Pessoal,

Como tem muita gente pedindo, coloquei temporariamente a reposta da
Receita em: http://ufa.eng.br/rel-imp.pdf

Eles não colocaram a resposta no Comprasnet. Isso não fere o princípio
da publicidade?

Ufa


Em 29/08/07, Ada Lemos<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Imaginava mesmo que a RECEITA viria com gestos de arrogância e por todas as
> razões aqui colocadas por vc Olival. Barra pesada.Entrementes, há de se usar
> todas as possibilidades para tentar contrapor ao comportamento dela. Suas
> observações, análise e  informações precisa sair dos psls e ir a público,
> tanto qto o texto enviado ao UFA, se for este possível estar com o selo de
> domínio público que acho dever ser.
> Sempre digo, desde os anos de chumbo, o que muito me ajudou a ultrapassar a
> ditadura, entre outras hegemonias contra as liberdades, ou seja: "NÃo há
> FORTALEZA inexpugnável" Conhecer bem pra saber trabalhar com os pontos
> frágeis, inconcruentes da dita FORTALEZA que deve os ter, afinal sendo
> humana, não é perfeita, é a maior necessidade e ser adequadamente usado.E,
> sobretudo, não ter medos sem ser desabrido. Organizações do tipo FORTALEZAS
> como é a RECEITA, ŕa controlar, "ADORA" intimidar, gerar medos, paúras. O
> medo é tudo que não podemos ter, embora ter conteúdo e forma adequadas pra
> fazer frente é tudo de bom. Olival, realmente, trouxe uma reflexão primorosa
> Refiná-la, agregar mais pontos, faz-se necessário, mormente tb para a
> entrevista com Nelson Machadoe falar pra fóra, através de nossos portais, o
> ada nessa, e conseguir-se pautar a mídia tb tradicional, abrindo assim um
> marketing boca a boca, viral, obrigando a RECEITA virse obrigada a dar
> explicações. Qdo começar a sentir necessidade de se explicar....abriu-se lhe
> um bom flanco.
> Adorei o pedido de audiência feito pela ASL para todas as ONGs do mundo do
> SL. Ponto pra ela.MARAVILHA.
> TEnho uma preocupação:
> - Preocupação no que tange ao MTE. A decisão de convêncio entre ele e a M$
> foi "MESMO" do pedetista ministro Lupi?????????? Minha preocupação é se ele
> muito questionado e cobrado, seu partido interpelado, Lupi dizer que levou
> adiante algo iniciado por seu antecessor e ou que chegou-lhe sugestões de
> outros pontos e ou ambas as coisas.Pouco antes da troca de ministros, o Sw
> Proprietário fez visitas fortes ao ministro Marinho, tanto em Sampa, como
> aqui, tendo isto resultado numas reuniões gerais do comitê que briguei por
> assento do SL nele e ocupei a vaga de imediato conforme o figurino e estou
> atrás de reativar as atividades do referido comitê que nunca mais se reuniu
> e no vácuo das não reuniões, veio a notícia: MTE e M$ em convênio
> estão.Djalma Valois estava na mesma reunião que aqui cito.Este povo ai ronda
> outros ministérios, ex MCT/Sepin que agora solta o residência em engenheiro
> de Software.
> Ufa, por favor, me mande o texto da Receita.
> Bjs,
> Ada
>
> Em 29/08/07, Olival Júnior <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > Ufa escreveu:
> > > Galera,
> > > a Receita negou os pedidos de impugnação do edital, se baseando em um
> estudo que
> > > ela fez em 2005(!!) com o Openoffice 1.1(!!!).
> > >
> > Pelo q eu li do documento q vc enviou, eles falam apenas de 3
> > solicitações de impugnação. Me parece q isso não cobre a solicitação
> > indicada pelo Teza. Em todo caso, o relatório da COTEC da RFB está um
> > primor de prepotência. Tbém, no país do rabo preso, acho q só a PF é
> > mais temida do q ela.
