Em 26/02/2007, às 13:12, Antonio Fonseca escreveu:

Agora acho que você está confundindo as bolas ao afirmar que SL é menos inovador que SP. Defina inovação! :-)

A palavra “inovação” vem do termo em Latim innovare, significando “renovar”, “tornar algo novo” e ainda “introduzir algo novo à existência e à ordem das coisas”. Schumpeter (lá em mil novecentos e antigamente), entretanto, também concebia a inovação como um novo uso de possibilidades e componentes já existentes. Citando o autor: "Produzir significa combinar materiais e forças. Na medida em que as 'novas combinações' podem, com o tempo, originar-se das antigas por ajuste contínuo mediante pequenas etapas, há certamente mudança, possivelmente há crescimento, mas não um fenômeno novo nem um desenvolvimento em nosso sentido. Na medida em que não for este o caso, e em que as novas combinações aparecem descontinuadamente, então surge o fenômeno que caracteriza o desenvolvimento. O desenvolvimento, no sentido que lhe é dado, é definido então pela realização de novas combinações."

Em particular, inovações tecnológicas podem ser definidas como “um novo desenvolvimento situacional através do qual pessoas estendem seu controle sobre o ambiente”. Outra definição de inovação tecnológica seria “uma nova idéia, prática ou objeto com um significativo componente tecnológico". Tem ainda as definições do Manual de Oslo, mas vou deixar essas passarem.

Por acaso escrevi uma monografia ano passado sobre "inovações de ruptura e inteligência competitiva", então tive de estudar bastante o tema . . . :-)

Sobre a questão da inovação em SL, eu não disse q SP é + inovador q SL. Disse apenas q não encontrei evidências no sentido contrário.


O que eu tenho visto me faz acreditar justamente no contrário, ou pelo menos que existe uma certa paridade nesse quesito.

Infelizmente, sempre q eu fui atrás de algo q eu considerava "inovador" em SL eu batia em um conceito já implementado em SP ou já em uso, sendo o SL mera implementação. Daí eu não poder firmar evidências no sentido de q o SL seria mais inovador.


É sempre muito importante estar atento para não cair na armadilha de reduzir SL ao GNU/Linux (é claro, sem nenhum desmerecimento para o GNU/Linux).

Longe de mim cair nessa armadilha. Inclusive, se vc for ler meus contra-exemplos eu citei desde o kernel até o browser, passando pelo pacote de escritório.


Por exemplo, veja o que está por trás das principais tendências recentes e pontencialmente transformadoras em plataformas e metodologias de desenvolvimento, linguagens de programação e novas tecnologia para Web. No

Vc poderia ser mais específico?

universo específico do GNU/Linux temos inúmeras abordagens originais e bastante sofisticadas em áreas como gerenciamento de processos, memória, abstração de hardware, XGL, AIGLX, HPC, etc.

Novamente, vc poderia ser mais específico? Não vi nada de inovador no XGL e AIGLX. Vc poderia dizer exatamente o q eles trazem q já não existia conceitualmente ou não era feito no mundo do SP?


Até mesmo empresas fortemente atreladas ao software proprietário hoje já sofrem mais influencia do que exercem sobre o universo do software livre. Vejamos por exemplo o processo de criação do próprio Mac OS X (em substituição a versão 9) e a prova mais incontestável de todas, a recente e necessária "estratégia oficial" para open source da toda poderosa Microsoft.


O MacOS X herdou bastante coisa do NeXT. Sim, o kernel é FreeBSD, mas até aí sempre pareceu q foi muito mais uma questão da conveniência e estabilidade do kernel do q de alguma "inovação". E o fato da MS reconhecer algum mérito na sua concorrência com SL não significa q mais inovações sejam produzidas em SL.

Bom, agora q fiz o papel do advogado do diabo, deixe-me colocar de forma clara q eu *não* estou afirmando q SL é menos inovador q SP. Apenas q há de se tomar cuidado em afirmar isso, pois pelo menos eu corri atrás disso e o q encontrei não aponta exatamente nessa direção.

Isto posto, deixe-me lembrar q o SL em geral (e o GNU/Linux em particular) representam inovações de ruptura (ou disruptivas, para quem gosta de traduzir quase foneticamente) na indústria de software em geral. Segundo Christensen, uma inovação de ruptura “muda a proposição de valor em um mercado”. As tecnologias geradas por elas normalmente oferecem menor desempenho em relação aos atributos relevantes para os consumidores tradicionais, quando surgem no mercado, mas possuem atributos distintos valorizados por outros clientes. Costumam ainda ser mais baratas, menores, mais simples e mais convenientes em termos de utilização. Após sua introdução, as tecnologias de ruptura serão aperfeiçoadas de modo a atender aos atributos demandados pelos clientes tradicionais, porém, como oferecem atributos extras, acabam por tomar o mercado dominado pelas tecnologias anteriores.

O MS Windows NT foi uma inovação de ruptura em relação ao Novell Netware. O GNU/Linux foi uma inovação de ruptura em relação tanto ao MS Windows NT Server qto em relação a vários Unix proprietários, por explo. Da mesma forma, o OpenOffice.org poderia ter sido uma inovação de ruptura em relação ao MS Office, mas tentou ser tão parecido com ele q acabou virando concorrente direto, ao invés de fomentar um novo mercado ou focar em atributos distintos. Neste caso, acho q um Google Docs da vida é muito mais "disruptivo" em relação aos pacotes de escritório em geral.

Enfim, essa discussão sobre inovação é mais ampla e complexa do q parece, e nem sempre nossas preferências pessoais correspondem à realidade . . . ;-)

[ ]s,


olival.junior
_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista: 
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil

Responder a