Oi Hudson,

Eu achei o texto radical e fraco na argumentação pedagógica. Sou defensora
do software livre na educação, em especial a púlica. Existem muitas
iniciativas de software livre nas escolas - ex: Colégio de Aplicação do
UFRGS em Porto Alegre, Prefeitura do Porto Alegre e várias outras escolas e
cidades em especial do sul do país. Eu acho radicalismo pensar na fluência
tecnológica apenas existindo no movimento do software livre e não no do
software proprietário. Existe programação  e fluência tecnológica em
software proprietário também e por mais que sejamos defensores do uso do
software livre, não dá para excluir o movimento do software proprietário na
educação como gerando analfatismo digital. São apenas universos diferentes.

Beijos,
Ana Maria.


Em 15/04/07, Glauber Machado Rodrigues (Ananda) <[EMAIL PROTECTED]
escreveu:

Tem muito a ver com o que eu realmente acredito. Acho que perdemos
muito tempo tentando fazer as pessoas usarem software livre, mas acho
que o caminho não é por aí.

Uma pessoa não faz o mundo melhor apenas usando um software livre ao
invés de usar um proprietário, se esta pessoa não o fizer pela
motivação da liberdade.

É muito dificícil tentar explicar a um executivo por que ele deve dar
preferência a um software livre ao invéz de um proprietário quando
tanto um quanto o outro executam perfeitamente a função esperada por
ele.

Agora quando você começa a dar exemplos de porquê usar um programa que
você tem acesso ao código-fonte é tão importante, aí as pessoas
começam a mostrar interesse.

Mas é claro que você não vai usar a palavra software, e sim sistemas.
Tipo, chega e pergunta: vai dizer que você nunca sentiu sem liberdade
sobre o seu negócio por causa do que o seu pessoal de TI diz que o
sistema não faz isso ou não integra com aquilo? Você nunca se sentiu
na mão de quem distribui esse sistema do qual você depende? Você nunca
pensou que o seu pessoal de TI é muito melhor do que o pessoal que dá
suporte a esse sistema e vive colocando a culpa das coisas no seu
pessoal de TI? Você não acha um absurdo já ter pago pelo sistema e
ainda pagar pelo suporte, e ainda não poder fazer o que quer com o
sistema? Você não acha que perde muitas oportunidades porque não tem o
controle suficiente dos seus sistemas, e nem pode contratar alguém que
faça o que você quer para você? E por aí vai. O importante e dar a
entender que os sistemas são muito importantes e quem tem controle
sobre ele é outra empresa, que geralmente tem o monopólio sobre o tipo
de sistemas voltado para aquela área de negócio.

Aí você fala o que você pode fazer com o sistema se você tiver o
código-fonte, e que não basta ter o código-fonte, você tem que ter a
liberdade de mecher nele e tal. Aí sim você começa a poder mostrar as
vantegens reais do software livre. E essas vantagens dependem de você
saber programar pra caramba. E se aprende a programar da mesma forma
que se aprende a ler e escrever: lendo e escrevendo coisa boa.

Tipo tem gente que acha o máximo usar software livre, mas não tira
muita vantagem do código-fonte e nem explica essas vantagens do ponto
de vista da liberdade. Ficam forçando a barra querendo comparar
software livre com software proprietário, tipo comparando quem é mais
inovador, quando o ponto é: que liberdade eu, usuário, tenho sobre
essas inovações?

Por isso eu acho que o lance todo está na escola, e em aprender a usar
as vantagens de ter os fontes e a liberdade de se beneficiar dos
fontes. Por isso gostei do texto.

On 4/14/07, Hudson Lacerda < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Olá, pessoal.
>
> Estou traduzindo o texto ``Analfabetización informática'' de Beatriz
> Busaniche ( http://docs.hipatia.info/analfa/).
>
> O texto sustenta que o uso de software proprietário fomenta a
> ANalfabetização informática, mantendo as pessoas como meros usuários
> ``consumidores'', que apenas preenchem estruturas fixas, predeterminadas

> por terceiros. Os ``programas de analfabetização'' proprietários negam
> aos usuários de computador a capacidade de entender como software
> funciona, de como usar as linguagens de programação para criar e adaptar

