Os profissionais da crítica também devem ter seu lugar reservado na
sociedade. Que tal ser ombudsman (ou ombudswoman) do evento?

Só não dar para ser preconceituosa com os profissionais da palhaçada,
até porque estes guardam muita semelhança com os profissionais da
crítica.

Que por sinal são ótimos em gritar, mas ruins para organizar e fazer.
E sempre saem com os argumentos "contra"... somos contra-poder, somos
contra-organização, somos contra-centralização...

Mas paradoxalmente se organizam em guetos e seguem discriminando quem
"não é tão rebelde como nós", "quem não é tão BG como nós", "quem não
domina nosso repertório de poder, ops, de não-poder", "quem é
chapa-branca", "quem não conhece nossos amigos"...

Só não aceitam que o paradoxo está no alicerce do pensamento, que a
negação da negação é a afirmação, que em todo discurso existe poder.

E seus ritos de não-poder seguem sendo ritos de poder, somente
acessível para os iniciados em rebeldia. E cultuam seus líderes, e
seguem suas crenças.

Mas como seres humanos não perdem a vaidade, quando não estão sendo
ovacionados como os bastiões da liberdade atacam pedras.

São reativos quando atacam suas verdades, suas crenças. E continuam
construindo novas verdades, mas claro, em oposição às antigas
verdades. E conservam suas novas verdades contra qualquer ataque, e em
grupo... são neo-conservadores da rebeldia.

E seguem utilizando o "saber" como forma de exercer poder. "Vocês não
sabem ser rebeldes direito, ainda são iniciantes em rebeldia, e para
lhes punir privaremos vocês de nosso iluminado convívio"

Só falta usar a gravata vermelha com o nó folgado e a camisa desabotoada!


On 4/21/07, Fabianne Balvedi <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
oi Mario,


On 4/19/07, [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED] > wrote:
> Fabiane:
>
> Espero que tu voltes ao fisl assim como muitos que juram que nunca
> mais pisaram lá e depois retornam, sem ao menos fazer autocritica do
> que disse antes.


Desde 2005 tenho convencido pessoas a nao desistirem de ir ao FISL,
a acreditarem no evento, mesmo estas me mostrando argumentos fortes,
colocando duvidas sobre os rumos vislumbrados. Sempre dizia pra elas
que sem a gente seria pior, que mesmo nao tendo a força da grana,
podemos fazer a diferença, e voces podem comprovar isso atraves dos
historicos
de varias listas que participo. Cheguei ateh a brigar com amigos por causa
do FISL.
Mas este ano a coisa ficou feia demais e dei toda razão às criticas,
pois nao teve-se mais como esconder que algo de muito errado estava
acontecendo por lá. Sim, também teve muita coisa boa, mas...


> Sobre os patrocinios, eles sempre existiram. É com eles que montamos
> aquele enorme "circo". Nunca pagamos cache para nenhum palestrante,
> nem mesmo Stallman ou Maddog. O que fazemos é subsidiar parte de algum
> dos gastos dos palestrantes quando este não tem condições de faze-lo
> ou quando é convidado da organização. E não são todos/todas
> convidados/as que recebem. Cada caso é um caso. Temos um recurso bem
> pequeno para esses reembolsos. O sucesso do fisl está exatamente nesta
> contribuição. Sem ela, certamente não poderiamos pagar quase 500
> palestrantes. Entendo a visão de teu amigo. Mas certamente o fisl não
> se enquadra nos critérios dele. A sugestão que dou para todas as
> pessoas que querem nos ajudar com sugestão de palestrantes é:
> 1. inscreva-se quando da chamada de trabalhos
> 2. olhe os sites anteriores para ver o perfil do site.
> 3. nos pergunte antes se tem alguma forma de apoio.
>
> Assim evitamos surpresas desagradáveis. De parte da organização,
> sempre alertamos isso.



Ele sabia de tudo isso. E eu complmentei dizendo que o criterio dele deveria
ser diferente ao se considerar que estamos num pais como o Brasil,
que nao tem os mesmos recursos de uma uniao europeia.
Mas ele disse estar surpreso pelas pessoas conseguirem engolir
na boa essa sobreposiçao de valores explicita pelo marketing dos que
estao ali apenas para fazer e fechar negocios. Ate este momento
eu tb estava defendendo o FISL, mesmo sob os argumentos dele.
Mas..

> De nossa parte sempre apreciamos a critica construtiva, mesmo das
> pessoas que não gostam do fisl. Assim, nos esforçamos para torna-lo
> melhor. Nós gostamos que as pessoas que são contra o "espírito" do
> fisl palestrem, montem seu stand, enfim, enfim, enriqueçam a seu modo,
> o fisl. Nunca criamos estatudo cheio de regras duras para que uma
> pessoa se inscreva.


Mas eu semprei achei que existia um minimo de coerencia, pelo menos
por respeito ao que o proprio nome do evento carrega: Software Livre.
Qual nao foi nossa surpresa ao encontrar no telecentro uma soluçao
thinclient
portando e fazendo propaganda de um software declaradamente proprietario?

http://www.vimeo.com/clip:172321

a declaração-pérola da entrevista:
"a parte que os outros fizeram é livre e a parte que vocês fizeram é
proprietária? - sim"

Parasitismos à parte, se eh pra escancarar assim, entao que pelo menos se
mude
o nome do forum para pra FISLPNM -  Forum Internacional Software Livre Pero
No Mucho



> Apenas não podemos obrigar que as pessoas
> comparaçam. Tu e outras pessoas contribuem para a nossa
> comunidade. Lamento tua decisão de afastar-se. Mas assim é a vida. Nós
> seguiremos nosso rumo.


