2008/3/7 Pablo Sánchez <[EMAIL PROTECTED]>:
> Roberto,
>
>  http://www.cfa.org.br/download/reglei476965.pdf
>
>  Legislação sobre a regulamentação da profissão de Administrador, de
>  1965.

Ok, o cara não pode usar o crachá de administrador, nem ter "Admintrador"
na descrição do cargo que ocupa, nem ter carteira assinada de administrador,
nem nada que diga para o Ministrério do trabalho que o cargo é de administrador.

No entanto, se o empregador decidir que a função não necessita de um bacharel
em administração, é só tirar o "adminstrador" do nome da função, colocando
"gerente", "supervisor", "diretor", "acessor" ou "mantenedor", ou o
que quer que seja.

Dessa forma, esse povo todo não se mistura com os bachareis, e as pessoas
podem esperar um bacharel quando lêem "administrador" no crachá de alguém.

É assim com o médico, com o advogado, com o enfermeiro, com o enxugador de gelo,
limpador de carvão, etc (todas profissões regulamentadas). Para se
apresentar como tal,
precisar ser credenciado como tal.

Algumas profissões, quando regulamentadas, recebem o monopólio sobre a
responsabilidade
técnica de algum produto. Por exemplo, rémédios, condomínios e etc.
Minha noiva é enfermeira
e tem um tal de "ato médico" que tá vindo aí e tá instalando o pânico
na área da saúde. Minha
irmã é médica e também é contra o ato médico, dizendo ela que é coisa
de médicos que não
se garantem.

Tipo, não é porque profissão tal e profissão tal tem coisas exclusivas
que a nossa também deva
ter. Só de picuinha não, tem que ser por necessidade.

Por exemplo, apesar de a profissão de Administrador ser regulamentada,
não existe em nenhum
lugar regulamento que proíba qualquer um de usar um gráfico de gant,
ou de aplicar o diagrama de
pareto, ou o ciclo PDCA, 5W e não sei quantos H's. Ou seja, de aplicar
ferramentas para a otimisação
do raciocínio e do conhecimento humano.

Agora, olha só a sacanagem desse regulamento que você está sendo a favor:

"Parágrafo único. É privativa do Analista de Sistemas a
responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de
dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos,
relatórios ou pareceres técnicos."

Isso não me parece certo. Me parece correto que somente um cirurgião
possa se responsabilizar por uma cirurgia,
ou que um farmaceutico seja responsável por um remédio, que um
engenheiro por uma ponte.

Mas na minha cabeça não entra que somente um cara formado em SI, ou
tecnicuzinho de 1 ano, ou alguns que
eu já vi por aí, sejam responsável por um sitema de "projetos e
sistemas para processamento de dados,
informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou
pareceres técnicos".

Isso não acrescenta em nada, não tem nenhum fundamento, não é
canônica, não é baseada
em bom senso tem em nada que faça algum sentido no mundo real.

Se fosse só uma questão de ninguém sair dizendo por aí que é um
Analista de Sistema se não
tiver diploma, tudo bem. Mas daí que só um Analista de Sistemas possa
realizar essas atividades
profissionamente, é simplesmente desnecessário. Tipo, "mercado, você
precisa dessa regulamentação"
"hehehe. Não, obrigado" responde o mercado.

A contribuição do Ricardo quando falou da "Ciência da Computação" me
lembrou do que eu realmente
penso à respeito desses cursos todos. Para mim, esses cursos são
apenas uma maneira do
cara que quer estudar apenas as ferramentas sem ter o trabalho de
estudar a aplicação, para fazer
parte de equipes multi-disciplinares, sem ter que ter o trabalho de
fazer outro curso para ter
curso superior.

Então ele aprende um pouquinho de inglês técnico, metodologia
científica, redação, cálculo - para poder
ser bacharel, a parte útil do curso. Então aprende umas coisas "legais
que estavam bombando na década
de 70", e outras que "estão bombando no mercado desde a semana
passada", tipo java, uml, programação
 orientada à qualquer coisa que faça você dizer "nossa, isso eu só
aprenderia na universidade, sobre ombros de gigantes!".

