Glauber... e todos

Apenas algumas considerações para reflexão.
"Não existe tecnologia neutra". A tecnologia "é produto e produtora da 
sociedade". "Toda a tecnologia é social e toda a sociedade é tecnológica". 
O que difere o homem dos demais animais não é nem a racionalidade/consciência 
(pois não podemos provar que não existam graus de racionalidade ou de 
consciência de sua existência nos animais ditos irracionais), nem a existência 
de alma/espírito (pois nunca foi provado que esses fenómenos extra-materiais 
realmente existem), nem, tampouco como pensam alguns 
materialista7racionalistas, a técnica (pois esta existe em quase todos os 
animais - os casos mais visíveis para nossa percepção simples são os das 
abelhas, formigas, xipanzés, etc.). Entretanto, apesar de terem "técnica", a 
utilizam de forma instintiva, como se a recebessem naturalmente, sem refletir 
sobre a sua possível manipulação. O que diferencia TÉCNICA, de TECNOLOGIA, é 
justamente a possibilidade de, de alguma forma, conseguir utilizar os recursos 
técnicos de acordo com seus interesses. Até mesmo a consciência de pensar que 
se pode até mesmo, dominar essa técnica, controla-la, conhecê-la, manipulá-la. 
Isso é tecnologia, esse processo interativo que resulta da ação do homem com a 
técnica. É preciso ter um cuidado para não confundir tecnologia com apenas uma 
adjetivação de recursos materiais técnicos, os "artefatos". Não são somente 
cabos, fios, chips, transístores e resistores que compõem e formam um 
computador. Ele é formado de elementos humanos, e não-humanos. Existe a ação e 
a vontade humana para que esses elementos materiais se juntem e formem um outro 
elemento material, com "relativa" vida e movimento. Existe um projeto humano, 
um desejo humano, uma articulação humana. Portanto, SOCIAL. Sem, com isso, 
negar a sua força imanente de transformação e de criação de realidades sociais, 
que sem ela não seria possíveis. Igualmente, não bastaria a vontade humana sem 
estar aliada as capacidades intrínsecas e próprias dos artefatos. Chips e fios 
são fundamentai, sem eles seria impossível pensarmos um computador nos moldes 
como os temos hoje. Igualmente, não se constrói computadores com bananas e 
feijões, embora estes elementos possam participar do processo fornecendo 
energia para as pessoas humanas. Por isso digo que, a tecnologia é produto, mas 
é também produtora da sociedade. Um computador não nasce expontâneamente. É 
preciso que exista um plantador de feijão, um engenheiro de computadores, um 
mineral, uma fábrica (com operários) para manipular esses minerais, 
transformá-los em chipes e fios, um comerciante, um professor, um político, em 
suma, uma sociedade.
Veja bem, apesar de dizer isso, quero ratificar meu posicionamento que é, por 
um lado diferente do dos deterministas, que consideram a tecnologia uma 
entidade neutra, com poder e independência em relação ao corpo social, fazendo 
distinção entre os elementos humanos, e os não-humanos, e, também, me dos 
sócio-construtivistas, que consideram a tecnologia apenas como um produto 
social - e como produto social,  completamente passível de ser controlada, 
manipulada, construída conforme as vontades e desejos humanos (ou sociais). 
Partilho, muito mais, de uma visão híbrida. Nem a neutralidade e independência 
completa, nem a subjetividade e a dependência completa, mas uma relação 
"ambivalente". Por isso, penso que no processo de construção tecnológica não se 
pode fazer a distinção entre elementos humanos, e os não-humanos. Cada elemento 
é constituinte e constituidor do processo. 
Dou um exemplo, a história do movimento software livre. O movimento surgiu da 
idéia de algumas pessoas, particularmente da ação de um indivíduo que tomou uma 
atitude de disponibilizar na rede uma solução para um problema que teve. 
Entretanto, se não fosse o fato de ter aquela impressora encravada, talvez o 
Stallman nunca teria deslanchado o início deste movimento nos moldes que 
ocorreu. Ou seja, aquele elemento não-humano tem muito a dizer sobre a história 
social deste movimento tecnológico. Aquela atitude dele, certamente, não foi 
minunciosamente calculada prevendo todas as suas consequências e realizada 
plenamente consciente dos efeitos que iria produzir, qual seja, o de criar um 
movimento em defesa da liberdade. Mas, o fato é que, daquela atitude, gerou-se 
uma nova forma de partilha de conhecimentos, que dia-a-dia tem sido melhorada, 
aprimorada, transformada por dezenas, centenas, milhares de pessoas em todo 
lado do globo. E isso se faz com os elementos humanos que compõem a rede de 
atores tecnológicos, não apenas com o software livre, ou de um suposto 
código-fonte aberto que existe e, sozinho, cria as meta-realidades sociais. 
Essa movimentação de atores é uma movimentação social. E quando temos uma 
movimentação de atores impelidas por interesses particulares, ideologias, 
crenças, etc., temos POLÍTICA. O ato político é todo ato de interação social 
motivado de meios para fins. 
Por isso não concordo com as tuas últimas frases "tudo que SE MISTURA com o 
social é passível de SER USADO POLÍTICAMENTE". Se "o que ele quer dizer é que a 
tecnologia deve ser usada de forma neutra", CONCORDO COM ELE." (grifos meus). 
Dá a impressão que você parte do ponto de vista determinista, onde a tecnologia 
é uma entidade à parte, que quando "misturada" à sociedade, então cria 
fenómenos. Como se tua concepção partisse dessa visão de que possa existir essa 
"neutralidade" no uso das tecnologias. Será que isso é possível? Será que 
existe tecnologia neutra? Será que a tecnologia não é um elemento social e, 
portanto, político? Será que fazer política é somente fazer campanha e - no 
pior exemplo que temos - ser corrupto na administração pública? Não! Para mim, 
a tecnologia faz parte da sociedade e é eminentemente política, por isso 
precisa ser pensada nesse contexto. Falar de democracia, de capitalismo, de 
liberalismo(s), de socialismo(s), comunismo(s), cristianismo(s), etc., hoje em 
dia (e desde sempre), sem envolver tecnologia, para mim, é um erro grave. E 
falar de tecnologia como se ela fosse algo neutro, que vive pairando acima do 
bem, e do mal, acima da sociedade e do mundo real/virtual, é outro pior ainda.

