Caros,

Fiquei extenuada com estudos e acompanhamento ao PL AZEREDO, seja por
estudos da conjuntura política, seja por tudo, até mesmo por ter a bela
companhia do Pedro Rezende, por mais tcham que seja, em momento difíceis
porque somos pessoas diferentes, experiências diversas, conhecimento
diferente da prática político/parlamentar.
Pedro, dentro do que ele sabe e do seu esforço pessoal, conseguiu apoio de
Pedro Simon para o pedido de vista e da audiência pública. Fantástico!!
Parabéns a ele. Eu acertei sobre a conjuntura política o que tb deve ter
ajudado ao Simon ficar tão atento e rente, ele sabe ler nas entrelinhas da
cojuntura e somar bem com o significado do PL.
Deu certo este round. Daqui pra frente, NADA poderá sair errado, porque as
perdas serão irreparáveis: DEBATE só nada serve ou vale, portanto uma
audiência pública como essa conquistada a duras penas, precisa ocorrer com
quem sendo especialista saiba ir nos pontos nevrálgicos com enorme
autoridade lastreado em conhecimento de causa e autoridade ética-moral. Nome
certo para ir na jugular, repito, é a ELA Castilho,sub-procuradora geral da
república para assuntos do cidadão. Outro nome do prof Joaquim Falcão, um
advogado militante: Omar Kaminski e membro do CGI, Sérgio Amadeu para formar
o contraditório ao lado de lá.Nenhum poderá sair do tema, de ser conciso, e
ser direto aos pontos vitais. Quem for lá pra mostrar saber, aparecer, ter
palco, obter outros benefícios de marketing e quetais: TCHAU pra esses.
Um debate apensa influi pouco ou nada e se ocorrer estrelismos, saídas do
foco, aproveitar a deixa pra adentrar em temas q não consegue atenção, erro
fatal poderá ocorrer e ai adeus viola.
São muitos os passo para o lobby democrático influir com legitimidade e
mudar o curso das coisas para a direção que se objetiva
Não são os nomes que apreciamos na militância do SL que terão de ir debater,
a não ser aqueles que estiver dentro do figurino.
Vou, cada vez mais, me ater aos meus trabalhos, portanto, não vou mesmo
ficar escrevendo aqui, vou postar, escrever, etc no ADa Digital, etc Quem
quiser vá até ao Ada Digital e depois ao Parlamento Livre.Aqui não vou ficar
escrevendo como foz estes últimos dias, e pior escrevendo mal. Posso aqui
dar toques, mas nos demais espaços poderei fazer mais e melhor, mais
adequadamente.Como ter foruns, etc OK???
Na esteira do que escrevi acima e da preocupação com a ética e cidadania
publiquei artigo do Frei Betto tratando de assunto deste conteúdo e tipo.
Quem quiser ler
Dimensão holística da ética
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Frei Betto
Escritor, é autor de A obra do artista — uma visão holística do Universo
(Ática), entre outros livros
Sócrates foi condenado à morte por heresia, como Jesus. Acusaram-no de
pregar aos jovens novos deuses. Tal iluminação não lhe abriu os olhos diante
do céu, e sim da terra. Percebeu não poder deduzir do Olimpo uma ética para
os humanos. Os deuses do Olimpo podiam explicar a origem das coisas, mas não
ditar normas de conduta.
A mitologia, repleta de exemplos nada edificantes, obrigou os gregos a
buscar na razão os princípios normativos de nossa boa convivência social. A
promiscuidade reinante no Olimpo, objeto de crença, não convinha traduzir-se
em atitudes; assim, a razão conquistou autonomia frente à religião. Em busca
de valores capazes de normatizar a convivência humana, Sócrates apontou a
nossa caixa de Pandora: a razão.

Se a moral não decorre dos deuses, então somos nós, seres racionais, que
devemos erigi-la. Em Antígona, peça de Sófocles, em nome de razões de
Estado, Creonte proíbe Antígona de sepultar seu irmão Polinice. Ela se
recusa a obedecer "leis não escritas, imutáveis, que não datam de hoje nem
de ontem, que ninguém sabe quando apareceram". É a afirmação da consciência
sobre a lei, da cidadania sobre o Estado.