Então o cara se forma de descobre que se ele não sabe o domínio da
aplicação que ele vai fazer,
ele é um zero a esquerda. Então ele aprende contabilidade, marketing,
direito, seja lá o que for,
para poder resolver problemas de cada área. E quando ele terminou de
aprender ele descobre
que ele pensa que sabia C, ele ainda tem que aprender 1000 bibliotecas
que nunca viu na vida,
achava que sabia Delphi e depois descobre que clicando não se vai a
lugar nenhum, só pro olho
da rua, com os outros. Achava que sabia C++ e vê um template <class
SomeType> e fica achando
que acabaram de inventar isso.

Então ele se curva numa bola e chora. Ele olha em volta e descobre que
todo mundo que escreveu
algum programa legal é tudo menos formado no que ele se formou. Então
ele passa achar que esse
pessoal é ladrão de emprego, que ele é que deveria estar lá, que se o
pai dele fosse homem ele
tinha duas mães. Tudo menos que ele tem a ferramenta mão não tem a
idéia do que fazer com
ela, e por isso não sabe nem se é a ferramenta certa, e por isso o
mundo continua sem notar
que ele se formou em alguma coisa.

Quem sabe o que fazer mas não sabe a ferramenta evolui muito mais
rápido em conhecer a
ferramenta do que quem foi treinado em todas as ferramentas, a maioria
ferramenta de brinquedo,
mas não tem a menor idéia do que vai construir.
Quem sabe o que quer construir constrói coisas boas e de qualidade, a
medida que vai se
aperfeiçoando nas ferramentas. Quem não sabe o que fazer não tem com o
que praticar.

Nessa nossa profissão somos facilmente vistos como gênios pelas
pessoas, porque nós
sabemos perceber o humor das máquinas, que para elas são coisas
opacas. Mas eu sempre
guardei profunda admiração por todas as pessoas com quem eu trabalhei.
Elas sim sabem
coisas de verdade. Elas sim tem profissão de verdade. Eu apenas
contruo coisas para
elas. Elas é que me dizem o que fazer. Elas mandam, eu obedeço.

Então quando elas apertam um enter e vem tudo aquilo que elas levam
horas para fazer
sendo feito em poucos segundos, elas pensam "nossa, você é um gênio,
isso vai melhorar
muito a minha vida!". Eu sorrio e digo "mas foi você que me disse o
que fazer, se alguém
aqui merece esse elogio, é você. Eu quero só o dinheiro =D".

Quem trabalha exclusivamente na área sabe que nós somos pagos para fazer o que
elas tem medo de aprender. Não é tão difícil assim. Nós estudamos demais porque
na verdade não sabemos o que fazer, mas nós não precisamos de nada disso.
Estudamos demais porque lemos revistas demais e não sabemos o que queremos.

Temos medo de aprender as coisas que parecem mais difíceis, e ficamos
com rodeios,
estudamos as aplicações mais bonitinas primeiro, que não valem nada, e depois
vamos ler o código dos outros, que é a coisa mais fácil do mundo. Só depois é
que temos um trabalho real a fazer é que nos consentramos no que queremos
e lemos a documentação, fazemos como deve ser feito.

Não finja que não é assim. Não finja que qualquer um pode programar, e
muito bem,
se quiser. Nossa área é uma questão de automação. Se excluirmos as pessoas
"normais" de programar estamos sendo hipócritas e desonestos. Programar é
maravilhoso, é fácil, é interessante. É incrivel que me paguem pra isso.

Então vamos parar de fingir que pessoas "normais" vão queimar bebês com código
que elas mesmas escreveram, porque não não. Nós sofremos porque nos fascinamos
demais por esse mundo computacional, e achamos que era a única coisa
que deveríamos
saber. Não vamos ser idiotas de impedir os outros que não tem esse
diploma imprestável
que temos de charfurdar como porcos felizes num código bem escrito, como se
na universidade tivéssemos alguma técnica melhor que essa, porque não temos.

-
Opções desconhecidas do gcc:
  gcc --bend-finger=padre_quevedo
O que faz:
  dobra o dedo do Padre Quevedo durante a execução do código compilado.

Não uso termos em latim, mas poderia:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Latin_phrases_(full)

A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.


           "Que os fontes estejam com você..."

Glauber Machado Rodrigues
PSL-MA

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