
desenvolvedores existem, onde eles estão, que não auxiliando a expansão
dessa comunidade? Talvez eles não se importam com os eventos. Ou quem sabe o
grupo relativamente pequeno que gere essas iniciativas não conheça tanto
assim o universo que se propõe orientar.

As duas posições levam para o mesmo ponto. Os eventos de software livre
podem estar perdendo a credibilidade. E isso se deve à partidarização da
tecnologia. Melhor dizendo, à politização da tecnologia. Ainda que se
encontrem argumentos para defender o ponto de vista que nega a tomada do
software de código aberto pelo Partido dos Trabalhadores, por exemplo, não
se pode ignorar a essencial importância do patrocínio público para
realização desses encontros. Ora, se as ferramentas de código aberto estão
ganhando o mercado, e estão, porque isso não se reflete nos eventos. Por que
é a Caixa Econômica Federal e não a Sun que patrocina? Por que é o
Ministério do Planejamento e não a Red Hat? Por que são os Correios e não a
HP? Propositadamente citadas, todas essas empresas já foram patrocinadoras,
mas a quais cabe a parcela mais substancial de recursos?

Tão criteriosa no patrulhamento de algumas atividades, a comunidade parece
pouco rigorosa no entendimento desse aspecto fundamental de sua
sobrevivência.

Um exemplo

Durante o governo Olívio Dutra no Rio Grande do Sul (1999-2002) foi criado o
Fórum Internacional Software Livre (fisl). A organização partia da Companhia
de Processamento de Dados do Estado (PROCERGS), já estabelecida como feudo
petista, algo da natureza perversa da política brasileira, que privilegia a
vinculação partidária em detrimento da competência. Nesse período também foi
criada a Rede Livre (www.redeescolarlivre.rs.gov.br). Isso abriu espaço para
que os gestores da PROCERGS e da PROCEMPA, a Companhia de Processamento de
Dados de Porto Alegre, sob adminitração do PT até 2004, adequassem seus
discursos às necessidades do software livre, visando sua apropriação.
Atualmente, o projeto está desativado.

Com o fim do governo do PT no estado, o fisl transfere para Brasília, a
partir de 2003, suas necessidades de caixa e apoio político. Nesse período,
com Sérgio Amadeu da Silveira à frente do Instituto Nacional de Tecnologia
da Informação e José Dirceu na Casa Civil, sobram recursos. Com o
afastamento de Dirceu, Sérgio Amadeu mudou o discurso de forma rápida: o que
até então era uma guerra com muitos triunfos, passou a ser uma ação
incompreendida pelo governo federal. O governo, que era grande entusiasta do
uso de tecnologias livres, passou a ser qualificado como vendido por Sérgio
Amadeu, e ele se desligou. Injusto seria não comentar o fato de que a SLTI
(a secretaria mais atacada por Sérgio Amadeu) e a Caixa Econômica Federal
continuam tocando projetos com open source de forma clara e objetiva.

E as empresas

Empresas como IBM, HP, Sun e Google aparecem com suas logomarcas nas páginas
do fisl, porém só a IBM trabalhou patrocínio, escasseando sua participação.
As demais empresas apenas recebem o logotipo na página em troca de enviarem
seus profissionais e arcarem com estes custos, sem desembolso de dinheiro.

Um caso curioso no tratamento de empresas por parte da organização do fisl é
o da Solis. A Cooperativa de Soluções Livres foi responsável por toda a
infraestrutura técnica do fisl. Em outras palavras, a transmissão de
palestras, o funcionamento da rede, os sistemas no ar, são resultado do seu
trabalho. Como pagamento por isso, receberam espaço em um estande que
equivalia a cota de patrocínio avaliada em R$ 50.000.

O Infomedia tem informações, que não conseguiu confirmar devido ao silêncio
tanto da organização do fisl quando da PROCEMPA, que os valores pagos à
companhias públicas era muito superior aos R$ 50.000 investidos em 2006.

Os encontros e grupos de usuários

Os grupos de usuários que formam a base da cadeia colaborativa são os
participantes mais importantes do fisl. Em todas as edições eles sofrem com
espaços precários. São baias de meio metro para grupos com mais de 10
pessoas. Não é difícil ver pessoas espalhadas pelo chão, sem cadeiras, sem
máquinas e sem reconhecimento pelo trabalho de divulgação que realizam com
esforço.

Os desenvolvedores que deveriam ser tratados como foco do evento dão lugar
ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e suas Sementes Livres,
membros de partidos políticos, ministros, governadores etc.

Claudio Matsuoka, Helio Castro, Leonardo Vaz, Augusto Campos, Piter Punk,
Carlos E. Morimoto e os usuários do Slackware foram rotulados de "grupo
rebelde" no último fisl. Há 3 anos a organização sonha com a extinção destes
grupos do evento.

Prestação de Contas

O InfomediaTV antecipa qualquer resposta que venha a obter por este texto
afirmando que o melhor conteúdo que poderia receber é uma prestação de
contas por parte da organização do Fórum Internacional Software Livre e da
PROCEMPA. Ambos foram procurados e não dera resposta por mais de uma semana.
Considerando a onipresença de empresas públicas na tramitação desses
recursos, seria um esclarecimento bem vindo.

Ao menos, pelo bem da credibilidade de uma série de organizações que
emprestam seu nome e competência para que tal encontro seja possível, e em
respeito aos usuários, que em caravanas pagas do próprio bolso, concedem ao
fisl o seu verdadeiro valor.
--





Thiago Santos de Amorim
+55 (63) 9911-9744
"Aquilo que persistimos fazer torna-se fácil, não porque a natureza da
tarefa muda, mas porque a nossa capacidade de fazer aumenta."
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