2008/3/7 Pablo Sánchez <[EMAIL PROTECTED]>:
> Em 07/03/08, Antonio Fonseca<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>   > Um exame para a Ordem dos Advogados dá para compreender, afinal a 
> atividade
>   > desses profissionais está bastante delineada e não é sujeita a mudanças
>   > constantes, não da magnitude das que ocorrem na área de TI.
>
>  Constantes não, mas brutais, talvez? Vejamos... 1988, Constituição
>   Federal (mudou coisa pra burro), Código Civil modificado a poucos 5-6
>   anos atrás... Enfim... Fora a cacetada de leis aprovadas todos os dias
>   nas mais diversas esferas. Me desculpa, mas para o Direito também muda
>   bastante e o tempo todo... para todas as áreas muda, na verdade. Muita
>   coisa da medicina de 10 anos atrás, já não vale mais, de 20 então, nem
>   se fala.

Sim. Porém, os médicos continuam atuando na mesma plataforma, o corpo
humano. Os advogados continuam atuando sob a mesma legislação, variando
-se algumas coisas de estado para estado e município para município.

Não é como se de repente o ginecologista fosse ver uma coisa nova do que
ele viu da outra vez, depois da ginecologia ter evoluído. Tipo ele olha para ela
e diz "Hoje sei mais coisas sobre você, vejo-a com outros olhos, você não
me parece mais a mesma". Mas sabemos que é a mesma.

Um advogado quando vai pedir conselho para outro advogado não precisa
dizer qual implementação da constituição que ele usa, nem perguntar se
ele tá usando service-pack, por que se não, deveria. Não existe "Ha, eu não
atualizei porque senão o meu embasamento da causa que defendi ano
passado não vão mais valer, e vou ter que implementar outra defesa, e eu
tô sem tempo de rever isso.". Um farmaceutico quando desenvolve uma formula,
não tem que se preocupar se o paciente implementa pílulas, ou apenas
injeção, ou apenas pomada e gel, ou os dois, e quais as versões.

> Agora, de 1969 para cá, mudou muito no Unix? Além do fato de
>   que existem diversas implementações, conceitualmente o Unix mesmo
>   mudou quase nada.

Isto é mais um sinal de que um dia, sabe-la quando, teremos uma estrutura
transparente para os profissionais da área trabalharem, baseadas em padroes
abertos e estáveis, genéricos o bastante para servirem de base para qualquer
sistema.

E o fato de existirem muitas implementações realmente importa para o
profissional
da área. Por exemplo, drivers de dispositivos são um grande campo para trabalho,
e eles são incompatíveis, inclusive entre as versões do kernel. Isso
vale no windows
também.

>
>   Linguagens de programação? Tirando o grande boom do OO (década de 80?
>   isso quer dizer 20 anos!), o que mudou? Toda a linguagem de
>   programação tem as mesmas estruturas, condicionais, operadores, etc,
>   então, na lógica mesmo, muito pouco se perde.

Quem vive de linguagem tá ferradinho da silva. Profissionais vivem de
API, e como
elas mudam.

>
>   Redes? Camada OSI? Quantos anos já não tem isso? TCP/IP? Novidade para
>   quem? XML? Po, tem anos já!!! HTML? Tá no 4 desde 1998!!! Isso dá 10
>   anos!!!

Seria maravilhoso se todos os periféricos comunicassem por sockets. Eu pensei
que era assim que uma operação de Hotsync do palm funcionava. Penei muito
para escrever o conduit para uma aplicação que eu fiz. Tive que fazer um para
linux e ainda to apanhando no para o windows. Moral da estória: nem só de
TCP/IP vive o desenvolvedor.

XML tem diferenças de implementações nos parsers. Para escrever o arquivo
no editor de texto, sim, é tudo igual. Mas a estrutura de dados e interface do
parser são diferentes entre as API. Seria bom se todos pudessem trabalhar
com as apis que desejam, mas não é assim. Quem programa jogos sabe que
cada engine resove adotar um parser. Não é como se fosse outro XML, mas
para cada api, mas tempo para se acostumar e mais código diferente um do
outro. Moral da estória: O formato é padrão, a forma de lidar com ele não.
Not so big deal, mas dá pra viver, melhor que nada.

