O problema é quando as pessoas se acostumam com o mal cheiro ao ponto de não
reclamar mais.

É curioso o fato da Microsoft promover conjuntamente nesse final ano os
lançamentos de Vista+Office 2007+ Exchange 2007. Mesmo sabendo Exchange só
estará pronto no começo de 2007.

Outro detalhes interessante sobre o Exchange é que a Microsoft trabalha
fortemente para sua adoção dentro de empresas de grande porte no Brasil
(creio que isso deva se repetir mundo afora). Muitas delas empresas do setor
público. Sei de algumas histórias de arrepiar os cabelos.

Na minha modesta opinião essa é uma estratégia bastante inteligente por três
motivos:

O primeiro e mais óbvio é que interessa a MS estender a dependência do
usuário para além do SO, melhor do que depender de uma aplicação que só roda
em Windows é depender de um navegador (que lhe permite "ver" o mudo) que só
roda em Windows, mas muito melhor ainda é depender de todo um ambiente de
colaboração (ubíquo) que só a MS "pode" oferecer.

Segundo, nessa linha do ambiente de colaboração faz muito sentido promover
os três produtos juntos (eu adicionaria ainda o Sharepoint - acredito que a
MS não o fez porque ainda não finalizou os temperos necessários para
fornecer seu wiki "envenenado"), afinal o software da MS se vende devido ao
fator integração. E ela certamente sabe que essa tríade fornece ao usuário
corporativo um enorme valor e que vêm substituindo com sucesso soluções como
o Notes.

Terceiro, Ray Ozzie.

Agora quanto ao Mono, acho que a MS tem outros planos melhores para ele.
Penso que ela está estudando isso com "muito carinho".

Um tênue indício disso (mas não menos curioso) é que uma foto apontando para
uma entrevista do Icaza está estampada em destaque no Port 25 (
http://port25.technet.com/) já há várias e várias semanas.

Abraço,

ASF

On 11/29/06, Ricardo L. A. Banffy <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

Olival Júnior wrote:

> Particularmente, sempre vi o projeto Hula como "mais outro projeto de
> webmail + agenda" (como o tal do OpenGroupware.org ou algo assim. Alguém
> lembra?). Todos esses projetos parecem começar dizendo q serão o MS
> Exchange killer e depois de um tempo percebe-se q a coisa não é bem
assim.
>
> Acho q quem não usa MS Exchange já possui milhares de alternativas
> livres para suas funcionalidades e normalmente não vai querer jogar fora
> todo o investimento em integração da solução fora por um projeto ou
> outro (vejam só, vc tem de integrar um servidor de e-mail - pop, imap,
> etc -, um anti-spam, um anti-vírus, um front-end web, uma ferramenta de
> agenda, o banco de dados onde os compromissos - e talvez as msgs - serão
> guardados, etc).

O Exchange é bem mais do que e-mail com agenda - ele é uma infra de
workflow razoavelmente poderosa e, pelo menos alguns anos atrás, bem
sacal de programar.

Os pequenos usuários de Exchange estão bem servidos com quase qualquer
coisa. Os grandes usuários (cá pra nós, coitados - Exchange é,
provavelmente, o software mais frágil que a MS já fez) dependem das
funcionalidades de workflow e não podem migrar tão facilmente.

> Por outro lado, como eu sempre disse em várias oportunidades, o MS
> Exchange possui um fator de TCO q poucos levam em conta, chamado "cost
> of disposal" ("custo de jogar algo fora", sendo bem literal): o Exchange
> guarda suas msgs e agenda em uma base proprietária, e nas versões
> recentes tem laços estreitos com o MS Active Directory, q lhe serve de
> catálogo de endereços, facilita o uso de certificados digitais, etc. A
> partir de determinado volume de mensagens e número de usuários, migrar
> uma instalação MS Exchange para qualquer coisa (seja livre ou
> proprietária), sem perdas significativas envolve um esforço hercúleo, se
> é q seria totalmente possível. Assim, quem já se comprometeu em algum
> momento com MS Exchage acaba ficando dependente pro resto da vida.

Coitados. Digo isso de coração - tenho clientes que usam.

> E aí chega essa notícia da Novell pouco tempo depois do famigerado
> acordo com a MS. Fica a dúvida: a Novell está com poucos recursos e
> resolveu priorizar o q pode dar certo ou no meio do texto do acordo com
> a MS havia previsão de se jogar fora tudo o q não fosse diretamente
> ligado às ofertas do SUSE Linux (como o Mono, por explo)? A Novell se
> vendeu ou está trabalhando pra não ser vendida? ;-)

Eu sinto cheiro de podre.
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