Oi pessoal

O paranóico em mim diz que isso é uma péssima idéia. Alguém tem alguma
idéia de como torpedear essa idéia estúpida?

http://viajeaqui.abril.com.br/indices/conteudo/blog/94849_comentarios.shtml?8169253

Em agosto de 2009 seu carro zero será um GPS+celular ambulante
André Gurgel - 15/07/2008

A resolução 245 do Contran determina que todo veículo terá que sair de
fábrica com um dispositivo eletrônico capaz de informar ao Denatran a
sua posição geográfica em caso de furto ou roubo.

A primeira reação da população em geral é de indignação por achar que
o governo vai dar uma de Big Brother com os motoristas e ainda por
cima tornar os carros novos ainda mais caros.

A primeira idéia é totalmente errada e a segunda, provavelmente certa.
O único e grande objetivo é facilitar a recuperação de veículos
roubados e, se possível, amenizar sua ocorrência.

Também deturpada é a paranóia de que alguém poderá acionar o serviço
de rastreamento e saber onde o seu carro está. É necessário um motivo
muito bem justificado para que isto venha a acontecer.

Que fique bem claro aqui que o Denatran só saberá da localização de um
veículo quando o próprio dono fizer um beó ou um juiz determinar que o
prestador de serviços (já explico quem ele será) deva liberar tais
informações, que serão repassadas aos órgãos policiais, os quais, por
sua vez, deverão buscar e apreender o objeto do delito.

As montadoras precisam embutir no projeto basicamente três módulos:
- Um receptor de GPS para determinação da posição
- Um chip (com SIM card) e antena de celular para transmissão da
posição ao provedor e recepção de ordens do mesmo
- Um controlador que efetua o desligamento remoto do veículo

Agora vamos a alguns detalhes importantes:
- O GPS sempre estará ativo e possui as mesmas restrições de recepção
em túneis, mata fechada e entre prédios altos
- O "celular" sai de fábrica genérico para qualquer operadora e, a
princípio, não ajuda o GPS na triangulação da posição
- Ao ativar o SIM card do celular, deve-se contratar o serviço com um
prestador, que pode ser a seguradora ou uma empresa especializada em
rastreamento
- E, principalmente, a ativação do chip de rastreamento pelo dono do
carro é *opcional*

Se o carro for roubado e você der parte, ou furtado e você acionar um
botão de pânico, a seguradora ou o prestador de serviço contratado irá
acionar o Denatran, que, a partir daí recebe continuamente a posição
atualizada e a retransmite para fins de captura.

No entanto, por motivos de segurança dos ocupantes e preservação da
integridade estrutural do material rodante, é proibida a desativação
remota do veículo ainda em movimento, estando ele no status de
rastreamento e captura. Estratégias de desaceleração gradual da
velocidade, contudo, são permitidas.

Este requerimento pode oferecer uma chance aos malandros, uma vez que
eles já deverão ter conhecimento de que todo este pacote anti-furto é
energizado independentemente por uma bateria que deve lhe dar uma
autonomia de seis horas – por lei.

Uma aspecto interessante do lado contratual é que, se você declinou o
acionamento do rastreamento e o pior vir a acontecer, mesmo com seguro
total, prevê-se que as prestadoras de serviço ofereçam um rastreamento
emergencial tipo "Day after", no qual elas cobram o que quiserem,
contanto que você faça no ato a ativação do chip. Ainda nesta
situação, se a última coisa que você quer é ver o seu pois-é de volta,
pode ter certeza que a primeira ação da seguradora, como nova
proprietária, já que ela decretou perda total e você concordou, será
acionar o chip de rastreamento para obter o casco de volta.

Vale lembrar que o Denatran especifica requerimentos mínimos para o
cumprimento da lei, objetivando ser o menos invasivo e determinante
possível.

Por exemplo, as montadoras poderão optar oferecer graus diferenciados
de sofisticação do módulo de rastreamento (que, na verdade, poderá
ficar espalhados em várias partes do sistema elétrico do veículo, para
evitar a sua remoção, caso fosse uma peça única). Já que um GPS deve
forçosamente existir na eletrônica embarcada, uma boa idéia seria
prover uma conexão sem fio tipo Bluetooth com um celular, PDA ou
laptop para que os mesmos fizessem uso dos dados de posicionamento
para exibir mapas, marcar pontos ou traçar rotas.

Se todo carro novo terá que ter uma antena GPS de fábrica, ótimo. Mas
por quê pagar a mais pelo GPS de um navegador automotivo ou mesmo
gastar a bateria do meu celular que também tem GPS se o que eu quero é
ver mapas e achar endereços e pontos de interesse?

Note que apenas as prestadoras de serviço podem ter acesso à
identidade do veículo e do seu dono. As operadoras de celular apenas
tem a função de retransmitir informações de posicionamento, que, por
sinal, são criptografadas.

Existem ainda questões nebulosas na área das operadoras de celular,
que são obrigadas a prestar o serviço – não gratuitamente, é óbvio.
Elas fazem a ponte técnica entre o veículo com SIM card ativado e as
prestadoras de serviço.

O nó encontra-se no fato delas historicamente oferecerem uma qualidade
de serviço de voz e mesmo dados notoriamente intermitente, seja por
congestionamento do sistema ou ausência de cobertura. Então? Como fica
um carro que foi roubado, está sendo rastreado pela polícia e perde o
sinal? Ponto para os bandidos.

Por outro lado (facínoras que lêem blog, atenção!), o sistema ora em
fase de estudos e adoção pelos engenheiros das montadoras é imune aos
chamados "jammers", aparelhos que criam um caos local perto da antena
e impede a comunicação com as torres de celular.  E quem quiser se
arriscar e bancar o escroque perante a lei, vai uma dica: compre já o
seu jammer, pois eles tornaram-se ilegais e vão sumir do mercado como
o diabo foge da cruz.


Ainda não se sabe o que vai acontecer de fato, mas quando 50% da frota
nacional tiver implantado o sistema proposto, com GPS e um celular com
conexão de dados bi-direcional, toda uma camada de negócios irá
florescer.

De cara eu cito um uso muito interessante: já que as operadoras de
celular terão acesso à localização anônima dos veículos a todo
momento, tal conjunto de dados pode muito bem servir para que se forme
um mapa da velocidade média dos veículos em qualquer via da cidade ou
estrada, o qual pode ser enviado de volta, pelo celular embarcado, aos
usuários de GPS (agora, quem quer que queira papar por este serviço
especial) resolvendo (não eternamente) o problema do motorista
encontrar o caminho mais livre para o seu destino.

Por fim, resta saber, no caso do esquema se demonstrar um sucesso, se
as seguradoras irão reduzir o custo do seguro de roubo dos carros.

Pensando bem, elas bem que podem se adiantar e oferecer descontos - ou
adicionais - na taxa básica do seguro de roubo, dependendo da índice
estatístico de risco dos lugares e horários que você efetivamente
esteve durante a vigência da apólice.

De modo que, se o seu carro sempre ficou guardado em garagens da casa
e do trabalho, e nunca ficou estacionado na rua durante as madrugadas
de balada, ele deveria ter um seguro mais baixo que o perfil oposto,
não acha?
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