Radicalismo. Falar que levar um tiro na cabeça mata é radicalismo?
Claro que não, pois é uma afirmação coorente com as limitações da
realidade.

Agora falar que apenas o software livre fomente o avanço tecnológico,
inclusão digital etc é radical? Mas como assim radical?

As relações entre "eu uso e posso conhecer todas as relações e
interações entre os agregados que compõem o que eu uso" e "eu uso sou
proibido por lei de conhecer todas as relações e interações entre os
agregados que compõem o que eu uso" não é clara o suficiente?

Pera lá... isso tá estranho demais. Afirmar que uma coisa causa um
efeito e outra não causa, sendo que as relações causa/efeito são
óbvias agora também é radicalismo! Tudo é radicalismo, ha radicalimo
assim, radicalismo assado. Fala sério.

On 4/16/07, Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima
<[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Oi Hudson,

Deixe me explicar melhor o motivo de achar o texto fraco... Achei  a autora
com pouca base em pedagogia e aprendizagem e isso é a típica dificuldade de
fazer a interdisciplinaridade e estabelecer conexões entre diferentes searas
do conhecimento. Do mesmo modo que é difícil um educador fazer a
interdisciplinaridade com a engenharia da computação, acredito que o
contrário também exista. Eu acho que a autora poderia ter argumentado melhor
e de forma mais profunda a hipótese do texto educar con software propietario
fomenta la analfabetización informática.

Ao se falar em educação, acho que ela poderia ter aprofundado e teria sido
mais feliz se argumentasse através da ótica dos processos de aprendizagem
(seara da cognição) e a questão da criatividade digital no universo do
software livre - que é muito mais avançada do que no universo do software
proprietário. Este discurso acaba não tocando muito o educador. Porém se ela
descrevesse melhor o processo criador e de aprendizagem da cultura livre e
das comunidades de aprendizagem de software livre na construção da nossa
atual sociedade do conhecimento ela faria melhor esta conexão entre educação
utilizando software livre.  Isso sim é um discurso que promove uma melhor
compreensão do educador sobre a importância de se utilizar software livre
nas escolas.

Hudson, de qualquer forma gostaria de agradecer por compartilhar o texto
conosco, pois gerou uma rica discussão no grupo. Só que como psicóloga
cognitivista e educadora, acho que a autora poderia ter explicado isso
utilizando de forma mais profunda certos conceitos da seara pedagógica.
Interdisciplinaridade não é algo tão simples de se fazer. Eu apenas achei
que ela exagerou na dose ao excluir o universo do software proprietário ao
usar o termo analfabeto digital. O importante é sacar de sistema operacional
e migrar de software sempre que for necessário e desenvolver uma cultura
digital. Porém, são culturas digitais distintas e geram formas de aprender
distintas e eu aprecio mais a cultura do software livre na educação. Só
evito excluir a outra cultura, porque isso fere a minha forma de conceber
ciência. Eu só achei meio ingênuo a forma como a autoria argumentou sua
hipótese sob a ótica pedagógica e da aprendizagem.

Beijos,
Ana Maria.


