Acompanho esta discussão desde mil novecentos e APPD.
Gostaria de lembrar que existem outros reconhecimentos da profissão: o Classificação Brasileira de Profissões:
http://www.mtecbo.gov.br/buscaResultado.asp?tituloavancado=inform%E1tica&Submit=+Procurar+&familias=1&ocupacoes=1&sinonimos=1
E os Convenções Coletivas de Trabalho e Acordos Coletivos de Trabalho, (entre sindicatos de empresas e sindicato de trabalhadores; e entre sindicatos de trabalhadores e empresas) que são documentos anuais maleáveis às conjunturas do mercado (seja do ponto de vista do empregador como do empregado).
Estas duas já existe, e por desconhecimento, não poucas vezes passam batidas. Se usarmos as regulamentações já existentes já seria bom! Não duvido que tem muita gente trabalhando abaixo dos pisos salariais firmado nas Convenções Coletivas.




10/03/2008 às 16:37, psl-brasil@listas.softwarelivre.org escreveu:


Em 10/03/08, [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

Olá Glauber

Apenas usei seu email como base para minha resposta, não entrando na
discussão se foi você ou não quem a iniciou. Uma falha minha, com
certeza.
Concordo com você em muitos aspectos. Mas, também não posso deixar de
admitir que, mesmo em primeira pessoa, a segunda argumentação foi bem
mais explicativa que a primeira ;)

De qualquer forma, ainda gostaria de ver a lista discutindo apenas pontos
positivos e negativos sem entrar em questões emocionais ou sem nexo causal
com o assunto (discutir se formados ou não formandos tem competencia) (O
que a GPL tem a ver com a regulamentação) e demais.

A SBC apóia a regulamentação, o que não é surpresa, uma vez que, para
que você consiga cursar um mestrado por exemplo, você primeiro precisa
fazer uma prova chamada POSCOMP, que indica o quanto vc "supostamente" sabe
sobre o todo. Nem sempre a mesma é feita utilizando a realidade dos
cursos.


Patrícia, vc leu o projeto da SBC? Ela defende uma regulamentação SEM criação de conselho e SEM reserva de mercado.

http://homepages.dcc.ufmg.br/~bigonha/Sbc/plsbc.html

Eu também acho que o POSCOMP não avalia nada, mas não vejo nenhuma ligação entre esses 2 posicionamentos da SBC.

 

Então, podemos usar como argumento contra a regulamentação a riqueza de
cursos, a diversidade do profissional formado e a extensa mão-de-obra
multidisciplinar que atua na área de tecnologia.
Como regulamentar o profissional num país onde existem mais de 10 cursos
diferentes com habilitações diferentes para a mesma área de atuação?
Como regulamentar uma profissão onde é comprovado que a formação
acadêmica não é a principal métrica de qualidade do profissional? (aqui
sim poderiamos utilizar a comunidade livre como exemplo, ainda mais que
temos peixes grandes utilizando (gov) o trabalho (código) de muitos não
formados).

Se começarmos a explicitar, com certeza se encontram muitos mais pontos
além destes. E são estes pontos que podemos sim utilizar para barrar esta
regulamentação (ou não).

[],s
Patrícia


On Mon, 10 Mar 2008 09:53:15 -0300, "Glauber Machado Rodrigues (Ananda)"

<[EMAIL PROTECTED]> wrote:

