On 5/30/07, Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Estou de pleno acordo, como já deveria ter ficado na thread anterior
(aquela que já era: :-)

O ponto é que, quando a sociedade cultua o compartilhamento do que faz
sentido, ela é menos frágil ao mau exemplo do aproveitador.

Exatamente. Já é bem visível que até mesmo as leis não são adversárias
para os costumes e as práticas de uma sociedade. Se uma lei vai contra
um costume, acontece que a tal lei não pega e nem mesmo os agentes da
lei se sentem à vontade para aplicar os procedimentos da maneira que
está definido.

Vemos, por exemplo, o que acontece com a pirataria, com a
prostituição, com o trabalho escravo, com a compra de votos, etc, etc,
etc. Quando a coisa é costume é difícil fazer valer a lei.

Por isso que querer controlar tudo apenas com a força da lei é uma
ferramenta ineficiente para resolver os problemas de uma civilização,
um pessoal que resolveu viver em cidades.

Daí quem tem o tipo de pensamento "ah, estou dentro da lei, então não
me amola!" ou "você não tem provas válidas em tribunal, então me deixa
em paz!" é o tipo de estratégia de aproveitadores. Eles sabem o que é
ou o que não é um mal costume. Mas como estão livres de punição legal
eles querem estar livres do repúdio da sociedade.

E se de repente outras pessoas acharem legal este exemplo, e não
entenderem como mal exemplo, vão surgir no mundo cada vez mais pessoas
prejudiciais que teremos que agüentar entre nós. Estas pessoas não
irão abandonar estes hábitos ruins nem sob pena de morte, pois estes
hábitos ruins são causados por ignorância, e uma pessoa que sofre de
ignorância crônica não é capaz de calcular corretamente os efeitos das
suas ações. Teremos uma sociedade cada vez com mais leis, punições
mais severas e desumanas, mais impostos para manter este sistema de
vigilância e punição, ou seja, tudo que não queremos.

Para quem sofre de ganância, ignorância, terrível medo de ser pobre,
terrível medo do futuro, terrível medo do passado, terrível medo de
não fazer sexo, terrível medo de ainda estar sentido medo, isto é
muito difícil de se ver. Pois a própria inorância que gera a ganância
é a mesma que embaça o raciocínio e a capacidade de avaliar
corretamente as causas e os efeitos dos eventos.

Para quem não sofre de tudo isso, acha isso tudo tão óbvio que se
chateia ao ler esse tipo de coisa. Vive a vida tranquilamente
escrevendo software e dando de graça, vive cheio de propostas que
surgem do nada dia após dia. Vive uma vida de muito trabalho, muita
incerteza, mas sempre boa e sempre motivante e sempre feliz. Aos
poucos ganha a confiança de todos e depois que suas intenções não são
mais questionadas, todos os tipos de oportunidades surgem. Pode ser
dar o luxo de ser um conhecimento FDP sobre computadores, sistemas, de
todo tipo de coisa, o escambal, e ainda de quebra tirar onda de poder
trabalhar de qualquer lugar com tanta gente bacana, que cultua os bons
hábitos e muitas outras coisas. Pode fazer todos se tornarem mais
produtivos apenas pela força do seu exemplo. Deixa muita sauade quando
termina seu trabalho nos lugares onde passa, e tem todas as suas
idéias bem patrocinadas, pois tem sempre boas idéias, já que ele sabe
o que leva ao erro. Pode ter uma renda mensal de 5, 7 10, 14 mil tudo
bem suado, bem merecido e bem trabalhado, pois uma pessoa assim faz a
diferença em qualquer lugar.

Aí acontece que a sociedade não mostra as vantagens e a diferença de
como é a vida de quem quer dominar tudo e de quem não é apegado às
coisas. Valorizam que tem poder de empatar a vida dos outros mas não
valorizam quem tem poder sobre sua própria satisfação. Acham que tudo
isso é mentira utopia, pois para ela esse mundo não existe. Mas
existe. Mesmo quando eu não via esse mundo com os meus próprios olhos,
só a esperança de que esse mundo existisse me motivou o suficiente
para que eu fosse atrás desse mundo, que agora existe para mim.

A diferença não está em quem usa software livre e quem não usa, pois
aqui mesmo na lista está cheio de gente que usa e são tremendos
babacas apegados às coisas, e tem gente que não usa mas sempre
compartilhou tudo com sua gente do seu jeito. A diferença está em quem
é apegado e quem não é, pois nada adianta você usar software livre se
você está apegado à maneira de como as coisas eram antes ou como você
imagina que elas serão depois.

Trabalhar com Software livre de certa forma é se arriscar a depender
da bondade dos outros. Mas todos nós dependemos da bondade dos outros.
Tem gente que prefere ter só a si mesmo e resolver cada problema da
sua forma, se impor na vida dos outros. Acho que todos nós temos o
direito que defender nosso estilo de vida. Quando criticamos o google
por não compartilhar estamos defendendo este estilo de vida.



> Sinceramente eu acho que o Eben Moglen falou besteira.

Prefiro achar que ele foi mal interpretado, ou que o que ele disse foi
distorcido.  Como Evangelista bem me lembrou outro dia, as aspas já
não significam mais o que significavam antigamente ;-)

Abraço,

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Alexandre Oliva         http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
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A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.


          "Que os fontes estejam com você..."

Glauber Machado Rodrigues
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