 Em 16/04/07, Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima
<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Oi Hudson,
>
> Eu achei o texto radical e fraco na argumentação pedagógica. Sou defensora
do software livre na educação, em especial a púlica. Existem muitas
iniciativas de software livre nas escolas - ex: Colégio de Aplicação do
UFRGS em Porto Alegre, Prefeitura do Porto Alegre e várias outras escolas e
cidades em especial do sul do país. Eu acho radicalismo pensar na fluência
tecnológica apenas existindo no movimento do software livre e não no do
software proprietário. Existe programação  e fluência tecnológica em
software proprietário também e por mais que sejamos defensores do uso do
software livre, não dá para excluir o movimento do software proprietário na
educação como gerando analfatismo digital. São apenas universos diferentes.
>
> Beijos,
> Ana Maria.
>
>
>
> Em 15/04/07, Glauber Machado Rodrigues (Ananda) <
[EMAIL PROTECTED] > escreveu:
>
> > Tem muito a ver com o que eu realmente acredito. Acho que perdemos
> > muito tempo tentando fazer as pessoas usarem software livre, mas acho
> > que o caminho não é por aí.
> >
> > Uma pessoa não faz o mundo melhor apenas usando um software livre ao
> > invés de usar um proprietário, se esta pessoa não o fizer pela
> > motivação da liberdade.
> >
> > É muito dificícil tentar explicar a um executivo por que ele deve dar
> > preferência a um software livre ao invéz de um proprietário quando
> > tanto um quanto o outro executam perfeitamente a função esperada por
> > ele.
> >
> > Agora quando você começa a dar exemplos de porquê usar um programa que
> > você tem acesso ao código-fonte é tão importante, aí as pessoas
> > começam a mostrar interesse.
> >
> > Mas é claro que você não vai usar a palavra software, e sim sistemas.
> > Tipo, chega e pergunta: vai dizer que você nunca sentiu sem liberdade
> > sobre o seu negócio por causa do que o seu pessoal de TI diz que o
> > sistema não faz isso ou não integra com aquilo? Você nunca se sentiu
> > na mão de quem distribui esse sistema do qual você depende? Você nunca
> > pensou que o seu pessoal de TI é muito melhor do que o pessoal que dá
> > suporte a esse sistema e vive colocando a culpa das coisas no seu
> > pessoal de TI? Você não acha um absurdo já ter pago pelo sistema e
> > ainda pagar pelo suporte, e ainda não poder fazer o que quer com o
> > sistema? Você não acha que perde muitas oportunidades porque não tem o
> > controle suficiente dos seus sistemas, e nem pode contratar alguém que
> > faça o que você quer para você? E por aí vai. O importante e dar a
> > entender que os sistemas são muito importantes e quem tem controle
> > sobre ele é outra empresa, que geralmente tem o monopólio sobre o tipo
> > de sistemas voltado para aquela área de negócio.
> >
> > Aí você fala o que você pode fazer com o sistema se você tiver o
> > código-fonte, e que não basta ter o código-fonte, você tem que ter a
> > liberdade de mecher nele e tal. Aí sim você começa a poder mostrar as
> > vantegens reais do software livre. E essas vantagens dependem de você
> > saber programar pra caramba. E se aprende a programar da mesma forma
> > que se aprende a ler e escrever: lendo e escrevendo coisa boa.
> >
> > Tipo tem gente que acha o máximo usar software livre, mas não tira
> > muita vantagem do código-fonte e nem explica essas vantagens do ponto
> > de vista da liberdade. Ficam forçando a barra querendo comparar
> > software livre com software proprietário, tipo comparando quem é mais
> > inovador, quando o ponto é: que liberdade eu, usuário, tenho sobre
> > essas inovações?
> >
> > Por isso eu acho que o lance todo está na escola, e em aprender a usar
> > as vantagens de ter os fontes e a liberdade de se beneficiar dos
> > fontes. Por isso gostei do texto.
> >
> > On 4/14/07, Hudson Lacerda < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > > Olá, pessoal.
> > >
> > > Estou traduzindo o texto ``Analfabetización informática'' de Beatriz
> > > Busaniche ( http://docs.hipatia.info/analfa/).
> > >
> > > O texto sustenta que o uso de software proprietário fomenta a
> > > ANalfabetização informática, mantendo as pessoas como meros usuários
> > > ``consumidores'', que apenas preenchem estruturas fixas,
predeterminadas
> > > por terceiros. Os ``programas de analfabetização'' proprietários negam
> > > aos usuários de computador a capacidade de entender como software
> > > funciona, de como usar as linguagens de programação para criar e
adaptar
> > > softwares, enfim, de tornarem-se independentes tecnologicamente. São
> > > programas que apenas ensinam a ser dependentes (de corporações
> > > transnacionais de TICs).
> > >
> > > O texto me levou a várias questões, por exemplo sobre como fazer para
> > > desmascarar falsas associações dicotômicas como
usabilidade=>comodismo,
> > > flexível=>difícil, proprietário==não-programação /versus/
> > > livre==programação etc.
> > >
> > > Essas questões me ocorreram como provocações de meu advogado-do-diabo
> > > interior (que tenta compreender o mundo não-livre). É que,
> > > freqüentemente, acontece de textos interessantes circularem apenas
entre
> > > pessoas que não são as que mais precisariam ler esses textos. Vocês já
> > > refletiram sobre quantos textos importantes ficamos conhecendo através
> > > desta lista, e que não encontram a necessária ressonância fora do
> > > círculo dos interessados em software livre? Quantas pessoas teriam
