Ação afirmativa – uma política necessária
Cota de 30% para mulheres no CGIbr


A nosso sociedade é estruturada na dicotomia entre o público e o
privado, que destina às mulheres o papel da reprodução, do trabalho do
cuidado, aprofundando a divisão sexual do trabalho, que atribui papeis
secundários as mulheres nos espaços de decisão, colocando-as sempre em
situação de desigualdade dos homens. Esse modelo de definir papeis de
homens e papeis de mulheres, impõem as mulheres um mundo visto como
privado e para o homem, o mundo do poder, das decisões, o mundo
público. Mas se olharmos na verdade esses mundos não são tão
diferentes assim. Porém, essa separação permite colocar as mulheres
para realizarem trabalhos precários, invisíveis e gratuito. Buscar
romper com essa forma de organização da sociedade é um desafio central
para construímos formas mais justa, solidárias e igual.

O mundo tem se transformado de forma muito dinâmica e  isso não tem
significado mudanças positivas para a vida das mulheres. Apesar de
todos os avanços que o movimento feminista tem alcançado, o
capitalismo busca a todo tempo se apropriar das bandeiras de luta
conquistada por esse movimento. Isso nos leva a reafirmar que as
transformações de valores, de questões concretas das nossas vidas, se
faz necessários em todas as frentes de lutas e espaços da sociedade. –
Para Tatau Godinho a igualdade efetiva entre mulheres e homens está
relacionada à igualdade nos mais diversos âmbitos das relações
sociais. Não se trata de uma igualdade formal, mas de conseguir que
essa igualdade signifique não apenas o acesso, mas condições efetivas
de participação política.

Esse mundo digital ou era das tecnologias da informação e comunicação
- TIC's, por dispor de muito poder onde informação e conhecimento é
poder, também é reflexo direto dessa forma de organizar a sociedade,
portanto consideradas como lugar natural dos homens. No entanto, cada
vez mais, as mulheres tem se apropriado desse instrumento, ocupando
espaços importantes, criando novas ferramentas, se organizando nos
espaços de articulação, como faz o Projeto Software Livre Mulheres no
Fórum Internacional de Software Livre.
Neste sentido, a informática tem sido poderosa na reprodução de
conhecimento, de circulação de informação, e por isso, pode ser uma
ferramenta fundamental para  transformação dessa sociedade de mercado.

Uma das maneiras que esse espaço de poder pode contribuir diretamente
com fim das desigualdades entre homens e mulheres é garantir no Comitê
Gestor da Internet uma política de ação afirmativa, visto que
atualmente toda a sua composição é masculino. Essa política representa
o reconhecimento da necessidade, para além do discurso da
desigualdade, da participação política das mulheres em todos os
espaços, principalmente quando se refere a instrumento que regulariza
o mundo da internet. Assim, a política de ação afirmativa combate a
imensa desigualdade social entre homens e mulheres com medidas
concretas para reverter a lógica de exclusão das mulheres do espaço
público.

O comitê Gestor da Internet tem a obrigação de se olhar como espaço
estratégico para uma ação de rompimento com essa sociedade  que
mercantiliza  o corpo e a vidas das mulheres, transforma tudo em
mercadoria, a vida, o sentimentos, as pessoas. “Uma política de ação
afirmativa nega que se possa construir qualquer projeto de
transformação social igualitário, qualquer projeto socialista, sem a
auto-organização das mulheres e sem sua presença efetiva nos espaços
de poder e decisão. Esta é uma condição imprescindível para garantir
que a luta contra a discriminação de gênero esteja presente com a
radicalidade necessária em qualquer projeto de revolução
social.”(Godinho – 1998).

Na busca de que o CGIbr seja também de fato um instrumento responsável
com mudanças concretas na sociedade, rompendo com todas as formas de
opressão, propomos que na sua composição seja adotada as cotas de 30%
para mulheres, garantindo assim, não só participação políticas das
mesmas nos espaços de poder, mas também permitindo que esse
instrumento construa a partir do olhar das mulheres, formas através da
internet a efetivação de um mundo igual entre mulheres e homens. Além
disso, é necessário conceber processos de debate e formação, que
fortaleçam cada vez mais a participação das mulheres nesses espaços,
bem como propor medidas que coíbam o machismo virtual, a homofobia, o
racismo e a pornografia infantil.

Assinam essa proposta:

1 - Centro Feminista 8 de Março - http://www.cf8.org.br/

2 - Centro das Mulheres do Cabo - http://www.mulheresdocabo.org.br/index.html

3 - Maria do Amparo Araújo - Movimento Tortura Nunca Mais - PE - http://atos.torturanuncamais.org.br/institucional/mtnm_tes/tes.htm

4 - Everton dos Santos Rodrigues - Candidato a Conselheiro do 3 setor
no Comitê Gestor da Internet do Brasil - Cgibr


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