Para Sócrates, a ética exige normas constantes e imutáveis. Não pode ficar
na dependência da diversidade de opiniões. Platão trouxe luzes ensinando-nos
a discernir realidade e ilusão. Em República, lembra que para Trasímaco a
ética de uma sociedade reflete os interesses de quem ali detém o poder.
Conceito retomado por Marx e aplicado à ideologia.

O que é o poder? É o direito concedido a um indivíduo ou conquistado por um
partido ou classe social de impor a sua vontade à dos demais. Aristóteles
nos arranca do solipsismo ao associar felicidade e política. Mais tarde,
santo Tomás, inspirado em Aristóteles, nos dará as primícias de uma ética
política, priorizando o bem comum e valorizando a soberania popular e a
consciência individual como reduto indevassável. Maquiavel, na contramão,
destituirá a política de toda ética, reduzindo-a ao mero jogo de poder, onde
os fins justificam os meios.

Kant dirá que a grandeza do ser humano não reside na técnica, em subjugar a
natureza, e sim na ética, na capacidade de se autodeterminar a partir de sua
liberdade. Há em nós um senso inato do dever e não deixamos de fazer algo
por ser pecado, e sim por ser injusto. E nossa ética individual deve se
complementar pela ética social, já que não somos um rebanho de indivíduos,
mas uma sociedade que exige, à sua boa convivência, normas e leis e,
sobretudo, a cooperação de uns com os outros.

Hegel e Marx acentuarão que a nossa liberdade é sempre condicionada,
relacional, pois consiste numa construção de comunhões, com a natureza e os
nossos semelhantes. Porém, a injustiça torna alguns dessemelhantes.

Nas águas da ética judaico-cristã, Marx ressalta a irredutível dignidade de
cada ser humano e, portanto, o direito à igualdade de oportunidades. Em
outras palavras, somos tanto mais livres quanto mais construímos
instituições que promovam a felicidade de todos.

A filosofia moderna fará uma distinção aparentemente avançada e que, de
fato, abre novo campo de tensão ao frisar que, respeitada a lei, cada um é
dono de seu nariz. A privacidade como reino da liberdade total. O problema
desse enunciado é que desloca a ética da responsabilidade social (cada um
deve preocupar-se com todos) para os direitos individuais (cada um que cuide
de si).

Essa distinção ameaça a ética de ceder ao subjetivismo egocêntrico. Tenho
direitos, prescritos numa Declaração Universal, mas e os deveres? Que
obrigações tenho para com a sociedade em que vivo? O que tenho a ver com o
faminto, o oprimido e o excluído? Daí a importância do conceito de
cidadania. As pessoas são diferentes e, numa sociedade desigual, tratadas
segundo sua importância na escala social. Já o cidadão, pobre ou rico, é um
ser dotado de direitos invioláveis, e está sujeito à lei como todos os
demais.

O capitalismo associa liberdade ao dinheiro, ou seja, ao consumo. A pessoa
se sente livre enquanto satisfaz seus desejos de consumo e, através da
técnica e da ciência, domina a natureza. A visão analítica não se pergunta
pelo significado desse consumismo e pelo sentido desse domínio. E, de
repente, a humanidade desperta para os efeitos nefastos de seu modo de
subjugar a natureza: o aquecimento global faz soar o alarme de um novo
dilúvio que, desta vez, não virá pelas águas, e sim pelo fogo, sem chances
de uma nova Arca de Noé.

A recente consciência ecológica nos amplia a noção de ethos. A casa é todo o
Universo. Lembre-se: não falamos de Pluriverso, mas de Universo. Há uma
íntima relação entre todos os seres visíveis e invisíveis, do macro ao
micro, das partículas elementares aos vulcões. Tudo nos diz respeito e toda
a natureza possui a sua racionalidade imanente. Segundo Teilhard de Chardin,
o princípio da ética é o respeito a todo o criado para que desperte suas
potencialidades. Assim, faz sentido falar agora da dimensão holística da
ética.

O ponto de partida da ética é assinalado por Sócrates: a polis, a cidade. A
vida é sempre processo individual e social. A ótica neoliberal diz que cada
um deve se contentar com o seu mundinho. Mas fica a pergunta de Walter
Benjamin: o que dizer a milhões de vítimas de nosso egoísmo?
Frei Betto
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