Abraços,

Adalto Guesser.

-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de [EMAIL PROTECTED]
Enviada: quinta-feira, 4 de Setembro de 2008 9:14
Para: psl-brasil@listas.softwarelivre.org
Assunto: Digest PSL-Brasil, volume 47, assunto 6

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Message: 1
Date: Wed, 3 Sep 2008 16:10:08 -0300
From: "Glauber Machado Rodrigues (Ananda)"
        <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-Brasil] Info Online - Empresas 2.0 e desfecho
        infeliz no      post do Max Gonzales
To: "Projeto Software Livre BRASIL"
        <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
Message-ID:
        <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1"

2008/9/2 Pablo Sánchez <[EMAIL PROTECTED]>

> refere-se ao "Inclusive os que ainda pensam que tecnologia deve ser
> apenas usada como bandeira política, como os OLPCs e os pingüins que
> tomam a agenda de Brasília."?
>

Muitas proposições numa frase só. Não dá para saber se ele está colocando
todos os pinguins num saco só, ou se está criticando uma espécie de
pinguins.

Mas tudo que se mistura com o social é passivo de ser usado politicamente.
Se o que ele quer dizer é que a tecnologia deve ser usada de forma neutra,
concordo com ele (apesar de não ter entendido muito bem os exemplos).

-- 
Glauber Machado Rodrigues
PSL-MA

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Message: 2
Date: Wed, 3 Sep 2008 17:03:54 -0300
From: "Antonio Fonseca" <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-Brasil] Info Online - Empresas 2.0 e desfecho
        infeliz no      post do Max Gonzales
To: "Projeto Software Livre BRASIL"
        <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
Message-ID:
        <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1"

Não sei quanto a vocês, mas eu senti um pitada de preconceito e ranço na
afirmação.