> >
> > Alguns trechos interessantes (grifo meu):
> >
> > (1) "A alegação de que outros órgãos públicos migraram ou estão migrando
> > para soluções abertas deve ser analisada levando-se em conta o contexto
> > de cada realidade, enfatizando que as especificidades da Receita Federal
> > e de seus resultados *não permitem nenhuma margem a aventuras* que
> > possam pôr em risco a arrecadação federal, conforme se verá a seguir."
> >
> > - Caramba! De cara ele coloca as iniciativas do Serpro, CEF, BB, etc
> > como "aventuras". Tivesse encerrado o argumento até a primeira vírgula,
> > seria algo irrefutável. Agora, com esse linguajar dá uma certa impressão
> > q rolou uma "emoção" nessa resposta.
> >
> > (2) "Parece **falar por si só o fato de que, mesmo sendo uma solução
> > gratuita, o OpenOffice / BrOffice não venha conseguindo penetração
> > expressiva no mercado**: as organizações públicas e privadas preferem
> > pagar por uma solução confiável a ter que conviver com problemas de
> > incompatibilidade que, por mais pontuais que sejam, acarretam pesadas
> > perdas de produtividade. Vide gráfico acima, disponível em
> > www.fgvsp.br/cia/pesquisa, consultada em 28/08/2007."
> >
> > - Engraçado. A referida pesquisa da FGV refere-se apenas a empresas de
> > capital PRIVADO. Sendo a RFB um órgão do Ministério da Fazenda de
> > natureza puramente "governamental" (ou assim deveria ser), não seria uma
> > comparação mais "justa" citar uma pesquisa que contemplasse a adoção de
> > OO.o/BrO.o em órgãos de governo? Os já citados Serpro, CEF, BB, etc não
> > apresentam desafios mais similares ao da RFB do q, digamos, uma locadora
> > de veículos (por explo, não vi a lista de empresas)?
> >
> > - Além disso, no PDF disponível no url da FGV citado pela RFB *não*
> > aparece o gráfico colocado na resposta. Há um relativo apenas a
> > planilhas, com proporções similares ao colocado no documento da RFB.
> > Porém, o q eles deixaram de fora é q logo depois há outro gráfico com a
> > evolução da participação de mercado ao longo do tempo. Ainda q o Excel
> > domine 92% do mercado, o gráfico temporal mostra o *CRESCIMENTO* do
> > OO.o/BrO.o. E a tendência indicada para os próximos anos é justamente de
> > continuidade deste crescimento. Conforme o esperado, realmente não
> > saíram por aí "queimando" suas cópias de MS Office, mas isso não indica
> > q o produto é o "fim da história" no mercado de "Office suites". BTW,
> > pra quem tiver interesse, a pesquisa indica crescimento similar qto ao
> > Linux (ok, gnu/linux).
> >
> > (3) "O já mencionado relatório em anexo, baseado em publicações
> > independentes como o Gartner Group e a Forrest Research - e não em
> > publicações vinculadas a qualquer dos lados - é conclusivo no sentido de
> > que, pelo menos neste estágio das chamadas 'tecnologias abertas', não é
> > possível substituir o pacote de produtividade Microsoft por supostos
> > similares gratuitos, sob pena de danos irreparáveis ao erário, visto que
> > diversas aplicações simplesmente não poderiam ser executadas com o uso
> > de pacotes abertos como o BrOffice. Em outras palavras, pelo menos no
> > caso da Receita Federal e no atual estágio da tecnologia, não se está
> > falando de pacotes equivalentes de fato, dada a incompatibilidade do
> > OpenOffice / BrOffice com relação a algumas aplicações críticas."
> >
> > - O tal relatório "em anexo" é de 2005. Em "internet time" 2 anos
> > equivalem a quase 2 décadas em termos de evolução. O Gartner (q já
> > deixou de se chamar "Group" há algum tempo) ainda estava descobrindo o
> > software "open source" em 2005. E, curiosamente, apresentava relatórios
> > positivos com relação a FLOSS *no governo*. E, mais especificamente,
> > nenhum relatório do Gartner sobre open source e OO.o diz q vc *não* deve
> > migrar. Em todos eles chama-se a atenção de q se trata de uma situação
> > caso a caso e q um estudo sério de custo/benefício precisa ser
> > realizado, pois - como todos sabemos - não há compatibilidade completa,
> > tampouco as funcionalidades se equivalem 1 a 1. O q a RFB está dizendo é
> > q eles teriam perda de produtividade de 40 MILHÕES DE REAIS se migrassem
> > para OO.o. Será q eles *realmente* fizeram um estudo tão detalhado à luz
> > do q temos *hoje*?
