Olá

Estou acompanhando esta discussão, e frequentemente vejo comentários que
considero em parte pejorativos sobre as pessoas que estudaram computação
(nem vou entrar no mérito de discutir curso a curso como alguns colegas da
lista o estão fazendo) como se apenas os que são auto-didatas possuissem
capacidade.

Gente, não vamos generalizar. O que começou com uma discussão sobre a
regulamentação está se tornando uma caça as bruxas aos profissionais
que fizeram uma graduação, suada ou não, uma pós...
Desde quando é correto afirmar que todo mundo que sai da faculdade não
sabe nada?
Acho leviandade afirmar isso, uma vez que não conhecemos TODAS as pessoas
que saem da universidade, bem como não conhecemos TODAS as faculdades,
TODOS os professores e etc.

Atuo na área desde 1986. Eu tinha 15 anos. Posso dizer que comecei num
mundo onde não existiam janelas... programei de tudo um pouco, me diverti
até com o COBOL. 
Fiz duas graduações em computação, fiz pós-graduação em redes e
sistemas distribuídos, sou mestra em computação e tecnologia. Tenho
recomendação para doutorado.
Atuo hoje como gerente de projetos, analista sênior. Tenho diversos
clientes (freelancer) onde mantenho redes, laboratórios etc... dou aulas
em graduação e pós-graduação.
Mesmo assim, não acredito que eu saiba tudo. Notem, eu fui autodidata,
comecei aprendendo sozinha, em muitas disciplinas dos cursos que me
matriculei, em algumas eu acompanhava as aulas "pro-forma" pois já sabia
de tudo (sim, a prática é uma excelente professora) mas sempre se pega um
conceito ou outro que pode servir para depois.
Comecei numa época onde existima pouquíssimos cursos de computação, com
pouquíssimas mulheres (aliás a realidade não mudou muito desde então),
com pouco R$ (micros hoje são muitooo mais acessíveis do que nos anos
80/90).
E, podem ter certeza, que sei tanto ou mais que uma boa parte da lista, e
deixo de saber tanto ou mais que outra parte desta lista.

Não são os cursos que vão nos tornar excelentes no que fazemos, bem como
não é apenas a prática que vai nos deixar melhor que os outros. Sempre
vai existir uma pessoa que saiba mais do que eu e uma que saiba menos,
independente de onde ela tirou esse conhecimento.

Regulamentação da profissão? Não sou nem contra e nem a favor. Não
acredito que com a regulamentação as pessoas que não tem estudo vão
ficar de fora do mercado, e nem que as que já estão serão prejudicadas.
Não confundir SL com a regulamentação, pq ela não é feita apenas para
o pessoal do SL. Ela é feita para a população completa de pessoas que
atuam na área.

Se é boa ou não? Só o tempo dirá. Agora, se eu não tive
capacidade/vontade/dinheiro/tempo para ter estudo, não é justo que eu
julgue os que conseguiram por isso. O contrário tb vale.

Liberdade é respeitar a individualidade dos indidívuos, e aceitar as
pessoas como elas são. Pré-julgamentos nunca foram uma realidade das
comunidades livres, mas me parece que agora resolvemos julgar quem serve e
quem não serve para programação aqui na lista, ao invés de abrir uma
discussão com tópicos mais formais que, até mesmo pudesse ser levada
como argumento contra a regulamentação.

É mais proveitoso abrir espaço para elencar pontos onde de fato a
regulamentação é boa ou não, do que discutir se quem se formou nisso ou
aquilo tem capacidade, ou que quem não se formou em nada tenha mais
capacidade ainda.

Em tempo, aos que não tem formação e possuem "empregaços"... aqui onde
trabalho tb tem uma super chefe que não tem formação nenhuma, e está
acima de quem tem anos de estrada. Mas ela soube a "cadeira certa para
sentar". Então, nem sempre a afirmação de que "eu não tenho formação
e olhem onde estou" é verídica em se tratando de capacidade e
conhecimento. Cada caso é um caso. 

Vamos apontar tópicos a favor e contra a regulamentação ao invés de
discutir o "sexo dos anjos" ?

