O deputado Paulo Maluf (PP-SP) revelou hoje, em audiência pública da
Subcomissão Especial de Segurança do Voto Eletrônico, que foi procurado
durante a última campanha eleitoral, no segundo semestre do ano passado, por
pessoas que se ofereceram para fraudar a totalização de votos. "Não somente
eu, como muitos outros aqui [na Câmara foram sondados]. Se eles forem
sinceros, falarão", disse.

O deputado negou, porém, que tenha mantido contato direto com os supostos
fraudadores e que tenha sido favorecido pelo esquema. "Eu não precisei. Tive
714 mil votos, fui o deputado mais votado do estado de São Paulo", disse.

Maluf assegurou, porém, que tem recebido esse tipo de proposta desde que a
votação por urna eletrônica foi implantada no Brasil, em 1996. Segundo o
deputado, é bastante improvável a violação das urnas eletrônicas, sobretudo
em estados grandes como São Paulo, mas não é difícil fraudar as eleições na
hora de somar os votos. "Urna por urna, são todas honestas, mas na hora da
totalização a fraude fica muito mais fácil", disse Maluf.

*Possíveis falhas*
O professor Ricardo Puttini, um dos quatro especialistas do Departamento de
Tecnologia da Informação da Universidade de Brasília (UnB) presentes na
audiência, confirmou que a totalização é suscetível à fraude. "O sistema é
vulnerável, sem dúvida", afirmou.

O especialista ponderou que aguarda manifestação sobre consulta encaminhada
pela universidade ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se falhas
verificadas por ele em auditoria nas eleições de 2002 foram corrigidas de lá
para cá. Uma das brechas para fraude, segundo ele, consistia na
transferência manual de dados em decorrência de defeitos em urnas
eletrônicas. "Quando a mão humana participa do processo, começam as falhas",
disse o relator da subcomissão, Vital do Rego Filho (PMDB-PB).

O professor do Centro de Pesquisas em Arquitetura da Informação da UnB
Mamede Lima-Marques afirmou que "não existe sistema totalmente seguro", mas
sugere a transparência e a integração tecnológica de todos os procedimentos,
desde o cadastramento do eleitor até a totalização dos votos. André Amaro
Tofanello, do Departamento de Ciência da Computação da mesma universidade,
concorda com a sugestão do colega.

Ricardo Ruttini apontou ainda a vulnerabilidade na identificação dos
eleitores unicamente por meio da assinatura na hora da votação, já que os
mesários "muitas vezes não conferem a assinatura". "Eles nem estão
habilitados para fazer isso", emendou o deputado Magela (PT-DF). Essa falha
pode permitir que uma pessoa vote no lugar de outra. O professor sugere que
a identificação seja feita por meio de digitais.

A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) lembrou que apresentou um projeto de
lei (PL 970/07) que propõe mecanismos para garantir a segurança do voto
eletrônico.

*Recontagem de votos*
Puttini observou que o melhor procedimento para detectar esse tipo de fraude
é a recontagem de votos.

"Como disse Maluf, não temos notícia de que algum TRE tenha autorizado a
recontagem", disse Magela. Segundo o deputado, entre os parlamentares há
muita incerteza sobre a segurança desse tipo de votação. Eles questionam,
por exemplo, por quê países avançados como o Japão não adotam o voto
eletrônico.

*Notícias anteriores:*
*Especialistas apontam vulnerabilidades no voto
eletrônico*<http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=100485>
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