Em 31/07/2008, às 11:33, Glauber Machado Rodrigues (Ananda) escreveu:

Agora eu entendi. Você está falando do ponto de vista do desperdício de dinheiro. Entre disperdiçar dinheiro com SL e disperdiçar com SP, do ponto de vista do desperdício apenas, não há diferença. A questão também é saber avaliar se o investimento em SL agregará ou não valor. Antes de poder prever isso, eu diria que é mais seguro investir em SL, pois na pior das hipótes o sistema é um doador de orgãos compatível.

Nem sempre. Não vejo o setor público como produtor de software básico ou aplicativos. Um Cacique da vida é uma grande exceção.

O uso de software básico ou aplicativos livres de infra-estrutura como um Nagios, Cacti, Request Tracker, etc é bastante difundido em várias esferas de Poder Público, mas alguém já viu alguma personalização genérica sendo contribuída de volta ao projeto principal? Eu nunca vi. E o pior é que, sob a desculpa de que "este não é nosso 'core business'", ao invés de se investir em desenvolvedores que aperfeiçoem um produto livre e mantenham as contribuições no projeto principal, prefere-se comprar licenças de software proprietário. E ainda se fala de boca cheia que o produto livre "não atendia a contento".

Tenho certeza de que não fui apenas eu quem já escutou coisas assim por aqui.

Agora, em termos de produtos feitos "em casa", q que mais acontece no setor público é a necessidade de construir sistemas de informação apoiados por computador. Seja um SIAFE, SIAPE ou qualquer outro Sistema Estruturador da administração pública federal, por exemplo.

Se o trabalho não for feito em casa, contrata-se *serviços* de desenvolvimento de terceiros. Se estes são feitos com SL usando, digamos, uma base de dados Postegresql e duzentas funcionalidades específicas *deste* produto, não vai adiantar muito ele ser livre na hora em que um órgão que só use, digamos, MySQL (supondo que ele seja livre hoje em dia) queira reaproveitar o código.

E dizer que basta especificar o uso *exclusivo* de padrões para resolver isso é muita boa vontade para com a natureza humana. Para ficar no exemplo do banco de dados, um produto livre concorre com outro, e cada um tenta se especializar em determinados nichos. Assim, é natural que desenvolvedores de "sistemas de informação" utilizem características específicas de cada um deles. Se alguém aqui anda construindo sistemas relativamente complexos, em equipe, e só usou SQL ANSI, eu tiro o chapéu. :-)

Enfim, se formos olhar *apenas* o lado financeiro, existem sim diversas situações onde usar software proprietário pode até sair mais barato (mesmo no longo prazo). MAS, aí entra a velha questão de que (no mínimo) determinadas aplicações do governo devem ser estrategicamente construídas como SL para evitar certos constrangimentos e coerções por parte de elementos externos.

Voltando ao foco inicial, meu ponto é que SL bom continua sendo aquele que nasceu para satisfazer uma necessidade de seus criadores. Mesmo vários produtos proprietários nasceram e cresceram muito bem assim hoje em dia. Faz alguns anos eu assisti uma palestra de um CRM da Siebel (acho que era isso), hoje comprado por algum outro fornecedor, onde eles explicavam que aquele produto que era fonte de receita forte para a empresa havia nascido para suprir uma necessidade *interna* da organização. Assim, não tenho certeza de que tentativas "artificiais" de criar um produto para dominar este ou aquele segmento do mercado funcione melhor do que preencher um nicho e deixar que as coisas ocorram "naturalmente".

[ ]s,

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