2008/3/10  <[EMAIL PROTECTED]>:
>  Estou acompanhando esta discussão, e frequentemente vejo comentários que
>  considero em parte pejorativos sobre as pessoas que estudaram computação
>  (nem vou entrar no mérito de discutir curso a curso como alguns colegas da
>  lista o estão fazendo) como se apenas os que são auto-didatas possuissem
>  capacidade.

Mas é esse o caso. Você pode ter o diploma, como eu tenho, mas se você
tem um emprego na área isso se deve muito mais a sua própia capacidade
de decidir o que você vai estudar e aprender sozinho do que ao fato de
ter cursado.

>
>  Gente, não vamos generalizar. O que começou com uma discussão sobre a
>  regulamentação está se tornando uma caça as bruxas aos profissionais
>  que fizeram uma graduação, suada ou não, uma pós...
>  Desde quando é correto afirmar que todo mundo que sai da faculdade não
>  sabe nada?

Eu perdi essa parte. Pelo menos na minha argumentação a intenção foi mostrar
que a pessoa que sai da universidade pronta para o mercado com certeza estudou
e praticou além do que é exigido no curso, e que é uma petulância afirmar que
ter feito o curso é determinante para a pessoa ser capaz de escrever sofware de
qualidade.

>  Acho leviandade afirmar isso, uma vez que não conhecemos TODAS as pessoas
>  que saem da universidade, bem como não conhecemos TODAS as faculdades,
>  TODOS os professores e etc.
>
>  Atuo na área desde 1986. Eu tinha 15 anos. Posso dizer que comecei num
>  mundo onde não existiam janelas... programei de tudo um pouco, me diverti
>  até com o COBOL.
>  Fiz duas graduações em computação, fiz pós-graduação em redes e
>  sistemas distribuídos, sou mestra em computação e tecnologia. Tenho
>  recomendação para doutorado.
>  Atuo hoje como gerente de projetos, analista sênior. Tenho diversos
>  clientes (freelancer) onde mantenho redes, laboratórios etc... dou aulas
>  em graduação e pós-graduação.
>  Mesmo assim, não acredito que eu saiba tudo. Notem, eu fui autodidata,
>  comecei aprendendo sozinha, em muitas disciplinas dos cursos que me
>  matriculei, em algumas eu acompanhava as aulas "pro-forma" pois já sabia
>  de tudo (sim, a prática é uma excelente professora) mas sempre se pega um
>  conceito ou outro que pode servir para depois.

E desde a falta desse conceito que se "pega um conceito ou outro que
pode servir para depois"
é impecílio para uma pessoa atuar na área?

>  Comecei numa época onde existima pouquíssimos cursos de computação, com
>  pouquíssimas mulheres (aliás a realidade não mudou muito desde então),
>  com pouco R$ (micros hoje são muitooo mais acessíveis do que nos anos
>  80/90).

E mesmo hoje exitem poucos cursos de qualidade, que valham mais que um
diploma. Por isso é prematuro basear o mérito de poder ou não fazer um
programa de computador baseado nesses cursos.

>  E, podem ter certeza, que sei tanto ou mais que uma boa parte da lista, e
>  deixo de saber tanto ou mais que outra parte desta lista.

Estudar não deixa ninguém mais burro. Estudar coisas erradas e acreditar
nelas pode fazer a pessoa cometer erros, até descobrir que estava no
caminho errado. No máximo isso.

