Em 31/07/2008, às 07:35, Glauber Machado Rodrigues (Ananda) escreveu:

Mas acho que o seu ponto é quando ao invés de integrar uma comunidade produtora de software, o governo passar a investir dinheiro apenas em projetos dos peixes de quem está no governo. Nesse caso, ao invés de evitar a reinvenção da roda e seguir o modelo que garante a qualidade do software, produz algo que beneficia artificialmente um grupo e afeta o desenvolvimento de uma comunidade. Mesmo assim, nesse caso, ainda é melhor que SP, devido a superioridade da licença.

Sim, um pouco do que eu disse passa de certa forma pelo que você colocou acima. E não creio que o simples fato da licença ser considerada "livre" realmente compense o desperdício de recursos públicos. Dando nome a UM dos bois, vide o que aconteceu com o Freedows. Com todo respeito aos envolvidos, isso de ficar reempacotando distribuições ou mesmo aplicativos (lembram-se do Freedows Office?) não é exatamente o que imagino como investimento governamental que incentive a produção ou o ecossistema de SL.

Me parece que há boas iniciativas no sentido de usar recursos do governo para incentivar SL, vide a turma do Corinto e o Software Público. Mas, até onde eu lembro, esta iniciativa vingou em termos de "produto" com o Cacique, que foi criado para "coçar uma coceira" da turma da Dataprev. Ou seja, um software que surgiu da forma que normalmente os projetos de SL bem sucedidos aparecem. Será que isso pode ser inflado "artificialmente" para abarcar áreas onde a "coceira" não existe propriamente porque, digamos, alguma solução proprietária esteja atendendo aos seus usuários? Ok, há dezenas de justificativas "morais" e mesmo "estratégicas" para usar SL em órgãos governamentais. Mas, será que faz toda essa diferença se o sujeito usa um, digamos, visualizador de JPEG gratuito e proprietário ao invés de um utilitário livre?

Se formos olhar para o alvorecer da indústria de TI no mundo, vemos que o poder de compra do governo dos EUA (especialmente via DoD) simplesmente moldou boa parte do que conhecemos hoje. Porém, será que o mesmo "modus operandi" que forjou a indústria de TI "tradicional" é adequado para o mundo do Software Livre? Até onde eu percebo, produção de SL tem muito mais a ver com criação e (a palavra em português me foge agora) "nurturing" de comunidades ao redor de um desafio do que a execução de um projeto pré-definido como se fosse o documento de especificação a ser licitado para uma fábrica de software. Vide essas tentativas artificiais de criar comunidades, as quais não dão certo ou demoram muuuuito a engrenar (OpenSolaris, Ingres - aliás, alguém sequer reparou que o Ingres tinha virado um produto livre? quer dizer, se é que ele ainda o é -, OpenExchange, etc).

Particularmente, tenho muito interesse em como o conhecimento nessas comunidades é construído (está no código? é totalmente tácito? está nas listas de discussão?). Talvez engrene algum dia uma pesquisa acadêmica sobre isso, mas talvez alguém já tenha feito isso também.

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