HTML sozinho já não faz a vida de ninguém. Tem todas os outros cacarecos
por cima que diferem demais. Só quem gosta de HTML são os browsers, os
coders mesmos preferem usar suas próprias api's para gerar HTML e evitar
L.E.R. HTML é só o inicio do aprendizado, ele tem que usar um as libs de
geração de HTML, como a CGI do perl, ou um framework completo, como
o ruby ou zope. Sem falar nos scripts do lado do cliente, que é um balaio
de gato. Moral da estória: Formato padronizado, ferramentas para lidar com
o formato totalmente despadronizadas.

E qualquer outra coisa tem diferenças de implementação, versão, compatibili-
dade, dependências etc.

>
>   Enfim, de boa? Nossa área não é tããão dinâmica quanto queremos acreditar...

Mas é menos dinâmica do que o necessário para regulamentar. Quem sabe
um dia, mas hoje seria prematuro. Deixa a coisa se desenvolver direito até
um ponto que isso seja possível.

>
>
>
>   > Mesmo se estiversmos preocupados apenas com a empregabilidade, eu quero
>   > obter um emprego x, para isso é que existem os diplomas de cursos 
> técnicos,
>   > de graduação, as titulações obtidas com pós-graduações e até mesmo as
>   > carreiras e certificações de proficiência fornecidas por empresas e
>   > organizações especializadas em diversos ramos das TIC. Realmente é
>   > necessário ainda mais?
>
>
>  A lei prevê justamente a parte do Diploma para Analistas, e Cursos
>   Técnicos para programadores e técnicos... apenas reforça a
>   exigibilidade deles. E é bom até, porque cai um pouco essa super
>   valorização da certificação, onde um garoto de 12 anos acaba ganhando
>   o salário que um cara com PhD ganha, só porque o cara com PhD não tem
>   a certificação X.
>

E diz que só um deles pode ser responsável por um sistema de
informática e por emitir
relatórios, o que é sem fundamento e nocivo para o mercado.

>
>
>   > Quanto mais eu penso nisso, mais a proposta me parece estéril e recheada 
> de
>   > segundas intenções, nada honrosas.
>
>
>  Ela pode ter realmente seus vícios, e é contra eles que devemos
>   brigar, mas a proposta em si é válida e deve ser considerada com
>   respeito, até porque atinge todos nós, e bater o pé no chão apenas
>   dizendo que "meus X anos e meu emprego falam por si" não vai ajudar em
>   nada em tornar a lei madura, e é capaz de acabar é dando argumentos
>   para serem usados contra. Acho que aqui na lista, todo mundo tem
>   bastante experiência e emprego, o suficiente para levar a discussão às
>   autoridades que votarão a lei de forma completa. Então, o que vejo
>   mais como solução é criação de uma frente, formada por formados e não
>   formados com argumentos concretos que mostrem se a lei é válida ou
>   não. Eu sou a favor, então, vou ficar de olho apenas para a lei não se
>   desvirtuar, mas proponho que os que são contra montem um documento ou
>   desqualificando a lei, ou façam lobby junto ao Legislativo para que a
>   mesma não seja aprovada.

Aí sim. Dá pra regulamentar alguma coisa, mas quem liga? Agora acho
que só atrapalha. É mais uma possível fonte de problemas do que de
soluções. Então não vamos mexer nisso agora. Nem a grade curricular
dos cursos são as mesmas, baseado em quê vai se criar uma regula-
mentação levando esses cursos em conta?

>
>   Um abc
>
>
> _______________________________________________
>  PSL-Brasil mailing list
>  PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
>  http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
>  Regras da lista:
>  http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
>



-- 
Opções desconhecidas do gcc:
  gcc --bend-finger=padre_quevedo
O que faz:
  dobra o dedo do Padre Quevedo durante a execução do código compilado.

Não uso termos em latim, mas poderia:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Latin_phrases_(full)

A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.


           "Que os fontes estejam com você..."

Glauber Machado Rodrigues
PSL-MA

jabber: [EMAIL PROTECTED]
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