>
>  Não são os cursos que vão nos tornar excelentes no que fazemos, bem como
>  não é apenas a prática que vai nos deixar melhor que os outros. Sempre
>  vai existir uma pessoa que saiba mais do que eu e uma que saiba menos,
>  independente de onde ela tirou esse conhecimento.
>
>  Regulamentação da profissão? Não sou nem contra e nem a favor. Não
>  acredito que com a regulamentação as pessoas que não tem estudo vão
>  ficar de fora do mercado, e nem que as que já estão serão prejudicadas.
>  Não confundir SL com a regulamentação, pq ela não é feita apenas para
>  o pessoal do SL. Ela é feita para a população completa de pessoas que
>  atuam na área.
>
>  Se é boa ou não? Só o tempo dirá. Agora, se eu não tive
>  capacidade/vontade/dinheiro/tempo para ter estudo, não é justo que eu
>  julgue os que conseguiram por isso. O contrário tb vale.
>
>  Liberdade é respeitar a individualidade dos indidívuos, e aceitar as
>  pessoas como elas são. Pré-julgamentos nunca foram uma realidade das
>  comunidades livres, mas me parece que agora resolvemos julgar quem serve e
>  quem não serve para programação aqui na lista, ao invés de abrir uma
>  discussão com tópicos mais formais que, até mesmo pudesse ser levada
>  como argumento contra a regulamentação.
>
>  É mais proveitoso abrir espaço para elencar pontos onde de fato a
>  regulamentação é boa ou não, do que discutir se quem se formou nisso ou
>  aquilo tem capacidade, ou que quem não se formou em nada tenha mais
>  capacidade ainda.
>
>  Em tempo, aos que não tem formação e possuem "empregaços"... aqui onde
>  trabalho tb tem uma super chefe que não tem formação nenhuma, e está
>  acima de quem tem anos de estrada. Mas ela soube a "cadeira certa para
>  sentar". Então, nem sempre a afirmação de que "eu não tenho formação
>  e olhem onde estou" é verídica em se tratando de capacidade e
>  conhecimento. Cada caso é um caso.
>
>  Vamos apontar tópicos a favor e contra a regulamentação ao invés de
>  discutir o "sexo dos anjos" ?

Muito bonito isso que você falou, concordo com tudo. Você mesma provou
que se encaixa no perfil que eu descrevi, da auto-didata com formação
acadêmica.

Você procurou a contínua graduação acadêmica por opção sua e não tem
a petulância de duvidar que isso determina a capacidade de alguém em
desenvolver sistemas.

Agora, não em defesa própria, mas pela clareza da minha argumentação,
e para eliminar a chance de interpretação errônea, repare que na minha
argumentação eu narrei a saga de um indivído, sempre no singular, que
confiou na instituição de ensino para ajudá-lo a tornar-se um profissional.
Dedicou-se com afinco a aprender tudo que o disseram ser importante,
cumprindo à rica as espectativas do seu curso.

Ao se formar, ou antes
disso, percebeu que isto não era suficiente para o tornar um profissional.
Estudou sozinho sem ajuda da instituição, com seus proprios recursos,
e foi acumulando conhecimento prático gradativamente. No ponto em que
estava preparado para tornar-se útil à sociedade e vender seus serviços,
percebeu que muitos faziam o que ele fazia, as vezes melhor do ele e
sem ter passado pelo o que ele passou na academia.

Inicialmente achou injustiça, já que não tinham sofrido e se dedicado como
ele. Achando inclusive que deveriam ser proibidos de fazer o que fazem.
Como isso não foi possível, ele teve que se juntar a eles, ou a outros
profissionais
de outas áreas, e aprender as profissões deles, e então ajudá-los a tornar
suas vidas mais simples. Através desse convivio multi-disciplinar ele
descobriu a beleza de deixar as pessoas livres para competir com o próprio
conhecimento, e não com base em troféis.

Percebeu o quão petulante havia sido, e o quanto o seu próprio esforço
e cabacidade de escolher caminhos havia sido fundamental para o seu
sucesso. E que era sim possível chegar ao nivel que chegou sem ter
passado pela academia, e que havia feito julgamento precipitado de
dos profissionais sem diploma, ou formados em outras áreas.

Acho que isto está longe de dizer que TODO MUNDO QUE É FORMADO NA
ÁREA DA INFORMÁTICA NÃO SABE NADA.

Ao invés disso eu afirmei, e afirmo de novo que SER FORMADO NA ÀREA NÃO
É REQUISITO/CAUSA para um bom profissional. Isto não é ideia minha, o próprio
mercado e o seu próprio depoimento podem ser usados para chegar a essa
conclusão.

Sendo essa a realidade do mundo, acho descabida uma regulamentação que proíba
as pessoas de usarem seu conhecimento de forma benígna, baseando-se em títulos
que não titulam nada, e em provas que não provam nada.

Espero ter desfeito esta confusão. Posso garantir e voltar a explicar
tudo que escrevi,
sobre o que eu não escrevi posso dizer se concordo ou discordo, e porquê.

-- 
Opções desconhecidas do gcc:
  gcc --bend-finger=padre_quevedo
O que faz:
  dobra o dedo do Padre Quevedo durante a execução do código compilado.

Não uso termos em latim, mas poderia:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Latin_phrases_(full)

A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.


           "Que os fontes estejam com você..."

Glauber Machado Rodrigues
PSL-MA

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