Glauber Machado Rodrigues (Ananda) escreveu:
2008/4/10  <[EMAIL PROTECTED]>:
 Auditoria de código antes ou depois da eleição nao tem valor fiscalizatorio
nenhum, e com as regras de processo atuais auditoria de código por
amostragem durante a eleição não é permitido.


Exato, e só para deixar claro: não estou defendendo o sistema atual,
estou defendendo que é possível uma votação eletrônica satisfatória.
Esse é um problema imposto pelas regras atuais, e não inerentes à
votação eletrônica.


Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.

Tudo é possível no mundo das idéias. Projetos de sistemas de informação maravilhosos, eu já vi aos montes. Inclusive de urna-e, sistemas eleitorais, etc., onde o 'satisfatório' é julgado em tese. Ocorre que, no mundo da vida, existem duas coisas que irão com eles interigir, que são a natureza humana e a necessidade dos humanos de conviver em sociedade.

Disso decorre, (leia Hobbes, ou a Bíblia, etc.), que a prática das idéias (no caso, a implementação desses sistemas) será intermediada pelo intinto do poder, que segue o da sobrevivência através da natureza -- humana ou divina, de quem as pratica. E o que disso decorre?

Disso decorre que sempre que uma democracia delega excessiva autoridade a uma entidade não espiriritual, isso contribui, de forma empiricamente observável, para corroer seus valores. Autoridade em assuntos eleitorais inclusive, e principalmente. Como por exemplo, ao se delegar autonomia, explícita ou implícita em vazio normativo, a quem vai operar o processo eleitoral, de escolher a tecnologia para executá-lo e a as normas para seu uso.

A lógica do poder induz quem é investido desse tipo de autoridade, não sendo esss necessariamente anjos do bem, a escolher sistemas como o nosso atual em par com regras de uso como as nossas atuais. E se a democracia já estiver doente, a erosão daí decorrente passa a fazer feedback positivo nessa decadência.

O nosso maior problema, a meu ver como disse na parte inicial da msg anterior, é o descaso coletivo com os valores basilares da democracia, carcomidos pelo individualismo e pelo fetiche do consumo (este aqui materializado na crença de que inovação tecnológica é sempre algo bom; veja http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/trabs/u-e-auditoria.html).

Defender 'eleição eletronica satisfatória' no mundo das idéias é muito bonito, romântico até, inclusive como exercício de retórica para o conhecimento teconológico. Mas no mundo da vida, onde tais coisas constituem campos de batalha pelo poder terreno, esse romantismo pode levar inocentes úteis a defenderem interesses subterrâneos. O ato de se rotular a indicação dessas propensões como "teoria conspiratória" pode dar conforto a ingênuos bem intencionados, mas não as fará desaparecer.

--
-------------------------------------------
prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende /\
Computacao - Universidade de Brasilia /__\
tcp: Libertatis quid superest digitis serva
http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/sd.htm
-------------------------------------------
_______________________________________________
PSL-Brasil mailing list
PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
Regras da lista: http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil

Responder a