Eu concordo plenamente com o seu ponto de vista, pois sou pesquisadora da
Rede de Telecentros Rurais Gemas da Terra www.gemasdaterra.org.br e também
só usamos software livre nos nossos telecentros. Claro que é possível
desenvolver inclusão digital no meio rural, e no nosso caso o Ubuntu é a
distro que o pessoal melhor se adaptou no Gemas da Terra. Eu acho que além
da questão de problema político, eu acrescento que há um problema de
formação dos educadores do telecentro na seara da manutenção dos micros/
suporte técnico e se construir este tipo de expertise nestas localidades
rurais.  Por que ao invés de abrir muitos Pontos de Cultura no país, não se
opte por um número menor de Pontos de Cultura mas com mais verba para fazer
uma boa formação dos educadores em software livre? Porque não deixar uma
verba adicional para se criar um bom sistema de manutenção dos computadores
e criar uma novo tipo de expertise em software livre nas comunidades, tal
como vem fazendo outros projetos? Eu realmente não consigo compreender mais
a fundo o motivo do porque em alguns pontos de cultura se optou pelo
software livre e outros pelo software proprietário? Por que houve esta
mudança de visão daquilo que sempre foi dito desde que surgiram o projeto
Ponto de Cultura no país? A justificativa que recebi no Ponto de Cultura de
São Gonçalo do Rio das Pedras - distrito rural de MG foi esta, mas talvez a
questão seja mais profunda do que esta, porque isso não justifica muito
(concordo contigo). Acho que seja um problema mais profundo do que foi
mencionado para mim. O que eu vejo nos programas do governo é uma ênfase
muito grande em abrir vários pontos de inclusão digital, e destinar pouca
verba para a formação e ter um plano fraco e pouco consistente de
sustentabilidade das iniciativas. Se abrem muitos telecentros e se faz todo
um estardalhaço na imprensa, depois os telecentros fecham por falta de
sustentabilidade um ano depois no silêncio por problemas de gestão.

Aliás, gostaria de compartilhar contigo Julian o nosso guia para Telecentros
Rurais que se encontra em Creative Commons e pode ser utilizado por qualquer
iniciativa de inclusão digital no meio rural. O Guia de Telecentros Rurais
Gemas da Terra se encontra em
http://www.gemasdaterra.org.br/docs/guia_GT_TelecentroRural_v1.0.1_A4.PDF

Beijos,
Ana Maria.



Em 24/08/07, Julian Carlo Fagotti <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Ué... qual a diferença de instalar um Ubuntu na área rural do nosso país,
> ao invés do windows?
> Em Urtigeira, Ventania, Sapopema. Dr. Ulisses, Adrianópolis, tudo no
> interior do interior do Paraná a gente tem os Telecentros Paranavegar. Tudo
> com Debian! São mais de 110 Telecentros.
> As pessoas pessoas estão plantando micosoft? É uma espécie de semente
> transgênica que basta levar a caixinha na "área rural" e se instala
> automaticamente nos computadores?
> Isso é falta de política. Está chegando computadores onde nunca chegou. E
> chegam com windows. Chegam junto com os produtos da New Holland?
> Os computadores devem, inclusive, chegar com o sistema operacional
> instalado...
> O que tá faltando é política de software livre nos pontos de cultura.
> Área rural não é desculpa.
>
>
> Em 24/08/2007 às 15:29, psl-brasil@listas.softwarelivre.org escreve:
>
> On 8/24/07, Ana Maria Moraes de Albuquerque Lima
> wrote:
> > Quanto ao Ponto de Cultura o motivo alegado para o uso de Windows XP e
> > Premiere em algumas das suas unidades no interior do país (pontos de
> cultura
> > em distritos rurais) refere-se ao problema de falta de suporte técnico
> em
> > software livre e mão de obra especializda nestas regióes. Contudo, náo
> sei
> > informar se uso de software proprietário nos Pontos de Cultura só
> ocorrre
> > nos distritos rurais ou nos grandes centros urbanos também. Sou
> favorável a
> > adoção do uso de software livre nas iniciativas de inclusão digital
> > (especialmente as do governo), mas a questão da falta de expertise em
> > suporte técnico nos telecentros das regiões mais remotas do país como um
> > problema sério que merece um maior aprimoramento. Se encontramos
> > dificuldades neste sentido mesmo em alguns grandes centros urbanos,
> imagine
> > no meio rural. Espero que o Ponto de Cultura possa dar o salto e ter
> > condições técnicas e máo de obra qualificada para poder optar apenas
> pelo
> > uso de software livre.
>
> É. Não tem saída.
>
> Como qualificar pessoas se temos acordos como este do Ministério
> do Trabalho?
>
> > Um abraço,
> > Ana Maria.
>
> Abçs,
> Zandre.
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