Oi Hudson,

Deixe me explicar melhor o motivo de achar o texto fraco... Achei  a autora
com pouca base em pedagogia e aprendizagem e isso é a típica dificuldade de
fazer a interdisciplinaridade e estabelecer conexões entre diferentes searas
do conhecimento. Do mesmo modo que é difícil um educador fazer a
interdisciplinaridade com a engenharia da computação, acredito que o
contrário também exista. Eu acho que a autora poderia ter argumentado melhor
e de forma mais profunda a hipótese do texto *educar con software
propietario fomenta la analfabetización informática.

*Ao se falar em educação, acho que ela poderia ter aprofundado e teria sido
mais feliz se argumentasse através da ótica dos processos de aprendizagem
(seara da cognição) e a questão da criatividade digital no universo do
software livre - que é muito mais avançada do que no universo do software
proprietário. Este discurso acaba não tocando muito o educador. Porém se ela
descrevesse melhor o processo criador e de aprendizagem da cultura livre e
das comunidades de aprendizagem de software livre na construção da nossa
atual sociedade do conhecimento ela faria melhor esta conexão entre educação
utilizando software livre.  Isso sim é um discurso que promove uma melhor
compreensão do educador sobre a importância de se utilizar software livre
nas escolas.

Hudson, de qualquer forma gostaria de agradecer por compartilhar o texto
conosco, pois gerou uma rica discussão no grupo. Só que como psicóloga
cognitivista e educadora, acho que a autora poderia ter explicado isso
utilizando de forma mais profunda certos conceitos da seara pedagógica.
Interdisciplinaridade não é algo tão simples de se fazer. Eu apenas achei
que ela exagerou na dose ao excluir o universo do software proprietário ao
usar o termo analfabeto digital. O importante é sacar de sistema operacional
e migrar de software sempre que for necessário e desenvolver uma cultura
digital. Porém, são culturas digitais distintas e geram formas de aprender
distintas e eu aprecio mais a cultura do software livre na educação. Só
evito excluir a outra cultura, porque isso fere a minha forma de conceber
ciência. Eu só achei meio ingênuo a forma como a autoria argumentou sua
hipótese sob a ótica pedagógica e da aprendizagem.

Beijos,
Ana Maria.
*
*
Em 16/04/07, Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima <[EMAIL PROTECTED]>
escreveu:

Oi Hudson,

Eu achei o texto radical e fraco na argumentação pedagógica. Sou defensora
do software livre na educação, em especial a púlica. Existem muitas
iniciativas de software livre nas escolas - ex: Colégio de Aplicação do
UFRGS em Porto Alegre, Prefeitura do Porto Alegre e várias outras escolas e
cidades em especial do sul do país. Eu acho radicalismo pensar na fluência
tecnológica apenas existindo no movimento do software livre e não no do
software proprietário. Existe programação  e fluência tecnológica em
software proprietário também e por mais que sejamos defensores do uso do
software livre, não dá para excluir o movimento do software proprietário na
educação como gerando analfatismo digital. São apenas universos diferentes.

Beijos,
Ana Maria.