> >
> > - Quais serão as tais "aplicações críticas"? Parece até FUD da MS: o
> > Linux infrige minhas patentes, mas eu não digo quais são. No caso da
> > RFB: o OpenOffice.org não roda minhas aplicações críticas, mas eu não
> > vou dizer quais são! ;-)
> >
> > (4) "Conquanto a questão de compatibilidade entre o Office 2007 e suas
> > versões anteriores seja uma realidade, inclusive relatada por
> > instituições isentas como o Gartner Group, é ilustrativo o fato de que o
> > próprio Gartner Group mantenha sua recomendação para que usuários migrem
> > para a nova versão, notadamente aqueles que ainda utilizam o Office
> > 2000, como é o caso da Receita Federal. O Gartner Group, cuja
> > credibilidade e isenção são inquestionáveis, parece ser uma fonte mais
> > confiável do que informações coletadas em sites vinculados a software
> > livre, como os citados pela impetrante."
> >
> > - O q ele esquece de avisar, novamente, é q o relatório do Gartner q
> > recomenda q os usuários de Office 2000 migrem para 2007 diz isso baseado
> > no ciclo de vida das versões do MS Office. Quem não migrar agora, estará
> > perto do fim do suporte à versão 2000, o q justifica o período escolhido
> > para uma migração tranqüila. O relatório q eu imagino q ele usou não diz
> > respeito a usar um ou outro, diz respeito a qto tempo vc deve ficar com
> > cada versão do MS Office. TODOS OS RELATÓRIOS DO GARTNER SÃO
> > IDENTIFICADOS. Citar conclusões soltas sem dizer de onde foram tiradas
> > me parece mais ou menos como escrever uma dissertação de mestrado sem
> > citar as referências.
> >
> > - Qto à "insenção e credibilidade" do Gartner, cabe um parentêses:
> >
> >    Acabei de voltar de um evento deles em São Paulo, a "XII Conferência
> > sobre o Futuro da Tecnologia". Lá, participei de um almoço onde eles
> > explicavam o processo seletivo dos analistas. Basicamente, os
> > selecionados costumam ser profissionais com um certo tempo de estrada,
> > já com seus cabelos brancos abundantes (qdo ainda há cabelo).
> >
> >    Em q isso pese na confiabilidade dos analistas, por outro lado, EM
> > MINHA OPINIÃO, tende a gerar um certo "atraso" no reconhecimento de
> > coisas novas q ainda estão começando a surgir. Qdo o assunto "software
> > livre" e "open source" começou a esquentar na mídia mundial, lá por
> > 2002/2003, eles ainda estavam "tateando" no escuro.
> >
> >    Perguntas sobre o assunto em 2004 costumavam ser respondidas com algo
> > similar a "estamos nos inteirando sobre o assunto" (e eu ouvi isso
> > justamente na versão 2004 da conferência q eu fui este ano). Inclusive,
> > um dos motivos pelos quais eu acho a empresa confiável está justamente
> > nessa de admitir qdo um assunto ainda é emergente e eles ainda não têm
> > dados suficientes para oferecer previsões ou tendências.
> >
> >    Em 2005 começaram a surgir os primeiros relatórios mais
> > "consistentes" sobre o assunto. Curiosamente, quem escrevia boa parte
> > deles na época era um jovem analista (pelo menos parece ser jovem)
> > *brasileiro*. Inclusive, a visão dele sobre o assunto parecia ser
> > bastante favorável ao lado "open source", em q pese a visão conservadora
> > dos clientes do Gartner. Hoje esse analista está escrevendo sobre outros
> > lances mais "modernos", como mundos virtuais, colaboração, etc.
> > Novamente, parece q o Gartner levou uns 2 anos para entender os "memes"
> > da Web 2.0 (pelo menos tive essa impressão no evento deste ano).