[],s
Patrícia






On Sun, 9 Mar 2008 18:42:22 -0300, "Glauber Machado Rodrigues (Ananda)"
<[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> 2008/3/7 Pablo Sánchez <[EMAIL PROTECTED]>:
>> Roberto,
>>
>>  http://www.cfa.org.br/download/reglei476965.pdf
>>
>>  Legislação sobre a regulamentação da profissão de Administrador,
> de
>>  1965.
> 
> Ok, o cara não pode usar o crachá de administrador, nem ter
> "Admintrador"
> na descrição do cargo que ocupa, nem ter carteira assinada de
> administrador,
> nem nada que diga para o Ministrério do trabalho que o cargo é de
> administrador.
> 
> No entanto, se o empregador decidir que a função não necessita de um
> bacharel
> em administração, é só tirar o "adminstrador" do nome da função,
> colocando
> "gerente", "supervisor", "diretor", "acessor" ou "mantenedor", ou o
> que quer que seja.
> 
> Dessa forma, esse povo todo não se mistura com os bachareis, e as
pessoas
> podem esperar um bacharel quando lêem "administrador" no crachá de
> alguém.
> 
> É assim com o médico, com o advogado, com o enfermeiro, com o enxugador
> de gelo,
> limpador de carvão, etc (todas profissões regulamentadas). Para se
> apresentar como tal,
> precisar ser credenciado como tal.
> 
> Algumas profissões, quando regulamentadas, recebem o monopólio sobre a
> responsabilidade
> técnica de algum produto. Por exemplo, rémédios, condomínios e etc.
> Minha noiva é enfermeira
> e tem um tal de "ato médico" que tá vindo aí e tá instalando o
pânico
> na área da saúde. Minha
> irmã é médica e também é contra o ato médico, dizendo ela que é
> coisa
> de médicos que não
> se garantem.
> 
> Tipo, não é porque profissão tal e profissão tal tem coisas
exclusivas
> que a nossa também deva
> ter. Só de picuinha não, tem que ser por necessidade.
> 
> Por exemplo, apesar de a profissão de Administrador ser regulamentada,
> não existe em nenhum
> lugar regulamento que proíba qualquer um de usar um gráfico de gant,
> ou de aplicar o diagrama de
> pareto, ou o ciclo PDCA, 5W e não sei quantos H's. Ou seja, de aplicar
> ferramentas para a otimisação
> do raciocínio e do conhecimento humano.
> 
> Agora, olha só a sacanagem desse regulamento que você está sendo a
> favor:
> 
> "Parágrafo único. É privativa do Analista de Sistemas a
> responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de
> dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos,
> relatórios ou pareceres técnicos."
> 
> Isso não me parece certo. Me parece correto que somente um cirurgião
> possa se responsabilizar por uma cirurgia,
> ou que um farmaceutico seja responsável por um remédio, que um
> engenheiro por uma ponte.
> 
> Mas na minha cabeça não entra que somente um cara formado em SI, ou
> tecnicuzinho de 1 ano, ou alguns que
> eu já vi por aí, sejam responsável por um sitema de "projetos e
> sistemas para processamento de dados,
> informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios
> ou
> pareceres técnicos".
> 
> Isso não acrescenta em nada, não tem nenhum fundamento, não é
> canônica, não é baseada
> em bom senso tem em nada que faça algum sentido no mundo real.
> 
> Se fosse só uma questão de ninguém sair dizendo por aí que é um
> Analista de Sistema se não
> tiver diploma, tudo bem. Mas daí que só um Analista de Sistemas possa
> realizar essas atividades
> profissionamente, é simplesmente desnecessário. Tipo, "mercado, você
> precisa dessa regulamentação"
> "hehehe. Não, obrigado" responde o mercado.
> 
> A contribuição do Ricardo quando falou da "Ciência da Computação" me
> lembrou do que eu realmente
> penso à respeito desses cursos todos. Para mim, esses cursos são
> apenas uma maneira do
> cara que quer estudar apenas as ferramentas sem ter o trabalho de
> estudar a aplicação, para fazer
> parte de equipes multi-disciplinares, sem ter que ter o trabalho de
> fazer outro curso para ter
> curso superior.
> 
> Então ele aprende um pouquinho de inglês técnico, metodologia
> científica, redação, cálculo - para poder
> ser bacharel, a parte útil do curso. Então aprende umas coisas "legais
> que estavam bombando na década
> de 70", e outras que "estão bombando no mercado desde a semana
> passada", tipo java, uml, programação
>  orientada à qualquer coisa que faça você dizer "nossa, isso eu só
> aprenderia na universidade, sobre ombros de gigantes!".
> 
> Então o cara se forma de descobre que se ele não sabe o domínio da
> aplicação que ele vai fazer,
> ele é um zero a esquerda. Então ele aprende contabilidade, marketing,
> direito, seja lá o que for,