Em 15/04/07, Glauber Machado Rodrigues (Ananda) <[EMAIL PROTECTED] >
escreveu:
>
> Tem muito a ver com o que eu realmente acredito. Acho que perdemos
> muito tempo tentando fazer as pessoas usarem software livre, mas acho
> que o caminho não é por aí.
>
> Uma pessoa não faz o mundo melhor apenas usando um software livre ao
> invés de usar um proprietário, se esta pessoa não o fizer pela
> motivação da liberdade.
>
> É muito dificícil tentar explicar a um executivo por que ele deve dar
> preferência a um software livre ao invéz de um proprietário quando
> tanto um quanto o outro executam perfeitamente a função esperada por
> ele.
>
> Agora quando você começa a dar exemplos de porquê usar um programa que
> você tem acesso ao código-fonte é tão importante, aí as pessoas
> começam a mostrar interesse.
>
> Mas é claro que você não vai usar a palavra software, e sim sistemas.
> Tipo, chega e pergunta: vai dizer que você nunca sentiu sem liberdade
> sobre o seu negócio por causa do que o seu pessoal de TI diz que o
> sistema não faz isso ou não integra com aquilo? Você nunca se sentiu
> na mão de quem distribui esse sistema do qual você depende? Você nunca
> pensou que o seu pessoal de TI é muito melhor do que o pessoal que dá
> suporte a esse sistema e vive colocando a culpa das coisas no seu
> pessoal de TI? Você não acha um absurdo já ter pago pelo sistema e
> ainda pagar pelo suporte, e ainda não poder fazer o que quer com o
> sistema? Você não acha que perde muitas oportunidades porque não tem o
> controle suficiente dos seus sistemas, e nem pode contratar alguém que
> faça o que você quer para você? E por aí vai. O importante e dar a
> entender que os sistemas são muito importantes e quem tem controle
> sobre ele é outra empresa, que geralmente tem o monopólio sobre o tipo
> de sistemas voltado para aquela área de negócio.
>
> Aí você fala o que você pode fazer com o sistema se você tiver o
> código-fonte, e que não basta ter o código-fonte, você tem que ter a
> liberdade de mecher nele e tal. Aí sim você começa a poder mostrar as
> vantegens reais do software livre. E essas vantagens dependem de você
> saber programar pra caramba. E se aprende a programar da mesma forma
> que se aprende a ler e escrever: lendo e escrevendo coisa boa.
>
> Tipo tem gente que acha o máximo usar software livre, mas não tira
> muita vantagem do código-fonte e nem explica essas vantagens do ponto
> de vista da liberdade. Ficam forçando a barra querendo comparar
> software livre com software proprietário, tipo comparando quem é mais
> inovador, quando o ponto é: que liberdade eu, usuário, tenho sobre
> essas inovações?
>
> Por isso eu acho que o lance todo está na escola, e em aprender a usar
> as vantagens de ter os fontes e a liberdade de se beneficiar dos
> fontes. Por isso gostei do texto.
>
> On 4/14/07, Hudson Lacerda < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > Olá, pessoal.
> >
> > Estou traduzindo o texto ``Analfabetización informática'' de Beatriz
> > Busaniche ( http://docs.hipatia.info/analfa/).
> >
> > O texto sustenta que o uso de software proprietário fomenta a
> > ANalfabetização informática, mantendo as pessoas como meros usuários
> > ``consumidores'', que apenas preenchem estruturas fixas,
> predeterminadas
> > por terceiros. Os ``programas de analfabetização'' proprietários negam
> > aos usuários de computador a capacidade de entender como software
> > funciona, de como usar as linguagens de programação para criar e
> adaptar
> > softwares, enfim, de tornarem-se independentes tecnologicamente. São
> > programas que apenas ensinam a ser dependentes (de corporações
> > transnacionais de TICs).
> >
> > O texto me levou a várias questões, por exemplo sobre como fazer para
> > desmascarar falsas associações dicotômicas como
> usabilidade=>comodismo,
> > flexível=>difícil, proprietário==não-programação /versus/
> > livre==programação etc.
> >
> > Essas questões me ocorreram como provocações de meu advogado-do-diabo
> > interior (que tenta compreender o mundo não-livre). É que,
> > freqüentemente, acontece de textos interessantes circularem apenas
> entre
> > pessoas que não são as que mais precisariam ler esses textos. Vocês já
>