lido
> > > algum texto sobre software livre, achado-o ``interessante'', mas que
> > > simplesmente continuam a usar software proprietário? Qual é o
> > > ponto-chave para mudar a mentalidade limitada das pessoas que não
> > > percebem ou valorizam as vantagens (e necessidades) de usar software
> > > livre e os riscos envolvidos na propagação de software proprietário,
num
> > > mundo em que tudo-tudo está se tornando informatizado (em especial,
> > > saindo do controle dos ``usuários'' e sendo controlado por
corporações)?
> > >
> > > Ironizando um pouco, parece que muitas pessoas que ultrapassaram os
> > > vinte anos de idade se consideram ``velhas demais'' para aprender um
> > > pouco de informática; aprender a programar então nem se fala! Talvez
> > > estejam por demais ocupadas em cuidar dos filhos, que já estão
> > > certamente em idade escolar...
> > >
> > > Então pensei: não é eficiente ficar dando murro em ponta de faca, ou
> > > tentar empurrar burro empacado. Muitas pessoas consideram os
> > > computadores apenas como ferramentas com alguns usos específicos, nada
> > > mais, e para elas software livre só será atraente se cumprir essas
> > > funções específicas de maneira fácil e eficiente; só soluções pontuais
> > > interessam a essas pessoas. Quantos usuários de eMule e/ou FireFox
sabem
> > > que esses são softwares livres? Qual é a diferença, para elas, entre
> > > usar esses programas ou outros proprietários, sejam sharewares ou
> > > crackeados? Mesmo sem desprezar a propaganda geral em favor do
software
> > > livre, abordagem mais eficaz é investir na formação das crianças, dos
> > > filhos desses ``gagás'' de vinte e poucos anos.
> > >
> > > Ou seja: toda escola deveria ensinar informática de verdade e a fundo
a
> > > seus alunos, usando software livre.
> > >
> > > Não estudamos sobre estrutura química de álcoois, bases, sais etc.?
Não
> > > estudamos solução de funções quadráticas, funções compostas e cálculo?
E
> > > também a divisão geo-política do mundo? E mecânica clássica, óptica e
o
> > > escambau? Por que cargas d'água devemos, em informática, aprender
> > > praticamente nada além de arrastar o mouse e usar o par de comandos de
> > > teclado C-c, C-v?
> > >
> > > Onde estão a lógica, os algoritmos, as linguagens de programação, a
> > > edição de wikis, a adaptação e desenvolvimento de softwares e outros
> > > assuntos importantes da informática?
> > >
> > > Infelizmente, a solução não é fácil pois depende de infra-estrutura
> > > (escolas informatizadas e conectadas) e capacitação de professores.
> > >
> > > Tenho dois sobrinhos, que agora estudam numa escola particular graças
a
> > > uma vaquinha entre familiares. O material da escola inclui CDs
> > > multimídia que rodam no Windows com FlashPlayer... :-P e os
professores
> > > costumam colocar exercícios no sítio de internet da escola -- mas só é
> > > possível baixar os exercícios através do MS Internet Explorer, nenhum
> > > outro navegador é aceito. 8-{
> > >
> > > Finalmente, pergunto, já que não fui eu quem inventou a roda:
> > >
> > > * Quais são as iniciativas já existentes de uso de software livre na
> > > educação (CLASSE, ...???) ?
> > >
> > > * Qual o status corrente dos jogos livres que ensinam a programar (ou
> > > pelo menos instigam interesse por programação)?
> > >
> > > * Quais são as campanhas atuais pelo uso de software livre e padrões
> > > abertos em escolas em geral? (Por exemplo, pensei em enviar uma carta
> > > reclamando à escola de meus sobrinhos. Isso poderia ser ampliado a
> > > campanhas em outras escolas.)
> > >
> > > * Quais são as iniciativas de colocar estudos de informática nos
> > > currículos regulares das escolas (especialmente as públicas)? O que
diz
> > > a LDB sobre aulas de informática?
> > >
> > > * Existem leis/projetos sobre obrigatoriedade de aulas de informática
> > > (com profundidade, não apenas introdutórias)? Faríamos um lobby em
favor
> > > disso?
> > >
> > > Hudson Lacerda
> > > Contagem/MG
> > > _______________________________________________
> > > PSL-Brasil mailing list
> > > PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
> > >
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
> > > Regras da lista:
> > >
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
> > >
> >
> >
> > --
> >
> > A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.
> >
> >
> >            "Que os fontes estejam com você..."
> >
> > Glauber Machado Rodrigues
> > PSL-MA
> >
> > jabber: [EMAIL PROTECTED]
> > _______________________________________________
> > PSL-Brasil mailing list
> > PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
> >
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
> > Regras da lista:
> >
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
> >
>
>
>
> --
> Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima
> Site pessoal:
http://br.geocities.com/bibliotecamicromundos



--
Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima
Site pessoal: http://br.geocities.com/bibliotecamicromundos
_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista:
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil



--

A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.


          "Que os fontes estejam com você..."

Glauber Machado Rodrigues
PSL-MA

jabber: [EMAIL PROTECTED]
_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista:
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil

Responder a