Pois é, meu problema é justamente com esse rumo aí, que eu já não tenho mais
certeza de qual é. Principalmente quando me dei conta de que toda e qualquer
tentativa que fizemos de intervir criticamente sobre a maneira como estava
sendo conduzida a cultura no FISL foi completamente ignorada. O debate sobre
cultura livre URGE, mas a cultura lá dentro é claramente, explicitamente e
implicitamente, monopolizada pelo Criei Tive Como. Tudo que discutimos na
lista do GT-cultura foi ignorado, vetaram a mesa de cultura livre proposta
pelo g2g, deturparam o conceito de TV Livre pra se referir a uma simples
mostra de videos (tv gratis?) e finalmente acabamos descobrindo que a FGV
registrou o nome Criei Tive Como e sequer falou com o Balbino sobre isso,
alem de nao nao dizer sob qual licença de uso... por falar em Balbino,
alguém aqui sabe quem é ele? haha, que piada, o cara que deu nome ao
festival nunca foi convidado pra ir pro FISL, a unica coisa que recebeu foi
uma simples mençao numa materia e parou por aih, entao quem eh quem ta
usando o que de quem mesmo? quem eh que nao quer se misturar nessa historia
toda? vcs realmente acham que nos eh que queremos ficar no gueto, que nos eh
que nao queremos dialogo com eles?

e os babados não ficam só aí não... o pessoal do festival CtC ontem
finalmente se pronunciou atraves do pixel declarando que se recusam a fazer
parceria com o estudio livre (apesar de terem chamado varias pessoas do EL
pra trabalhar no estande deles e de terem usado o stream do nosso site)
porque eles tinham apoiado a ida de alguns membros da comunidade ao isummit.
Mas que, apesar desse apoio, fizemos um protesto durante a apresentação da
Microsft... como assim??? entao quando vc recebe apoio, tem que ficar calado
frente a tudo que ve, é isso mesmo????? "tao comprando o silencio de voces,
seus manes, nao se ligaram?"

http://www.midiatatica.org/principal/node/146

E alguem me explica como o Ronaldo Lemos foi parar na grade de programaçao?
que eu saiba a comunidade nao tinha aprovado a proposta dele de uma mesa de
monologos (era pra ser debate, mas onde estavam os contestadores do modelo?
sim, eles existem, e tem criticas extremamente aprofundadas!) Junte-se a
isso o fato de que ano passado os artistas da mostra usavam SL proprietario
e que este ano nao foi diferente com os artistas que estavam no estande
fazendo o show de encerramento do FISL. Eles sequer se deram ao trabalho de
procurar artistas que já usam SL, e sim eles, existem também!

O show estava vazio *de novo*, tinha seguranças ridiculamente tentando fazer
o pessoal parar de dançar (a Claudia Archer ficou indignada!) E ainda
tivemos de ouvir uma pessoa do festival arrotar na nossa cara: fomos
convidados, nao precisamos nem pagar pelo espaço, somente pela
infra-estrutura... isso é verdade? mesmo que não seja, por que será que essa
pessoa se sentiu à vontade pra falar isso?

 Então já deu pra ter uma boa ideia do que sentimos ao perceber o tipo de
cultura que o FISL vem apoiando declaradamente, uma vez que se coloca como
realizador do festival CtC tambem. A maior contribuiçao que grupos como o
Estudio Livre e o Midiatatica poderiam dar ao FISL foram totalmente
desprezadas e ignoradas. Tenho alertado sobre os problemas do CtC desde o
ano passado, mas nada parece ter mudado neste cenário (minto, eles receberam
um espaço muito maior e melhor localizado.) e a cultura propagada por eles
continua sendo apenas a do mero entretenimento.

Mas a gota d'água aconteceu ao final da unica palestra do tema "gênero" do
evento, proferida por um pessoal da argentina (g2g fez apena um encontro
comunitario) que estava quase vazia e nao foi prestigiada nem pelos outros
grupos de genero locais, mostrando o quanto essa questao tambem urge em ser
compreendida. Ouvi da organizaçao que o questionamento da licença de uso de
imagem do FISL era um fogo amigo desnecessário, e que tudo que se queria eh
que outras pessoas nao ganhassem dinheiro em cima das palestras, que o
trabalho da ASL pra fazer o FISL era muito grande pra outros ficarem
ganhando dinheiro em cima dele. Eu fiquei tao estupefacta com essa
declaraçao que nao consegui nem reagir direito na hora...

primeiro de tudo: porque esse termo nao foi enviado aos palestrantes com
antecedencia, para que pudesse ser devidamente estudado e refletido pelos
mesmos? segundo, porque o cara do thinclient proprietario pode vender o
codigo dele em cima do que outros fizeram atraves de muito trabalho
voluntario, mas as palestras do fisl soh podem ser vendidas pela ASL (a
licença nao deixa claro que o palestrante, que pagou sua propria passagem e
estadia e nao cobrou pela sua palestra, tb pode fazer isso)? Se os
programadores sao incentivados a liberar seus codigos de programaçao, mesmo
pra uso comercial (nem GPL, nem BSD, nem OSD impedem uso comercial), porque
a ASL nao libera a programaçao de seu precioso FISL tambem sem restriçao de
uso comercial? Um peso, duas medidas?

Me recuso a continuar participando dessa palhaçada, "se a Globo quer usar a
minha música, que libere a sua novela."

//fabs
--
Fabianne Balvedi
Linux User #286985
http://fabs.estudiolivre.org
"se a Globo quer usar a minha música,
que libere a sua novela."
giuliano djahjah
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