Não vejo nenhum problema em ensinar programação para todos, só não acho q é
algo realmente necessário. Necessário mesmo é dar chance para todos que
quiserem aprender, isso não apenas com programação.

On 4/17/07, Hudson Lacerda <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

Jefferson Santos escreveu:
> Não sei se todo mundo deveria saber programar, mas acho que todo mundo
que
> quiser aprender tem que ter condições para isso.

Eu não sou programador. Sei um pouco de C, Matlab, GNU Octave e
PostScript, o que considero imprescindível para mim, pois isso me
possibilita fazer coisas que não são possíveis com software livre ou
proprietário pré-existente. Às vezes também ocorre de o que eu preciso
já existir, mas ser mais fácil e rápido escrever meu próprio programa do
que aprender a usar o programa pré-existente. Quando escrevo que possa
ser útil a outros, publico em meu sítio
http://br.geocities.com/hfmlacerda/ .

Talvez seja interessante compartilhar aqui um pouco mais sobre meu
``histórico'' de uso de computadores.

Meu primeiro contato com computadores foi por volta de 1997, na Escola
de Música da UFMG. Lá, utilizei MS Word pra formatar textos acadêmicos.
No entanto, desde 1995 ouvia falar do uso de programas de computador
para compor músicas eletrônicas, ouvia falar sobretudo de Csound e Max.
Não cheguei a me matricular em disciplinas de música computacional, mas
procurei me aproximar de pessoas que usavam esses programas. Um
professor me deu (acho que em 1998) um livro de introdução a programação
em Pascal. Estudei o livro em casa (sem computador), escrevia e simulava
programas no papel. Não havia compiladores de Pascal em nenhum lugar que
eu freqüentasse. Descobri que no MS Word havia uma tal de ``WordBasic''
:-P , e passei a implementar alguns programinhas que eu carregava em
disquetes. Fui orientado a aprender C (porque, em certo sentido, o resto
das linguagens era ``resto''). Copiei o livro de Kernighan & Ritchie.
Então, no final do ano 2000, ganhei um DX4 486 com 32MB RAM. O primeiro
programa que pedi para instalar foi um compilador C (Turbo C++ 3.0 para
DOS da Borland, o melhor IDE que conheci até hoje.), com o qual pude
reimplementar os programas que eu fazia em WordBasic e escrever outros.
Depois instalei o csound, para experimentar com síntese de som, etc.

Assim, sempre considerei o computador com uma máquina programável, mesmo
antes de ter o meu próprio computador. Nunca o considerei como um
``combo'' de vídeo-game, máquina de escrever e telégrafo. Em contraste,
muitas pessoas estão ``aprendendo'' que o computador é uma tal espécie
de ``combo'', que não tem ``programas'' editáveis pelos usuários, mas
``aplicativos'' prontos, pretensamente úteis para todos os fins. O que o
usuário pode fazer fica restrito ao que está pré-programado no sistema e
aplicativos, e o imenso potencial da máquina de Turing é ignorado e
fica inacessível. Vejo que os softwares proprietários (e também o
hadware) são, cada dia mais, feitos para *restringir* o que as pessoas
possam fazer, para *reduzir* a eficiência e produtividade, com objetivo
de forçar a compra de ``upgrades'', ``addons'' e ``plugins''.

Por isso, penso ser imprescindível resgatar o valor da programabilidade,
esse conceito central dos computadores. Não consigo conceber usar um
computador sem poder programar, mesmo que eu seja apenas iniciante e
amador em programação. Seria demasiado difícil e ineficiente. Seria
reduzir demais as possibilidades dessa máquina formidável, e eu não
acredito que, mesmo num futuro distante, os softwares pré-moldados
consigam suprir as necessidades dos usuários. O que acredito é que
camadas facilitadoras serão acrescentadas, como linguagens de mais alto
nível e interfaces mais avançadas e interativas.

Reforço que na minha opinião todas as pessoas deveriam, sim, ser capazes
de programar. Não digo capazes de escrever seu próprio sistema
operacional, mas capazes de compreender como software funciona e capazes
de escrever programas úteis em alguma linguagem de programação. Não
penso que isso seja um assunto restrito a quem vá seguir a carreira de
programador profissional. Com os computadores tornando-se onipresentes,
saber programar é um pré-requisito para explorar criativamente seu
potencial informacional e comunicacional, e para manter o controle sobre
a própria ``vida digital''.

Aprender um pouco de programação não é tão difícil que um aluno,
digamos, de 6a. série não seja capaz. Uma criança que aprenda a
linguagem LOGO com o KTurtle não terá dificuldade em fazer programas
simples em PostScript. A partir do contato com linguagens de programação
de uso geral, as possibilidades se multiplicam...

De maneira que para a pergunta ``para que serve um computador?'', cada
usuário possa escrever como resposta uma coleção de programas
personalizados, originais, criativos, para finalidades nunca antes
imaginadas.

Até mais,
Hudson
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