> para poder resolver problemas de cada área. E quando ele terminou de
> aprender ele descobre
> que ele pensa que sabia C, ele ainda tem que aprender 1000 bibliotecas
> que nunca viu na vida,
> achava que sabia Delphi e depois descobre que clicando não se vai a
> lugar nenhum, só pro olho
> da rua, com os outros. Achava que sabia C++ e vê um template <class
> SomeType> e fica achando
> que acabaram de inventar isso.
> 
> Então ele se curva numa bola e chora. Ele olha em volta e descobre que
> todo mundo que escreveu
> algum programa legal é tudo menos formado no que ele se formou. Então
> ele passa achar que esse
> pessoal é ladrão de emprego, que ele é que deveria estar lá, que se o
> pai dele fosse homem ele
> tinha duas mães. Tudo menos que ele tem a ferramenta mão não tem a
> idéia do que fazer com
> ela, e por isso não sabe nem se é a ferramenta certa, e por isso o
> mundo continua sem notar
> que ele se formou em alguma coisa.
> 
> Quem sabe o que fazer mas não sabe a ferramenta evolui muito mais
> rápido em conhecer a
> ferramenta do que quem foi treinado em todas as ferramentas, a maioria
> ferramenta de brinquedo,
> mas não tem a menor idéia do que vai construir.
> Quem sabe o que quer construir constrói coisas boas e de qualidade, a
> medida que vai se
> aperfeiçoando nas ferramentas. Quem não sabe o que fazer não tem com o
> que praticar.
> 
> Nessa nossa profissão somos facilmente vistos como gênios pelas
> pessoas, porque nós
> sabemos perceber o humor das máquinas, que para elas são coisas
> opacas. Mas eu sempre
> guardei profunda admiração por todas as pessoas com quem eu trabalhei.
> Elas sim sabem
> coisas de verdade. Elas sim tem profissão de verdade. Eu apenas
> contruo coisas para
> elas. Elas é que me dizem o que fazer. Elas mandam, eu obedeço.
> 
> Então quando elas apertam um enter e vem tudo aquilo que elas levam
> horas para fazer
> sendo feito em poucos segundos, elas pensam "nossa, você é um gênio,
> isso vai melhorar
> muito a minha vida!". Eu sorrio e digo "mas foi você que me disse o
> que fazer, se alguém
> aqui merece esse elogio, é você. Eu quero só o dinheiro =D".
> 
> Quem trabalha exclusivamente na área sabe que nós somos pagos para
fazer
> o que
> elas tem medo de aprender. Não é tão difícil assim. Nós estudamos
> demais porque
> na verdade não sabemos o que fazer, mas nós não precisamos de nada
> disso.
> Estudamos demais porque lemos revistas demais e não sabemos o que
> queremos.
> 
> Temos medo de aprender as coisas que parecem mais difíceis, e ficamos
> com rodeios,
> estudamos as aplicações mais bonitinas primeiro, que não valem nada, e
> depois
> vamos ler o código dos outros, que é a coisa mais fácil do mundo. Só
> depois é
> que temos um trabalho real a fazer é que nos consentramos no que
queremos
> e lemos a documentação, fazemos como deve ser feito.
> 
> Não finja que não é assim. Não finja que qualquer um pode programar,
e
> muito bem,
> se quiser. Nossa área é uma questão de automação. Se excluirmos as
> pessoas
> "normais" de programar estamos sendo hipócritas e desonestos. Programar
> é
> maravilhoso, é fácil, é interessante. É incrivel que me paguem pra
> isso.
> 
> Então vamos parar de fingir que pessoas "normais" vão queimar bebês
com
> código
> que elas mesmas escreveram, porque não não. Nós sofremos porque nos
> fascinamos
> demais por esse mundo computacional, e achamos que era a única coisa
> que deveríamos
> saber. Não vamos ser idiotas de impedir os outros que não tem esse
> diploma imprestável
> que temos de charfurdar como porcos felizes num código bem escrito, como
> se
> na universidade tivéssemos alguma técnica melhor que essa, porque não
> temos.
> 
> -
> Opções desconhecidas do gcc:
>   gcc --bend-finger=padre_quevedo
> O que faz:
>   dobra o dedo do Padre Quevedo durante a execução do código
compilado.
> 
> Não uso termos em latim, mas poderia:
> http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Latin_phrases_(full)
> 
> A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.
> 
> 
>            "Que os fontes estejam com você..."
> 
> Glauber Machado Rodrigues
> PSL-MA
> 
> jabber: [EMAIL PROTECTED]
> _______________________________________________
> PSL-Brasil mailing list
> PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
> http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
> Regras da lista:
> http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil

_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista: 
http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil

Responder a