Compartilho com o otimismo da matéria.
Necessitamos de matérias bem feitas como esta para recuperarmos a
auto-estima.
Mas, não deixem de ler a matéria impressa pois está muito boa e não é a
mesma da online.

Marcelo

Revista Carta Capital 
O Brasil cai na rede
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1743


08/08/2008 15:16:39
Ana Paula Sousa, Daniel Pinheiro e Phydia de Athayde* 


Paulo Joaquim de Melo Júnior, 23 anos, é um típico garoto da periferia
paulistana. Filho de um pernambucano de Garanhuns e de uma baiana de
Feira de Santana, nasceu e cresceu no Jardim São Luís, zona sul da
cidade, tão carente de infra-estrutura quanto de perspectivas. Aos 14
anos, tomou contato com um computador em um cursinho “bem básico” na ONG
Casa dos Meninos. Interessou-se por aquilo tudo e, no ano seguinte,
ajudava outros garotos a entender a máquina cheia de botões. Sem
perceber, fascinou-se pela idéia de compartilhar conhecimento. Decidido
a ter um computador só seu, juntou dinheiro com dois amigos e comprou
um, usado, a prazo. “Meu pai achava mirabolante”, diz, meio tímido. “Mas
ele via que eu podia crescer aí.” 

Erivaldo Magno da Conceição, de 15 anos, é outro típico garoto da
periferia paulistana. Estuda em colégio público à noite e, todos os
dias, passa ao menos três horas em uma lan house no Jardim São Luís. Lá,
gasta 20 reais mensais, usando as horas de conexão que compra e também a
de amigos. Sonha com um computador em casa. “Mas, mesmo se eu ganhar,
vou continuar vindo aqui”, diz, sem tirar os olhos da tela, onde comanda
um carro de corrida no game Need for Speed. Ao redor, adolescentes e
crianças ocupam quase todas as máquinas do estabelecimento: dezessete
garotos estão em jogos e quatro meninas, no Orkut. 

Júnior e Conceição representam duas faces de um fenômeno que se agiganta
no Brasil. Especialistas estimam que, na virada do ano, metade da
população brasileira, ou mais de 90 milhões de indivíduos, terá, de
alguma maneira, acesso à internet, seja em casa, no trabalho, no
celular, seja em locais públicos. Quando se pensa apenas em usuários
domésticos, os números são mais modestos. Pesquisa do Ibope Monitor, que
leva em conta apenas as residências, mediu 22,9 milhões de usuários. 

O Brasil, segundo a ONG norte-americana Internet World Stats, mantém um
dos ritmos mais fortes em todo o mundo de crescimento do acesso. Entre
2000 e junho de 2008, o número de novos conectados cresceu 900%. 

Uma pesquisa recente do Datafolha contabilizou que 47% dos brasileiros
já têm acesso à internet. Há outros dados surpreendentes: 

- Somos o país no qual os usuários passam mais tempo conectados por mês.
São mais de 22 horas mensais, ante 20 horas da França e 17,5 na
Alemanha. 

- Brasileiros alavancam febres na internet, como a do Orkut e a do
Second Life. Estima-se que 27 milhões de nativos naveguem pelo Orkut, o
mais popular site de relacionamentos da rede. 

- O Brasil chegou aos 50 milhões de computadores no ambiente doméstico e
corporativo, segundo a Fundação Getulio Vargas. 

- Na terça-feira 5, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e
Eletrônica (Abinee) divulgou a previsão de venda de computadores em
2008: 13 milhões de unidades. Com os atuais 50 milhões de máquinas, o
País tem uma média de 26 computadores para 100 habitantes, valor
superior à média global, de 21 equipamentos para cada centena. 

*Colaborou Cynara Menezes

*Confira a íntegra da reportagem na edição impressa 

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