2008/6/12 Gustavo Noronha Silva <[EMAIL PROTECTED]>:

> Eu costumo concordar com isso. Acho que, pensando no Brasil nós temos
> falação de mais e contribuição real de menos. Nós temos um número maior
> de desenvolvedores hoje do que tínhamos há uns 3 anos atrás, quando eu
> estava em plena campanha para passar a mensagem de que nós não podemos
> perder a oportunidade de nos tornarmos desenvolvedores de tecnologia, e
> que para isso não bastava só usar software livre.
>

De qualquer forma, veja uma evolução real do SL no Brasil, em meio à
falação.

Deve ter a ver com o poder da motivação, sei lá. Eu costumo pensar que a
motivação é mais importante que a inteligência, já que a inteligência sem
motivação não é aplicada (e com motivação você usa até a inteligência que
não tem).

Acho que a principal dificuldade do desenvolvimento de SL no Brasil foi a
tentativa de fazer o SL crescer como modelo econômico, enquanto no resto do
mundo isso isso foi apenas um efeito colateral.

A idéia da maioria dos developers brasileiros é segue a linha "vai dar
dinheiro? tô dentro.", enquanto o que funciona melhor com o SL parece ser a
linha "vai resolver meu problema? Tô dentro." Dessa forma, as soluções no
Brasil precisam ser "conjuradas" por alguma força, enquando deveriam
simplesmente aparecer ao sabor da necessidade.

Outra coisa que puxa as calças do Brasil é que a vida útil do programador
brasileiro é muito curta. O cara é programador por uns 5 anos e depois
"evolui" para gerente/executivo/empreendedor-no-mercado-de-ti/sei-lá-o-que.

Isso faz com que o carinha que programa esteja mexendo com algo que ele
aprendeu dentro dos 5 anos anteriores, e só deus sabe qual era o hype na
época que ele estudou. Você só aprende UNIX se você tiver consciência de que
é para a vida toda, trabalhando muito.

Mas o que mais tem é o cara que imagina que boa carreira é escrever "o
programa da sua vida" e depois passar o resto dela vendendo o tal programa.
Este tipo vai se sentir mais motivado a descobrir uma forama mágica de
arrastar componetes de GUI  num delphi da vida, de um jeito que "ninguém
nunca arrastou antes". Depois disso a dama do lago vai te entregar a
escalibur dos programas e você vai experimentar um reino de prosperidade por
longos anos, pois você se mostrou digno.

Esse pensamento do cara que quer ser programador porque acha que vai enricar
sem trabalhar é que mata. Daí para o cara achar que o SL é um encurtamento
para sua meta final, já que ele agora em vez de escrever o programa todo só
vai precisar escrever parte dele, e o resto vai emergir magicamente da
comunidade.

O que mata o pensamento do desenvolvedor brasileiro é que ele pensa na
comunidade como a dama do lago da lenda do rei artur. Ou seja, pura falta de
noção.

Claro, tem o pessoal que só quer resolver seus problemas, e o modelo
proprietário tem sido um problema para fazer seu trabalho bem feito. Esse
deve ser o seu caso, kov.

Os poucos que se salvam (pela própria maneira de agir pensando ao longo
prazo) pouco a pouco estão conseguindo fazer frente a estes outros perfirs
de desenvolvedores, e seus trabalhos tem se mantido estáveis e frutificando
indefinidamente.


> Isso, no entanto, não faz com que a discussão da liberdade seja menos
> importante. Se nós evitamos a discussão da liberdade perde o sentido; a
> idéia, lembre-se, não é fazer todo mundo usar 'Linux', mas sim dar às
> pessoas a liberdade que elas devem ter.
>

Exato, esse é o ponto.


>
> eu vou um pouco além: eu acho que ler a maioria dos emails na PSL-Brasil
> é complicado e cansativo, já que todo mundo está acostumado com a
> cultura de uso de email corporativo, que eu particularmente abomino.
>

Deixa ver se eu entendi:
Num e-mail corporativo ninguém discute muito um assunto. O e-mail de quem
tem o poder chega na caixa de quem obedece, a mensagem é recebida e ponto
final.
O e-mail de quem solicita chega na caixa de quem é solicitado, o solicitado
responde, ponto final. Parecem cartas: "prezado fulando de tal (...)
atenciosamente, eu."

Se você for o destinatário, você ler e responte, se você for apenas copiado,
você só lê para se manter a par do assunto. Uma mensagem nova do mesmo
assunto não aparece até que você responda (para originar outra em cima da
sua resposta).

Já listas de discussão é isso aqui. O assunto pode se tornar um livro antes
mesmo de você começar a ler. Então é importante dispensar:

1- Aberturas de carta, como "Sras. e Srs. da lista" e o "Obrigado";
2- cortar tudo puder ser cortado (pois se puder ser cordato é lixo);
3- manter o fluxo de idéias numa ordem coerente (pois idéias incoerentes são
lixo).

É mais ou menos isso que você chama de "cultura de e-mail corporativo" x
"cultura de listas"?

-- 
Glauber Machado Rodrigues
PSL-MA

jabber: [EMAIL PROTECTED]

Opções desconhecidas do gcc:
gcc --bend-finger=padre_quevedo
O que faz:
dobra o dedo do Padre Quevedo durante a execução do código compilado.

Não uso termos em latim, mas poderia:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Latin_phrases_(full)

A ignorância é um mecanismo que capacita um tomate a saber de tudo.


"Que os fontes estejam com você..."
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