> 2008/3/10  <[EMAIL PROTECTED]>:
>>  Estou acompanhando esta discussão, e frequentemente vejo comentários
> que
>>  considero em parte pejorativos sobre as pessoas que estudaram
> computação
>>  (nem vou entrar no mérito de discutir curso a curso como alguns
> colegas da
>>  lista o estão fazendo) como se apenas os que são auto-didatas
> possuissem
>>  capacidade.
>
> Mas é esse o caso. Você pode ter o diploma, como eu tenho, mas se você
> tem um emprego na área isso se deve muito mais a sua própia capacidade
> de decidir o que você vai estudar e aprender sozinho do que ao fato de
> ter cursado.
>
>>
>>  Gente, não vamos generalizar. O que começou com uma discussão sobre
> a
>>  regulamentação está se tornando uma caça as bruxas aos
> profissionais
>>  que fizeram uma graduação, suada ou não, uma pós...
>>  Desde quando é correto afirmar que todo mundo que sai da faculdade
> não
>>  sabe nada?
>
> Eu perdi essa parte. Pelo menos na minha argumentação a intenção foi
> mostrar
> que a pessoa que sai da universidade pronta para o mercado com certeza
> estudou
> e praticou além do que é exigido no curso, e que é uma petulância
> afirmar que
> ter feito o curso é determinante para a pessoa ser capaz de escrever
> sofware de
> qualidade.
>
>>  Acho leviandade afirmar isso, uma vez que não conhecemos TODAS as
> pessoas
>>  que saem da universidade, bem como não conhecemos TODAS as faculdades,
>>  TODOS os professores e etc.
>>
>>  Atuo na área desde 1986. Eu tinha 15 anos. Posso dizer que comecei num
>>  mundo onde não existiam janelas... programei de tudo um pouco, me
> diverti
>>  até com o COBOL.
>>  Fiz duas graduações em computação, fiz pós-graduação em redes e
>>  sistemas distribuídos, sou mestra em computação e tecnologia. Tenho
>>  recomendação para doutorado.
>>  Atuo hoje como gerente de projetos, analista sênior. Tenho diversos
>>  clientes (freelancer) onde mantenho redes, laboratórios etc... dou
> aulas
>>  em graduação e pós-graduação.
>>  Mesmo assim, não acredito que eu saiba tudo. Notem, eu fui autodidata,
>>  comecei aprendendo sozinha, em muitas disciplinas dos cursos que me
>>  matriculei, em algumas eu acompanhava as aulas "pro-forma" pois já
> sabia
>>  de tudo (sim, a prática é uma excelente professora) mas sempre se
> pega um
>>  conceito ou outro que pode servir para depois.
>
> E desde a falta desse conceito que se "pega um conceito ou outro que
> pode servir para depois"
> é impecílio para uma pessoa atuar na área?
>
>>  Comecei numa época onde existima pouquíssimos cursos de computação,
> com
>>  pouquíssimas mulheres (aliás a realidade não mudou muito desde
> então),
>>  com pouco R$ (micros hoje são muitooo mais acessíveis do que nos anos
>>  80/90).
>
> E mesmo hoje exitem poucos cursos de qualidade, que valham mais que um
> diploma. Por isso é prematuro basear o mérito de poder ou não fazer um
> programa de computador baseado nesses cursos.
>
>>  E, podem ter certeza, que sei tanto ou mais que uma boa parte da lista,
> e
>>  deixo de saber tanto ou mais que outra parte desta lista.
>
> Estudar não deixa ninguém mais burro. Estudar coisas erradas e
acreditar
> nelas pode fazer a pessoa cometer erros, até descobrir que estava no
> caminho errado. No máximo isso.
>
>>
>>  Não são os cursos que vão nos tornar excelentes no que fazemos, bem
> como
>>  não é apenas a prática que vai nos deixar melhor que os outros.
> Sempre
>>  vai existir uma pessoa que saiba mais do que eu e uma que saiba menos,
>>  independente de onde ela tirou esse conhecimento.
>>
>>  Regulamentação da profissão? Não sou nem contra e nem a favor. Não
>>  acredito que com a regulamentação as pessoas que não tem estudo vão
>>  ficar de fora do mercado, e nem que as que já estão serão
> prejudicadas.
>>  Não confundir SL com a regulamentação, pq ela não é feita apenas
> para
>>  o pessoal do SL. Ela é feita para a população completa de pessoas
> que
>>  atuam na área.
>>
>>  Se é boa ou não? Só o tempo dirá. Agora, se eu não tive
>>  capacidade/vontade/dinheiro/tempo para ter estudo, não é justo que eu
