Hudson Lacerda wrote:
Se as "limitações impostas" pelo TSE são tais que resultam em trabalho mal feito -- apesar do trabalho sério de alguns, não vejo porquê esses alguns deveriam se colocar/sentir no alvo das críticas. Saia do meio do fogo cruzado e deixe as setas ferirem o TSE.


Não é um trabalho mal-feito. A urna tem vários mecanismos, internos e externos, para assegurar que tudo acontece de acordo com o processo definido pelo TSE. Se o processo for seguido (violações de lacre, por exemplo, não fazem parte dele) elas são boas o bastante. Poderiam existir explosivos fotossensíveis que inutilizassem a urna em caso de violação. Tornariam as urnas praticamente invioláveis, mas nem por isso é uma boa idéia.

Seria melhor que o processo todo fosse mais transparente, mas isso, de novo, escapa ao escopo da urna em si.

Ademais, existem técnicos e técnicos -- uma distinção que os críticos do sistema eleitoral, ao que seu texto indica, deveriam possivelmente ser mais cautelosos em notar ao escrever as críticas. Refiro-me a:

(1) técnicos "de carreira" dos TREs e TSE, empenhados em produzir e propagar as falácias do sistema; -- um exemplo é Jorge Leurrer, ao escrever um artigo para o Zero Hora do RS:
    http://br.geocities.com/hfmlacerda/softwarelivre/leurrer.txt ;
-- outro exemplo é o da prestação de informação inverídica de "falta de papel" pela Secretaria de TI do TRE-SP, que levanta a suspeita de tentativa de dificultar/impedir a fiscalização da totalização:
    http://br.geocities.com/hfmlacerda/softwarelivre/bu-2006.txt

(2) técnicos contratados temporariamente para trabalhar "dentro das
limitações impostas pelo TSE [já que] É o TSE que decide o processo."

Opiniões de todos os tipos, pesos e sabores podem ser compradas. Não são mais ou menos idôneas por concordarem ou não com as nossas.

Enquanto não produzirem alguma prova, estão apenas produzindo ruído. Ao combater a urna e não combater o acúmulo de responsabilidades do TSE estão apenas gerando mais barulho, criando uma distração, prejudicando a credibilidade de quem de fato sabe do que está falando e evitando que se enfrente o verdadeiro problema.

Uma coisa não exclui a outra.

Exclui sim. Ao atacar a frente errada estamos criando uma distração, que serve de gancho para mais desinformação (dos dois lados do debate). Esse não é o melhor jeito.

Os membros do Fórum do Voto Seguro combatem ambos: o acúmulo de poderes do TSE e a inadequação técnica das urnas eletrônicas. Se você se der o trabalho de visitar o sítio do fórum, verá que o ruído (p.ex. dizer que combate-se só a urna-e) é produzido em outro lugar:

http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/pl5057-alves.htm
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/indice.htm#resumo
http://www.votoseguro.org/textos/projetoslei.htm
http://www.votoseguro.org/

Juro que vou. Fiquei bem-impressionado com os materiais que você listou antes - é um contraste marcante com o que eu já ouvi e li.

A propósito, sugiro ao Fórum do Voto Seguro revisar o resumo das críticas e sugestões, pra enfatizar que há problemas técnicos e políticos.

Isso é bom. Quanto mais pessoas entenderem os dois lados do problema, melhor.

Isso atrai o nosso fogo para um alvo de baixo valor, desperdiça nossa munição e nossa energia.
[...]

Vejo as coisas de modo diferente, e pelo que se nota, outros membros (e ex-membros) do fórum do voto seguro tendem, como eu, a preferir a estratégia de atacar em várias frentes simultaneamente ao invés de apostar tudo contra as barreiras do forte principal.

Se atacarmos o problema pelo lado certo, resolvemos os dois de uma vez. Do contrário, vamos acabar descobrindo que gastamos a munição que tínhamos antes de chegar às "barreiras do forte principal".

É muito difícil lutar guerras em duas frentes.

E a metáfora de guerra está ficando um pouco forçada.

Espero que, com a ajuda dessa sua contribuição, possamos reavaliar quanta munição deve ser usada em cada frente, e refletir sobre táticas para a divulgação dos problemas do sistema eleitoral.

No que eu puder ajudar, estou à disposição.

Note que há outras pessoas, não ligadas ao Fórum, que investigam o assunto e publicam suas conclusões.

Acredite, nunca me deixam não notá-las.

Veja, por exemplo, como o historiador Pedro Eduardo Portilho de Nader, denuncia *obscurantismo no discurso oficial*, analisando o que é dito e o que não é dito pelos representantes da Justiça Eleitoral:

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=404IPB006

O artigo é bom, mas há uma diferença entre não mencionado e intencionalmente omitido. É preciso tomar cuidado e lembrar que há essa diferença.

Não há muita diferença entre ser atingido por fogo amigo ou por fogo inimigo.
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