2008/12/8 Olival Gomes Barboza Júnior <[EMAIL PROTECTED]>

> (...)
> O "crime" que interessa aqui são as práticas predatórias de mercado.
> Na década de 60 aos anos 80 a IBM foi processada algumas vezes com
> base nas leis anti-truste dos EUA (e da Europa também, salvo engano).
> Um "crime" bastante similar ao da MS em termos de prejuízos ao então
> nascente mercado de TI.
>

Sim, eles devem também ser condenados por isso.


> E, mesmo com todo o auê sobre software "open source" (porque "software
> livre" é um termo que a IBM só utiliza no Brasil - isso qdo não
> resolve usar o confuso termo "código aberto"), você poderia apontar
> algum produto "major" da empresa que teve seu código liberado sob uma
> licença livre? Todos os "cash cows" continuam proprietários.


Você está confundindo as coisas de propósito, Olival? Eu por acaso disse que
o crime era fazer/publicar software proprietário? Por acaso você não conhece
o longo histórico da Microsoft e sua política suja? Eu posso te recomendar
pelo menos três livros somente sobre isso.


> Finalmente, um tema bastante afim à questão do software livre é o
> combate ao sistema de patentes atual. A IBM é uma das empresas


Relevante, quando mal usado


> recordistas em obtenção de patentes (bogus ou não) e utiliza seu
> licenciamento como linha de negócios (bastante rentável, por sinal).
> Curiosamente, nunca vi nenhuma crítica à empresa sobre isso, enquanto


Então você não leu nos lugares certos e de qualquer jeito a patente é um
meio sórdido e preocupante, mas não chega perto do que estou abordando. Você
parece estar confundindo o meio-campo de propósito, peço para que não mais
enverede a discussão por este lado.

Será que o movimento da MS "experimentando" tecnologias ou práticas
> típicas de FLOSS não é algo similar ao que a IBM fez nos últimos anos,


E por isso a IBM deveria ser perdoada? Não.

> Não posso ser "culpado" pelos atos de outros "ardorosos defensores do SL",
> > como obviamente você me taxa. Mas minha coerência segue a máxima: eu
> louvo
> > "o ato" e não a empresa. Só considero uma empresa louvável quando
> apresenta
> > um registro longo e consistente de colaboração com o software livre.
>

> Registro longo e consistente de colaboração com Software Livre pode
> coexistir com registro longo e consistente de apoio e venda de
> tecnologias proprietárias, "monetização" através de licenciamento de
> "propriedade intelectual", discurso inconsistente (afinal, é só pegar


Não, senão é inconsistente. Leia de novo: eu imaginava que "registro longo e
consistente" significasse claramente que a empresa não só faz coisas "a
favor" como não faz coisas contra.

Mas de qualquer jeito, software livre entrou na discussão de gaiato. Os
crimes da Microsoft são contra a sociedade em geral.

> E nem mesmo os atos supostamente louváveis da Microsoft acabam sendo.
> > Afinal, como disse o Antônio, nada sugere que ela não esteja usando o
> > familiar "Embrace, Extend and Extinguish".
>

> E o que você acha que a IBM fez ao doar boa parte do código de suporte
> a webservices ao projeto Apache? Sendo "boazinha" e compartilhando o
> conhecimento ou criando um padrão de fato que ensejaria um padrão de
> direito posteriormente? Vamos ler mais e prestar atenção à história,
> meu caro.


Ou eu não entendi o seu raciocínio ou o seu raciocínio está errado. A
Microsoft também contribuiu para melhorar o código de threads no apache pra
Windows, com isso ela colocou recursos novos incompatíveis com padrões ou
fatores que necessariamente amarrassem o apache à sua plataform ou, no caso
do Extinguish, algo para que o Apache saísse de cena? Não. Logo, esse caso
particular, assim como o da IBM com o webservices, não são, até onde sei,
condenáveis pelo EEE, *MAS* se algum detalhe me escapar e forem ambos, que
sejam reconhecidos devidamente como tal E as duas empresas paguem por isso.
Não estou sugerindo isenção de ninguém.


> > Repito: a Microsoft devia ser PUNIDA duramente. A empresa e os
> funcionários
> > que tiveram parte em seus crimes. Além disso, a mentalidade das pessoas
> > devia ser menos condolente com a Microsoft.
>

> Ok, então me diga quem foram os PUNIDOS duramente nos processos
> antitruste contra a IBM há coisa de 20 ou 30 anos atrás? Parece muito
> tempo? Os processos contra a MS surgiram uns 10 anos depois.
>

Não acompanhei. A impunidade contra uma empresa significaria que outra
deveria ficar impune também? Que falácia velha, Olival.


> A "mentalidade" das pessoas talvez devesse ser menos superficial e
> enxergar melhor como uns influenciam o destino de determinadas coisas
> com alguns "memes" (e códigos) bem plantados. Mantenha seus amigos
> perto e os inimigos mais perto ainda, diriam alguns.


E a mentalidade de pessoas como você deveria ser menos indulgente com a
Microsoft. Acho sinceramente uma vergonha isso; a empresa faz tudo que é
ruim e pior e nunca é reconhecida como a vilã que é, é considerada algo
próximo de 'perseguida' e 'incompreendida'. Tsc. É como se ser tão maligno
fosse algo tão inacreditável que ninguém quer acreditar.

E eu usei palavras carregadas - "ruim", "vilã", "maligno" - porque é
exatamente isso o que esse caso todo é. Um julgamento moral. Que por
incrível que pareça, pessoas como você não aceitam. É por quê isso? Por
causa do sucesso financeiro da empresa? Pela impressão ingênua que ela só
age como as outras, não sendo pior nem melhor?

Existem outras empresas que fazem coisas ruins - me vêm à mente a Adobe com
o dmitri sklyarov e a famigerada SCO. Mas dado o alcance, a quantidade e a
variedade, a Microsoft é de longe a pior.

Patola
-- 
de nada vale
erguer mãos e olhos
para um céu tão longe,
para um deus tão longe
ou, quem sabe? para um céu vazio.

(Carlos Drummond de Andrade, "Coisa Miserável")
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