Olá Omar,

Primeiro gostaria de fazer uma colocação. Estive em uma palestra do presidente 
da Science Commons no final do ano passado e uma frase dele, para mim, valeu 
por toda palestra: "- o Creative Commons não deve ser usado para software". 
Isso, para mim, quer dizer que o software tem características tão únicas que 
ele não pode ser comparado a um livro ou a uma musica, por exemplo. Ou seja, 
software não se assemelha nem a música e nem a livros. Software é software e, 
creio eu, vai ter que ter tratamento  de direitos de propriedade diferenciado 
de livros ou músicas, por menos que nós queiramos.

Se nem um grupo de colaboradores com boa vontade conseguiu definir isso bem, ou 
seja, definiu pela exclusão do software de licenciamentos Creative Commons, 
devemos ao menos refletir sobre o assunto.

Existe, sim, algo que é comum ao software, as livros e às músicas, após 
digitalizados, que nada tem a ver com software, livros ou músicas, mas que tem 
a ver com Direito e Economia: custos de transação.

Os três podem ser baixados da mesma maneira, via Internet; mas é justamente 
isso que provoca a confusão nos licenciamentos. O que há de semelhante é, após 
digitalizados, os custos de transação de todos eles ficam tão baixos que o 
controle dos direitos de propriedade sobre eles se torna praticamente 
impossível.

Para uma melhor explicação do caso do software livre, convido você, Omar, e 
todos os outros colegas de lista (de quem espero críticas e sugestões para 
aprimorar o conceito, em especial, dos causídicos;-)) a lerem o artigo de minha 
autoria  intitulado "Nem privado, nem público: o software livre e o emergir da 
propriedade comum". Este artigo pode ser baixado de 
http://libertas.pbh.gov.br/?q=node/69

Fortes abraços,

Marcus Vinicius.

> Marcus Vinícius,
>
> E o caso do software (que inclusive fica menos OT), se assemelha mais à
> música ou ao livro? Observo que tanto o software, como o e-book, como as
> músicas podem ser disponibilizadas em P2P sem a autorização do
> autor/detentor dos direitos. E como separar o joio do trigo? Só se existisse
> algo como "DRM do bem"...
>
> []s
>
>
> ----- Original Message -----
> From: "mvbsoares" <[EMAIL PROTECTED]>
> To: "psl-brasil" <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
> Cc: "psl-brasil" <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
> Sent: Monday, February 25, 2008 12:25 PM
> Subject: Re:[PSL-Brasil] [OT?] Fw: Distribuição do livro "O Segredo" em
> blogs, e-groups...
>
>
> Olá pessoal,
>
> Na minha modesta opinião, quando se usa o P2P, apenas retira-se
> intermediário, que é o editor, e coloca-se outro intermediário, que é o
> supostamente bem-intencionado replicador gratuito.
>
> No segundo caso, cópias chegam aos usuários sem a autorização dos autores e,
> pior, sem a justa contra-prestação pelo esforço de, no caso abaixo, escrever
> o livro (até onde eu sei, o livro abaixo não é licenciado sob GPL, LPGL, BSD
> ou qualquer outra licença, ou seja, a cópia é ilegal, não ?) Ou seja, no P2P
> está havendo apropriação indébita do conteúdo sem o tão propalado
> intermediário que 'ganha para copiar', pois o copiador nada ganha para
> copiar, não ?
>
> Diante disto, minha pergunta é: suponhamos que todos os livros sejam 
> Creative Commons, com preservação de autoria, com livre cópia sem alteração
> e sem fins comerciais. Como os autores vão sobreviver se, diferentemente de
> uma banda de rock, o trabalho deles é **justamente** escrever, ou seja, não
> há como o autor fazer uma apresentação ?
>
> Aguardo retorno.
>
> Fortes abraços,
>
> Marcus Vinicius.
>
>
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