> softwares, enfim, de tornarem-se independentes tecnologicamente. São
> programas que apenas ensinam a ser dependentes (de corporações
> transnacionais de TICs).
>
> O texto me levou a várias questões, por exemplo sobre como fazer para
> desmascarar falsas associações dicotômicas como usabilidade=>comodismo,
> flexível=>difícil, proprietário==não-programação /versus/
> livre==programação etc.
>
> Essas questões me ocorreram como provocações de meu advogado-do-diabo
> interior (que tenta compreender o mundo não-livre). É que,
> freqüentemente, acontece de textos interessantes circularem apenas entre
> pessoas que não são as que mais precisariam ler esses textos. Vocês já
> refletiram sobre quantos textos importantes ficamos conhecendo através
> desta lista, e que não encontram a necessária ressonância fora do
> círculo dos interessados em software livre? Quantas pessoas teriam lido
> algum texto sobre software livre, achado-o ``interessante'', mas que
> simplesmente continuam a usar software proprietário? Qual é o
> ponto-chave para mudar a mentalidade limitada das pessoas que não
> percebem ou valorizam as vantagens (e necessidades) de usar software
> livre e os riscos envolvidos na propagação de software proprietário, num
> mundo em que tudo-tudo está se tornando informatizado (em especial,
> saindo do controle dos ``usuários'' e sendo controlado por corporações)?
>
> Ironizando um pouco, parece que muitas pessoas que ultrapassaram os
> vinte anos de idade se consideram ``velhas demais'' para aprender um
> pouco de informática; aprender a programar então nem se fala! Talvez
> estejam por demais ocupadas em cuidar dos filhos, que já estão
> certamente em idade escolar...
>
> Então pensei: não é eficiente ficar dando murro em ponta de faca, ou
> tentar empurrar burro empacado. Muitas pessoas consideram os
> computadores apenas como ferramentas com alguns usos específicos, nada
> mais, e para elas software livre só será atraente se cumprir essas
> funções específicas de maneira fácil e eficiente; só soluções pontuais
> interessam a essas pessoas. Quantos usuários de eMule e/ou FireFox sabem
> que esses são softwares livres? Qual é a diferença, para elas, entre
> usar esses programas ou outros proprietários, sejam sharewares ou
> crackeados? Mesmo sem desprezar a propaganda geral em favor do software
> livre, abordagem mais eficaz é investir na formação das crianças, dos
> filhos desses ``gagás'' de vinte e poucos anos.
>
> Ou seja: toda escola deveria ensinar informática de verdade e a fundo a
> seus alunos, usando software livre.
>
> Não estudamos sobre estrutura química de álcoois, bases, sais etc.? Não
> estudamos solução de funções quadráticas, funções compostas e cálculo? E
> também a divisão geo-política do mundo? E mecânica clássica, óptica e o
> escambau? Por que cargas d'água devemos, em informática, aprender
> praticamente nada além de arrastar o mouse e usar o par de comandos de
> teclado C-c, C-v?
>
> Onde estão a lógica, os algoritmos, as linguagens de programação, a
> edição de wikis, a adaptação e desenvolvimento de softwares e outros
> assuntos importantes da informática?
>
> Infelizmente, a solução não é fácil pois depende de infra-estrutura
> (escolas informatizadas e conectadas) e capacitação de professores.
>
> Tenho dois sobrinhos, que agora estudam numa escola particular graças a
> uma vaquinha entre familiares. O material da escola inclui CDs
> multimídia que rodam no Windows com FlashPlayer... :-P e os professores
> costumam colocar exercícios no sítio de internet da escola -- mas só é
> possível baixar os exercícios através do MS Internet Explorer, nenhum
> outro navegador é aceito. 8-{
>
> Finalmente, pergunto, já que não fui eu quem inventou a roda:
>
> * Quais são as iniciativas já existentes de uso de software livre na
> educação (CLASSE, ...???) ?
>
> * Qual o status corrente dos jogos livres que ensinam a programar (ou
> pelo menos instigam interesse por programação)?
>
> * Quais são as campanhas atuais pelo uso de software livre e padrões
> abertos em escolas em geral? (Por exemplo, pensei em enviar uma carta
> reclamando à escola de meus sobrinhos. Isso poderia ser ampliado a
> campanhas em outras escolas.)
>
> * Quais são as iniciativas de colocar estudos de informática nos
> currículos regulares das escolas (especialmente as públicas)? O que diz
> a LDB sobre aulas de informática?
>
> * Existem leis/projetos sobre obrigatoriedade de aulas de informática
> (com profundidade, não apenas introdutórias)? Faríamos um lobby em favor

> disso?
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