> > refletiram sobre quantos textos importantes ficamos conhecendo através
> > desta lista, e que não encontram a necessária ressonância fora do
> > círculo dos interessados em software livre? Quantas pessoas teriam
> lido
> > algum texto sobre software livre, achado-o ``interessante'', mas que
> > simplesmente continuam a usar software proprietário? Qual é o
> > ponto-chave para mudar a mentalidade limitada das pessoas que não
> > percebem ou valorizam as vantagens (e necessidades) de usar software
> > livre e os riscos envolvidos na propagação de software proprietário,
> num
> > mundo em que tudo-tudo está se tornando informatizado (em especial,
> > saindo do controle dos ``usuários'' e sendo controlado por
> corporações)?
> >
> > Ironizando um pouco, parece que muitas pessoas que ultrapassaram os
> > vinte anos de idade se consideram ``velhas demais'' para aprender um
> > pouco de informática; aprender a programar então nem se fala! Talvez
> > estejam por demais ocupadas em cuidar dos filhos, que já estão
> > certamente em idade escolar...
> >
> > Então pensei: não é eficiente ficar dando murro em ponta de faca, ou
> > tentar empurrar burro empacado. Muitas pessoas consideram os
> > computadores apenas como ferramentas com alguns usos específicos, nada
> > mais, e para elas software livre só será atraente se cumprir essas
> > funções específicas de maneira fácil e eficiente; só soluções pontuais
> > interessam a essas pessoas. Quantos usuários de eMule e/ou FireFox
> sabem
> > que esses são softwares livres? Qual é a diferença, para elas, entre
> > usar esses programas ou outros proprietários, sejam sharewares ou
> > crackeados? Mesmo sem desprezar a propaganda geral em favor do
> software
> > livre, abordagem mais eficaz é investir na formação das crianças, dos
> > filhos desses ``gagás'' de vinte e poucos anos.
> >
> > Ou seja: toda escola deveria ensinar informática de verdade e a fundo
> a
> > seus alunos, usando software livre.
> >
> > Não estudamos sobre estrutura química de álcoois, bases, sais etc.?
> Não
> > estudamos solução de funções quadráticas, funções compostas e cálculo?
> E
> > também a divisão geo-política do mundo? E mecânica clássica, óptica e
> o
> > escambau? Por que cargas d'água devemos, em informática, aprender
> > praticamente nada além de arrastar o mouse e usar o par de comandos de
> > teclado C-c, C-v?
> >
> > Onde estão a lógica, os algoritmos, as linguagens de programação, a
> > edição de wikis, a adaptação e desenvolvimento de softwares e outros
> > assuntos importantes da informática?
> >
> > Infelizmente, a solução não é fácil pois depende de infra-estrutura
> > (escolas informatizadas e conectadas) e capacitação de professores.
> >
> > Tenho dois sobrinhos, que agora estudam numa escola particular graças
> a
> > uma vaquinha entre familiares. O material da escola inclui CDs
> > multimídia que rodam no Windows com FlashPlayer... :-P e os
> professores
> > costumam colocar exercícios no sítio de internet da escola -- mas só é
>
> > possível baixar os exercícios através do MS Internet Explorer, nenhum
> > outro navegador é aceito. 8-{
> >
> > Finalmente, pergunto, já que não fui eu quem inventou a roda:
> >
> > * Quais são as iniciativas já existentes de uso de software livre na
> > educação (CLASSE, ...???) ?
> >
> > * Qual o status corrente dos jogos livres que ensinam a programar (ou
> > pelo menos instigam interesse por programação)?
> >
> > * Quais são as campanhas atuais pelo uso de software livre e padrões
> > abertos em escolas em geral? (Por exemplo, pensei em enviar uma carta
> > reclamando à escola de meus sobrinhos. Isso poderia ser ampliado a
> > campanhas em outras escolas.)
> >
> > * Quais são as iniciativas de colocar estudos de informática nos
> > currículos regulares das escolas (especialmente as públicas)? O que
> diz
> > a LDB sobre aulas de informática?
> >
> > * Existem leis/projetos sobre obrigatoriedade de aulas de informática
> > (com profundidade, não apenas introdutórias)? Faríamos um lobby em
> favor
> > disso?
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Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima
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