Abraço,

2008/9/3 Glauber Machado Rodrigues (Ananda) <[EMAIL PROTECTED]>

>
>
> 2008/9/2 Pablo Sánchez <[EMAIL PROTECTED]>
>
>> refere-se ao "Inclusive os que ainda pensam que tecnologia deve ser
>> apenas usada como bandeira política, como os OLPCs e os pingüins que
>> tomam a agenda de Brasília."?
>>
>
> Muitas proposições numa frase só. Não dá para saber se ele está colocando
> todos os pinguins num saco só, ou se está criticando uma espécie de
> pinguins.
>
> Mas tudo que se mistura com o social é passivo de ser usado politicamente.
> Se o que ele quer dizer é que a tecnologia deve ser usada de forma neutra,
> concordo com ele (apesar de não ter entendido muito bem os exemplos).
>
> --
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Message: 3
Date: Wed, 3 Sep 2008 16:50:01 -0300
From: Julian Carlo Fagotti <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: [PSL-Brasil] Conscurso da Latinoware 2008
To: Projeto Software Livre BRASIL
        <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1"

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Message: 4
Date: Thu, 04 Sep 2008 01:28:51 -0300
From: Alexandre Oliva <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-Brasil] Info Online - Empresas 2.0 e desfecho
        infeliz no      post do Max Gonzales
To: "Glauber Machado Rodrigues \(Ananda\)"
        <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: Projeto Software Livre BRASIL
        <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset=utf-8

On Sep  3, 2008, "Glauber Machado Rodrigues (Ananda)" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

> Mas tudo que se mistura com o social é passivo de ser usado politicamente.
> Se o que ele quer dizer é que a tecnologia deve ser usada de forma neutra,
> concordo com ele (apesar de não ter entendido muito bem os exemplos).

A noção de neutralidade é uma grande falácia.  Como se diz, tecnologia
não é boa nem má, mas também não é neutra.  Ou, tipo assim,
neutralidade na pimenta dos outros é colírio.

Neutralidade absoluta não existe.  Quem defende a neutralidade está se
posicionando de forma favorável a uma idéia e contrária a outras,
portanto não está sendo neutro.

Praticamente tudo que se faz, se faz com algum objetivo, promovendo
alguma agenda.  Se é agenda política, social, comercial, etc, não
importa para avaliar se é neutra.  Tudo que se faz é favorável a algo
e contrário a outra coisa, mesmo quando se faz uso de uma tecnologia
que poderia, noutro contexto, ser usada para avançar ou conter uma
agenda diferente.

O argumento da neutralidade é normalmente utilizado para tentar anular
uma vantagem (pimenta) de um oponente, quando quem o usa colhe
vantagens de uma ausência de neutralidade noutro aspecto.  

É o que faz o artigo citado, usando essa falácia pra criticar o avanço
das políticas sociais embasadas no Software Livre para tentar
recuperar terreno para o império ultrapassado dos monopolistas do
software.

Estabelecido um monopólio (coisa que qualquer Software não-Livre faz),
acabou-se qualquer esperança de neutralidade: dali pra frente, seu
fornecedor estará em posição favorável em relação aos demais.  Daí o
clamor por neutralidade dos monopolistas ante o avanço da liberdade.

-- 
Alexandre Oliva         http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
Free Software Evangelist  [EMAIL PROTECTED], gnu.org}
FSFLA Board Member       ¡Sé Libre! => http://www.fsfla.org/
Red Hat Compiler Engineer   [EMAIL PROTECTED], gcc.gnu.org}


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Message: 5
Date: Thu, 04 Sep 2008 09:09:23 -0300
From: VALERIO KIKUCHI <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-Brasil] [OFF-TOPIC] Vendo Vaio
To: Projeto Software Livre BRASIL
        <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1"

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Message: 6
Date: Thu, 04 Sep 2008 09:14:11 -0300
From: VALERIO KIKUCHI <[EMAIL PROTECTED]>
Subject: Re: [PSL-Brasil] [OFF-TOPIC] Vendo Vaio
To: Projeto Software Livre BRASIL
        <psl-brasil@listas.softwarelivre.org>
Message-ID: <[EMAIL PROTECTED]>
Content-Type: text/plain; charset="iso-8859-1"

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Fim da Digest PSL-Brasil, volume 47, assunto 6
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