Hudson Lacerda wrote:
Isso é o que desde sempre tem dito o Fórum do Voto Eletrônico Seguro: as urnas eletrônicas que não permitem fiscalização e conferência dos resultados são apenas UM dos problemas do sistema informatizado de eleições (SIE), e aquele mais ligado à experiência direta do eleitor. As urnas são conseqüência de um problema muito maior, que não está no equipamento mas em quem o controla, e a compreensão do problema começa no conteúdo sua frase abaixo:


Eu iria mais longe. Eu diria que a impossibilidade de terceiros garantirem a segurança das urnas é apenas um sintoma do problema maior do TSE. Todos esses problemas derivam daí. Quem fez as urnas fez tudo o que podia para que elas fossem tão seguras quanto possível dentro das limitações impostas pelo TSE. É o TSE que decide o processo. As urnas são apenas ferramentas.

E, claro, o TSE sendo executor e fiscal ao mesmo tempo não ajuda em nada.

O pior é que o TSE é Executor, Fiscal e ainda JUIZ!

Bánffy, digo com todas as letras o que é, na minha opinião, a causa da irritação com que alguns reagem a suas reflexões sobre voto eletrônico:

O que me causa irritação é que, com desagradável frequência, vejo o meu trabalho e o de alguns colegas pelos quais tenho o maior respeito ser questionado por pessoas que nunca escreveram uma linha de código sequer e que nem mesmo entendem que existe uma distinção entre urna eletronica e sistema informatizado de eleições.

Não me sinto confortável em ser chamado de incompetente ou desonesto por quem não consegue conjugar um verbo.

Você tende a colocar (igualzinho ao TSE) o ÔNUS DA PROVA das denúncias de problemas no SIE *na conta dos críticos* -- quando o X da questão é que o TSE *impede* , tecnica, politica, juridica e judicialmente, a PRODUÇÀO/OBTENÇÃO das provas.

Se o TSE não está fazendo seu trabalho, de fiscalizar as eleições com o rigor necessário, temos um problema que transcende as urnas. Se a posição do TSE é de que nada de errado aconteceu, vale lembrar que é impossível provar que algo não aconteceu - você pode apenas mostrar que não foi detectado com os instrumentos de que dispunha. Se eles escolheram dispor de poucos instrumentos, de novo, é com eles.

Desse modo, você faz o jogo dos controladores das eleições, que para se esquivarem de denúncias, inviabilizam sua investigação e comprovação.

Enquanto não produzirem alguma prova, estão apenas produzindo ruído. Ao combater a urna e não combater o acúmulo de responsabilidades do TSE estão apenas gerando mais barulho, criando uma distração, prejudicando a credibilidade de quem de fato sabe do que está falando e evitando que se enfrente o verdadeiro problema.

O foco do Fórum do Voto Seguro é outro: coletar tantos indícios e provas de irregularidades/erros/fraudes forem possíveis, sempre denunciando as dificuldades impostas a essa tarefa, por exemplo, divulgando porque é impossível conferir os resultados das eleições no sistema atual.

Está razoavelmente claro que as regras estão erradas. Mas existem formas construtivas de se abordar o problema e formas concretas de se conquistar inimizades e afastar colaboradores. Eu prefiro o primeiro caminho.

É triste, mas pessoas demais fizeram da urna eletrônica seu palco, palanque e picadeiro, enquanto o problema mais sério não fica na seara dos engenheiros, mas na dos advogados e políticos.

Qualquer tentativa de demonstrar os problemas eleitorais pela busca de PROVAS CABAIS COMPLETAS está com certeza quase absoluta condenada ao fracasso. É por isso que o TSE insiste na tecla de que "não há nenhuma fraude eleitoral comprovada nesses dez anos de urna eletrônica".

Quando não se pode vencer um jogo, você muda as regras. Fazer faltas no time adversário no resolve o problema.

E nem é muito claro quem está jogando em que time.

O foco deve ser: o TSE impede a produção de provas de irregularidades/erros/fraudes.

De novo, eles, não as urnas, são o problema.

Mesmo assim, investigações, laudos e auditorias diversos têm encontrado problemas graves no SIE, como esse de Alagoas, a comprovada violação de urnas eletrônicas em Santo Estêvão, as denúncias de Guarulhos, as numerosas violações da legislação pela Justiça Eleitoral, a imposição de riscos aos fiscais de partido, o uso de software autenticador com bugs graves previamente detectados no RJ, a ausência de auditoria/fiscalização do SO das urnas (como esclarecido pela própria Microbase, produtora do sistema), o descaso do TSE quanto aos riscos constatados por diversos relatórios técnicos nacionais e estrangeiros sobre eleições eletrônicas...

Se a Justiça Eleitoral não respeita leis e ignora denúncias, dificilmente dá pra chamar isso de problema técnico.

Espero ter expressado com clareza minha visão das coisas, e que o que escrevi acima o ajude a entender em que sentido sua lista de questões podem ser consideradas ``irrelevantes'': denunciar as barreiras à produção de provas é mais importante, estrategicamente, do que conseguir todas as respostas àquelas questões.

Expressou sim. Quanto às perguntas, eu mantenho que irrelevante é questionar o funcionamento de máquinas quando as instituições que deveriam operá-las, garantí-las e auditá-las não parecem nem capazes nem dispostas a fazê-lo.

Isso atrai o nosso fogo para um alvo de baixo valor, desperdiça nossa munição e nossa energia.

As duas coisas estão sendo feitas, mas *não* se pode considerar a obtenção de todas as provas um *pré-requisito* para denunciar os abusos do TSE -- essa é a armadilha em que ``eles'' querem que caiamos.

Eu não digo que seja necessário encontrar todas provas. Na verdade, eu me pergunto se precisamos mesmo de alguma, se o problema é no acúmulo de poder do TSE e não na falibilidade das urnas. Isso, descobrimos depois. Vai ser bem mais fácil se resolvermos o problema importante primeiro.
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