> >
> >    Enfim, sem questionar a "confiabilidade" do Gartner, acredito q há
> > algumas situações onde eles ainda estão tentando entender o q o mercado
> > está fazendo a respeito de um tópico. A linha de pesquisa "open source"
> > é relativamente recente na empresa e na época do relatório da RFB (2005)
> > eles ainda estavam no início dos trabalhos sobre o tema (pelo menos com
> > a importância q ele tem hoje na base de dados deles).
> >
> >    Um outro fenômeno interessante está também na "audição seletiva" dos
> > clientes: neste evento, na keynote de abertura, foi citado q o mercado
> > de software open source tende a crescer, PORÉM o de software
> > proprietário continuaria maior e a crescer tbém. Em suma, um modelo não
> > eliminaria o outro, e o mercado de FLOSS, ainda q menor, movimentaria
> > algumas dezenas de BILHÕES de dólares. O analista q apresentou isso (um
> > "das antigas") destacou bastante q o FLOSS não tomaria o lugar do
> > SProprietário, e q o Gartner acreditava q havia um lugar para cada modelo.
> >
> >    Olhei para a platéia e vi aquele monte de cabeças balançando em
> > uníssono um "SIM" silencioso. Quase aliviadas pelo q estavam ouvindo.
> > Pra mim, foi um dado positivo para o FLOSS e uma indicação de uma baita
> > oportunidade para empreendedores nesse mercado. O próprio Gartner tinha
> > um relatório q dizia claramente q vc tinha de ter uma estratégia a
> > respeito de FLOSS, uma vez q era praticamente *inevitável* q ele viesse
> > a fazer parte do seu portfólio tecnológico.
> >
> >    Para os q estavam balançando a cabeça era um indicador de q adotar
> > SProprietário era uma boa e q "esse negócio de software livre" não iria
> > mais importar. Sei disso pq ouvi as conversas e alguns conhecidos q
> > tinham passado por certas "pressões" p/ adoção de FLOSS vieram tirar uma
> > onda comigo: "vc viu o q o cara disse? Esse povo do software livre q
> > ficava tentando enfiar isso na marra no <instituição governamental de
> > determinado poder da república> não tá com nada!" (ou algo bem próximo a
> > isso).
> >
> >    BTW, Serpro, BB e CEF são *grandes* clientes do Gartner. Será q eles
> > não tiveram acesso aos mesmos relatórios q a Receita e decidiram ir
> > adiante em seus processos de migração/adoção de OO.o/BrO.o? Ou eles
> > ignoraram as recomendações e se "aventuraram", como disse a COTEC? ;-)
> >
> >    Assim, o mesmo relatório do Gartner pode ser usado tanto para apoiar
> > uma decisão qto para negá-la. E uma vez q a quem questiona a Receita só
> > chega uma conclusão, sem sequer a citação dos documentos q a embasam,
> > fica complicado saber como a informação foi usada. Às vezes acho q a
> > Associação Software Livre devia assinar um dos serviços do Gartner para
> > ter acesso às mesmas bases de dados e poder questionar mais abertamente
> > essas afirmações. Vale lembrar q até o TCU hj em dia usa o Gartner como
> > referência.
> >
> >
> > Bom, o reply acabou ficando longo (e já devo estar escrevendo há algumas
> > horas). Acredito q dificilmente alguém conseguirá questionar a Receita a
> > respeito desta licitação. A instituição, como pode ser observado no
> > documento encaminhado pelo Ufa, tem uma certa "arrogância", certamente
> > nascida do fato de q são seus recordes sucessivos de arrecadação q
> > sustentam os governos q entram e saem do Planalto. Sem falar na ameaça
> > velada de uma auditoria, pesadelo de certos figurões de "rabo preso" e
> > uma pertubação sem fim mesmo para quem não deve nada a ninguém. No mais,
> > esperam-se respostas como essa: citações vagas a números apresentados
> > parcialmente; afirmações eloquentes sobre a importância de manter a
> > arrecadação alta; recomendações relativas de consultorias apresentadas
> > como a verdade final sobre as coisas.
> >
> > [ ]s,
> >
> > olival.junior
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