Olival Júnior wrote:
Suponho, então, q se eu esqueço a porta de casa aberta e um ladrão rouba meu apartamento não posso reclamar à polícia pq não tomei "precauções razoáveis" para evitar o delito?

Ninguém roubou nada de ninguém. Duas pessoas fizeram sexo em público e foram vistas por centenas de pessoas, filmadas por uma e vistas, novamente, por muitos milhares, nessa ordem. Não gostaram dos itens 2 e 3, mas a possibilidade deles não os impediu de fazerem o 1.

Ou se um bêbado bate no meu carro eu sou o culpado por ter falhado em aplicar algum princípio de direção defensiva?

No caso é mais ou menos como tomar banho de gasolina, fumar um cigarro e reclamar com o fabricante da gasolina por fazê-la inflamável demais.

Convenhamos, o filme foi obtido de forma sub-reptícia e não vejo diferença entre isso e voyerismo. Mas, curiosamente, não vejo ninguém aqui xingando o paparazzi de pervertido.

O paparazzo (singular) estava fazendo o seu questionável trabalho. Paparazzi (o plural) são parte do "trabalho" de ser celebridade. A perda da privacidade também. O pacote vem junto com os altos salários, a inexistência de espera em restaurantes e convites para as boas festas. Nenhum deles é vendido separadamente.

Ou alguém aqui realmente acredita q ficar filmando escondido, à distância, o q um casal de namorados faz é realmente "jornalismo"?

Não vai ganhar um Pulitzer, mas paga as contas do moço. Há quem compre.

Além disso, pré-julgar ("isso não é jornalismo") dessa forma é tão ruim quanto a própria censura.

O q o casal fez foi correr atrás de direitos q acreditava ter e não há nada errado nisso em uma sociedade livre. O dia em q não for possível fazer isso, aí sim estaremos de volta à Ditadura.

O exemplo da gasolina e do cigarro é muito bom.

Aliás, o tal site de boicote me chamou a atenção pq o cara parece ter problemas contra quem esteja acima do peso tbém.

Caras que fazem sites de protesto normalmente têm problemas maiores e mais profundos do que o pelo qual protestam.

O juiz deveria é ter passado um sermão nos dois.

O juiz deveria era prestar atenção ao q escreveu e às conseqüência de sua decisão. Se não fosse este caso, cedo ou tarde surgiria algum caso onde alguém iria questionar algo similar e daria nisso.

O juiz deveria tentar entender sobre o que delibera. Não basta contratar um bom perito - tem que entender o que ele escreve.

A privacidade vai ficar cada vez mais difícil de se conseguir. Não é uma questão de ter direitos (estavam em um lugar público, sob leis diferentes das nossas e foram filmados, sob leis diferentes das nossas e foram hospedados em servidores, fora das nossas fronteiras, sob leis que permitem a divulgação do material que foi legalmente captado). Se o casal se sente ofendido por quem posta e reposta o vídeo (em muitos e muitos sites além do YT) que vá atrás de quem filmou (na Espanha), de quem postou (por todo o mundo) ou do YouTube, nos EUA, onde eles ficam.

Quiseram é tomar um mal-intencionado atalho usando a justiça brasileira.

No lugar do Google, eu os processaria em todas as jurisdições possíveis por conta dos lucros cessantes causados pelo bloqueio indevido.

O foco de toda essa barulheira ao redor do problema devia estar na qualidade da sentença, não no direito de alguém buscar seus direitos (quer ela tenha razão ou não) na justiça.

O fato do juiz ter se considerado competente para julgar é o mais alarmante. O fato original não se deu no Brasil, nem sua a divulgação se deu exclusivamente pelo YouTube, que não tem controle suficiente porque é tecnicamente impossível tê-lo.

Além do que, por estar nos EUA, a questão da liberdade de expressão se faz valer com mais força do que aqui.

De novo, se a dupla tem um problema com o vídeo, que corra atrás de quem filmou e de quem o recoloca nos sites, não dos sites propriamente ditos que prestam outros serviços valiosos a todos, indistintamente.

Suponha q alguém resgatou um vídeo mórbido. Digamos, os últimos minutos da Lady Di agonizando no q sobrou do carro onde ela morreu. E vamos supor q o pai do falecido namorado dela por algum motivo entrou na justiça brasileira para impedir a circulação deste vídeo. Seria justo ele querer proteger a imagem da sua quase-nora? Suponho q sim. MAS, se o processo caísse na mão do mesmo juiz da Cicarelli, correríamos o risco novamente de ter um site inteiro bloqueado para evitar apenas um conteúdo específico.

Suponha que, todos os dias, algum moleque picha o muro da sua casa com a frase "O Ricardo Bánffy é um babaca" e eu resolvo processar você, o dono do muro, por não pintar imediatamente o muro cada vez que a frase é recolocada lá.

Você pode achar engraçado na primeira semana.

Assim, todo esse barulho ao redor da Cicarelli parece apenas servir de cortina de fumaça para o real problema: a qualidade das decisões do nosso judiciário em relação a assuntos de TI.

Nem o juiz nem a dupla dinâmica parecem entender como o mundo funciona hoje em dia. Privacidade absoluta é tão século XX...

Como eu disse em outro lugar, aqui em casa os únicos que não têm o discernimento suficiente para evitar fazer sexo em lugares públicos são peludos e andam em 4 patas.

Fala sério . . . Daqui a pouco vc vai mandar uma msg dizendo q isso só deve ser feito com permissão do padre, com a proteção de Deus, sob as orientações das sagradas escrituras, com fins exclusivamente de procriação, só depois do casamento, e só papai-e-mamãe. De preferência rezando para aquela sensação pecaminosa de orgasmo passar rapidinho, né? :-P

A rigor, só é preciso evitar fazer sexo em lugares públicos quando não se quer correr o risco de ser filmado, fotografado, aplaudido ou vaiado. É como andar de moto e não querer cair - isso simplesmente não acontece.

Quanto às permissões, apenas as partes diretamente envolvidas precisam dar. Mas, quanto a serem assistidos e filmados, é um risco que eles correram. Caiu e se machucou? Não andasse de moto.

Agora, em q pese essa noção "Wilderiana" de q as fortes paixões nos aproximam de criaturas menos capacitadas para a razão, q é muito bom fazer isso na praia (mesmo com areia), isso é. Aliás, na praia, na piscina, no meio do mato, no elevador, na garagem . . . Até na cama entre quatro paredes. :-)

Acho que vale a pena lembrar você que muitos elevadores têm câmeras. Idem sobre piscinas de prédio.

E eu tenho minhas histórias, mas, graças a meu anonimato e aos meus cuidados, elas são só minhas e de poucas outras pessoas. :-)
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