On Jan 27, 2007, "Ada Lemos" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

> Nada demais e ou de errado,vide causas como as da reforma agrária, índios,
> meio ambiente, etc receberem apoios tb materias de países mais ricos e mais
> organizados devido a pioneirsmos e ou melhor gerência.

Receber porque o outro quer dar é uma coisa.  Pedir do outro porque
precisamos e não queremos nem tentar outra fonte é outra bem
diferente.  É contra a segunda que eu falava.  Se FSF e SFLC quiserem
contribuir para o avanço de nossa causa comum aqui, por certo será
bem-vinda.  De fato, FSF já fez várias contribuições, inclusive
financeiras, à FSFLA.

Mas se não *tentarmos* andar com nossas próprias pernas, ficaremos
igual filhinho de papai, que gasta e gasta o que o pai trabalha duro
pra conseguir, mas não move uma pena para conseguir recursos.  É isso
que FSFLA precisa evitar.  Temos de gerar nossas próprias fontes de
recursos aqui, não ficar na dependência de nossas irmãs mais velhas.
Elas certamente querem nos ajudar, pois temos o mesmo objetivo comum.
Mas não é evidente que elas possam (lembro que FSF e SFLC são
instituições distintas e a FSF não controla os recursos oferecidos ao
SFLC) além do que já estão ajudando.

E é muitíssimo salutar para o nosso desenvolvimento que não tenhamos a
impressão ou ilusão de que podemos contar com recursos delas para o
que for necessário.  Não lutaremos tão bravamente se acharmos que é só
resmungar que vão chover aqui recursos obtidos por elas lá.

> É até estratégico.

Podemos argumentar com elas nesse sentido, mas redirecionar recursos
da rede de FSFs para cá significa privar o restante da rede desses
mesmos recursos.  Muito melhor pra rede é buscar os recursos aqui,
tentar de todas as formas.  Só se não os conseguirmos devemos recorrer
ao suporte da rede.

> Desculpe-me, mas recursos, venham de onde vierem, e de que tamanho forem,
> precisa de boa gerência, excelente palno estratégico de ação e todo um etc.

Não falei nada diferente disso.  Pelo contrário.  O que nós dois
falamos se aplica perfeitamente, tanto aqui quanto lá.

> Chega de pobreza franciscana com orgulho bobo de não pedi ajuda
> externa e ou interna.

Por favor não confunda respeito ao trabalho e decisões estratégicas
dos outros com orgulho bobo.

Traçar planos e vender idéias onde quer que seja para conseguir
recursos é o caminho.  Mas as outras FSFs devem ser a última, não a
primeira fonte de recursos.

> Ou mudamos este rítmo e encaramos a realidade, ou então vamos ficar mesmo
> fadados a estar a reboques, amargando as pautas do mundo proprietário, cada
> vez mais foraz e competente em conseguir seus objetivos

Depender dos recursos das irmãs mais velhas é também estar a reboque,
e isso é o que busco evitar.  FSFLA é uma organização independente,
não uma filial.  Para ter sua independência, deve obter recursos por
iniciativa própria.

> - Sem custo e custas pagas e remuneração, EU Ada, não mais farei nada
> mais.Anão ser coisas triviais. Chega!!!!
> Recomendo o mesmo ao Omar e outros.

Já pensou se eu e os outros membros e voluntários da FSFLA pensassem
da mesma maneira?  A coisa toda já teria degringolado faz tempo.

É salutar uma pessoa querer ser remunerada por seu trabalho.  Não
critico isso, especialmente quando não se tem a tranqüilidade
proporcionada por uma posição que lhe garanta remuneração suficiente
para pagar as contas e curtir um pouco a vida.

Mas infelizmente, ou felizmente, nosso movimento de ativismo depende
de contribuições voluntárias.  Assim, contamos com quem *quer* e
*pode* contribuir.  Com mais recursos, poderíamos contar (mais) ainda
com o auxílio de quem *quer* mas *não pode*.  Mas quem quer mesmo,
quem acredita na causa lá no fundo, como Omar, como você, mesmo quando
não pode, arranja um jeito de ajudar mesmo que só um pouco.

Seria melhor se fosse mais?  Claro!  Tem como?  Não ainda.  A solução?
Continuar contando com quem quer e pode, e com o nem sempre pouco, às
vezes muito, que vem de quem quer e não pode.

Mas quem não quer, não importa se pode ou não.  Se não acredita em
nossa missão, provavelmente não vai nos ajudar adequadamente.  Dá no
que deu lá fora: recursos pro SFLC e não pra FSF porque o Stallman é
"radical demais."

> Engraçado né, é mais fácil ficar se pedir apoios aos ricos correlatos num
> primeiro  e segundo momento, mas é fácil pedir sacrifícios imensos de alguns
> q nem podem se sacrificar. Algo está errado, muito errado.

A suposição errada em seu raciocínio é de que haja ricos correlatos a
quem recorrer.  Nenhuma das FSFs é rica.  Nenhuma das FSFs pode se dar
o luxo de pagar bem nem mesmo aos seus poucos funcionários, que dizer
dos voluntários que elas atraíram.  Contar com ajuda dos voluntários
daqui não é pedir sacrifícios.  É voluntário quem quer e pode.

Pedir ajuda de quem talvez possa oferecer o que precisamos é o
caminho.  Isso vale para obter recursos tanto financeiros quanto
quaisquer outros.  A diferença é que quando pedimos ajuda a um
ativista de Software Livre daqui, ou a uma empresa de Software Livre
daqui, estamos aumentando o bolo das FSFs; se pedíssemos a mesma ajuda
de outra FSF, o bolo ficaria do mesmo tamanho, ou até murcharia.

Então não vejo nada de errado aqui.  Quem não pode ou não quer ajudar,
diz que não pode (ou até que não quer) e pronto, sem mágoas.  Pedir
não cria obrigação.  Perguntar não ofende, responder à pergunta também
não.  Quem precisa vai atrás e continua a luta, por mais sozinho que
esteja, já que desistir não é uma opção.

Por certo FSFLA precisa de gente que saiba buscar recursos financeiros
de terceiros.  Tem alguém pra indicar, que seja comprometido o
suficiente com a causa para topar entrar na luta sem garantia de
remuneração, pois não temos ainda como encarar esse tipo de obrigação,
ou com remuneração por comissão, ou algo assim?

> Ganhei um livro estraordinário do Pereira e cheguei aqui como estou
> pra dizer a todos:Este companheiro me fez suar a espinha. A ele a
> minha ais profunda homenagem e respeito, agradecimentos mil

Já ouvi gente dizer que o Pereira estragou a Ada com esse livro.  Acho
o contrário.  É preciso saber empreender.  É preciso saber buscar
recursos onde eles estão.  É preciso ter claro para si mesmo qual o
objetivo buscado, para não se perder no caminho, para não tirar
recursos de quem está lutando pela mesma causa, em vez de aumentar os
recursos disponíveis para a causa buscando-os de quem não está.

-- 
Alexandre Oliva         http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
FSF Latin America Board Member         http://www.fsfla.org/
Red Hat Compiler Engineer   [EMAIL PROTECTED], gcc.gnu.org}
Free Software Evangelist  [EMAIL PROTECTED], gnu.org}
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http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
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