>>  julgue os que conseguiram por isso. O contrário tb vale.
>>
>>  Liberdade é respeitar a individualidade dos indidívuos, e aceitar as
>>  pessoas como elas são. Pré-julgamentos nunca foram uma realidade das
>>  comunidades livres, mas me parece que agora resolvemos julgar quem
> serve e
>>  quem não serve para programação aqui na lista, ao invés de abrir
> uma
>>  discussão com tópicos mais formais que, até mesmo pudesse ser levada
>>  como argumento contra a regulamentação.
>>
>>  É mais proveitoso abrir espaço para elencar pontos onde de fato a
>>  regulamentação é boa ou não, do que discutir se quem se formou
> nisso ou
>>  aquilo tem capacidade, ou que quem não se formou em nada tenha mais
>>  capacidade ainda.
>>
>>  Em tempo, aos que não tem formação e possuem "empregaços"... aqui
> onde
>>  trabalho tb tem uma super chefe que não tem formação nenhuma, e
> está
>>  acima de quem tem anos de estrada. Mas ela soube a "cadeira certa para
>>  sentar". Então, nem sempre a afirmação de que "eu não tenho
> formação
>>  e olhem onde estou" é verídica em se tratando de capacidade e
>>  conhecimento. Cada caso é um caso.
>>
>>  Vamos apontar tópicos a favor e contra a regulamentação ao invés de
>>  discutir o "sexo dos anjos" ?
>
> Muito bonito isso que você falou, concordo com tudo. Você mesma provou
> que se encaixa no perfil que eu descrevi, da auto-didata com formação
> acadêmica.
>
> Você procurou a contínua graduação acadêmica por opção sua e não
> tem
> a petulância de duvidar que isso determina a capacidade de alguém em
> desenvolver sistemas.
>
> Agora, não em defesa própria, mas pela clareza da minha argumentação,
> e para eliminar a chance de interpretação errônea, repare que na minha
> argumentação eu narrei a saga de um indivído, sempre no singular, que
> confiou na instituição de ensino para ajudá-lo a tornar-se um
> profissional.
> Dedicou-se com afinco a aprender tudo que o disseram ser importante,
> cumprindo à rica as espectativas do seu curso.
>
> Ao se formar, ou antes
> disso, percebeu que isto não era suficiente para o tornar um
> profissional.
> Estudou sozinho sem ajuda da instituição, com seus proprios recursos,
> e foi acumulando conhecimento prático gradativamente. No ponto em que
> estava preparado para tornar-se útil à sociedade e vender seus
> serviços,
> percebeu que muitos faziam o que ele fazia, as vezes melhor do ele e
> sem ter passado pelo o que ele passou na academia.
>
> Inicialmente achou injustiça, já que não tinham sofrido e se dedicado
> como
> ele. Achando inclusive que deveriam ser proibidos de fazer o que fazem.
> Como isso não foi possível, ele teve que se juntar a eles, ou a outros
> profissionais
> de outas áreas, e aprender as profissões deles, e então ajudá-los a
> tornar
> suas vidas mais simples. Através desse convivio multi-disciplinar ele
> descobriu a beleza de deixar as pessoas livres para competir com o
> próprio
> conhecimento, e não com base em troféis.
>
> Percebeu o quão petulante havia sido, e o quanto o seu próprio esforço
> e cabacidade de escolher caminhos havia sido fundamental para o seu
> sucesso. E que era sim possível chegar ao nivel que chegou sem ter
> passado pela academia, e que havia feito julgamento precipitado de
> dos profissionais sem diploma, ou formados em outras áreas.
>
> Acho que isto está longe de dizer que TODO MUNDO QUE É FORMADO NA
> ÁREA DA INFORMÁTICA NÃO SABE NADA.
>
> Ao invés disso eu afirmei, e afirmo de novo que SER FORMADO NA ÀREA
NÃO
> É REQUISITO/CAUSA para um bom profissional. Isto não é ideia minha, o
> próprio
> mercado e o seu próprio depoimento podem ser usados para chegar a essa
> conclusão.
>
> Sendo essa a realidade do mundo, acho descabida uma regulamentação que
> proíba
> as pessoas de usarem seu conhecimento de forma benígna, baseando-se em
> títulos
> que não titulam nada, e em provas que não provam nada.
>
> Espero ter desfeito esta confusão. Posso garantir e voltar a explicar
> tudo que escrevi,
> sobre o que eu não escrevi posso dizer se concordo ou discordo, e
> porquê.
>
>


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