A coisa é mais simples do que esta discussão começa a fazer parecer:

1- Empresas são feitas pelas pessoas que estão a frente das decisões. Crimes
de guerra também.
2- Qualquer empresa que se encontre na posição que a MS desfruta hoje em dia
(parecido com o que foi a IBM no passado) será alvo de críticas duras e
certamente terá cometido alguns grandes pecados para chegar ao topo.

Acho importante voltarmos ao ponto fundamental dessa discussão: a avaliação
das ações da MS com relação ao open source.

E como já afirmei aqui repetidas vezes, essas ações ainda são inconsistentes
e fortemente orientadas apenas ao resgate da imagem desgastada da companhia.
Isso quando não fazem parte da boa e velha estratégia do Embrace, Extend and
Extinguish.

No futuro quem sabe minha opinião possa mudar.


2008/12/9 Olival Gomes Barboza Júnior <[EMAIL PROTECTED]>

>
> Em 08/12/2008, às 23:25, Cláudio Sampaio escreveu:
>
>  Conheço um pouco, condeno os erros, louvo os acertos, mas não vejo uma
>> unidade tão consistente e escatologicamente concentrada no malefício à
>> sociedade como a Microsoft. De qualquer jeito, não acho que seja fácil
>> encontrar livros de denúncia sobre o histórico dessas empresas (fora o da
>> IBM no Holocausto, que acredito que seja suficientemente confirmado e não
>> mais controverso).
>>
>
> Não precisa procurar livros. É só ler as notícias sobre as empresas,
> conversar com quem é cliente delas ou mesmo com quem trabalha lá.
>
> A Oracle, por exemplo, tem aparecido frequentemente como "commiter" do
> Linux kernel ou mesmo apresentada como empresa que "abraçou" o Software
> Livre. Mas, não precisa ir muito longe pra entender até que ponto ela é
> "colaborativa" e qual a cultura "real" da empresa.
>
>  Bicho, isso é bastante fácil. De forma genérica, buscar comentários contra
>> patentes em fóruns de software livre é moleza. Exemplo (a maioria dos
>> exemplos aqui envolve patentes de software, lógico):
>>
>
> Acho que você não entendeu minha afirmação. Comentários genéricos contra
> patentes eu acho a torto e direito em fóruns de *qualquer* tipo. Eu estou
> falando sobre fóruns de Software Livre criticando a IBM por usar suas
> patentes como fonte de renda. Estamos falando de algo que rende mais de
> USD10bi pra empresa.
>
>  Não consegui achar da Sun, não sei se ela emprega suas patentes para
>> alguma coisa da forma das outras empresas. Sabe de algum caso?
>>
>
> Da Sun eu acho que o perigo mora em outro canto. O atual CEO passou um bom
> tempo apregoando os benefícios do Free Software. MAS, o FREE aqui é de
> GRÁTIS mesmo. Infelizmente, ele fazia questão de apresentar isso de uma
> forma que confundia sempre Livre com Grátis. Tenho trocentos podcasts com
> ele dando esse tipo de declaração. Sem falar na briga do Gosling com o
> Stallman, onde o primeiro se mostrou completamente clueless sobre o que é
> Software Livre (e fui a um evento onde ele demonstrou que realmente não
> sabia *nada* sobre o assunto, embora não se restringisse na hora de fazer
> críticas).
>
>  E não é isso que estou fazendo, mas há que se fazer a categorização
>> essencial de "certo" ou "errado". E o que a Microsoft faz é quase sempre
>> errado, MUITO errado, FUNDAMENTAL e propositalmente errado, como estratégia
>> de funcionamento, existência e crescimento.
>>
>
> Bom, parece que você já fez um pré-julgamento antes mesmo de olhar o que
> ela tem a oferecer hoje. Dizer que o que ela faz é "quase sempre errado" é
> algo muito "fundamentalista" na minha opinião, mas cada um tem direito a
> sua. :-)
>
>   O Antônio já não respondeu essa? "De acordo com o histórico da
>> empresa"... Ou você acha que ninguém deve aprender depois de ver o mesmo
>> golpe aplicado 500 vezes?
>>
>
> "De acordo com o histórico da empresa" a IBM deveria ter sido recebida com
> muuuuito mais desconfiança do que foi na época em que começou a se envolver
> com SL. Sinceramente, acho que isso só não aconteceu porque ela se
> posicionou claramente em oposição à Microsoft, que já havia ganho a pecha de
> "Império do Mal". Diga-se de passagem, até o início dos anos 80 essa "pecha"
> era invertida e a IBM era o gigante que esmagava tudo a sua frente (e que
> teria sido desafiada pela então pequena Microsoft).
>
>  Não sei analisar todas as áreas de cinza. Mas aí que está, a Microsoft
>> raramente faz algo tão dúbio assim; quando ela resolve atacar o software
>> livre, ataca frontalmente e com munição pesada, como falando das patentes
>> contra o software livre, taxando de câncer e semelhantes. Não há nem a
>> sutileza da dubiedade e é isso que me espanta, é o público e não o
>> ilusionista que fabrica essa suposta dubiedade.
>>
>
> Eu diria o seguinte, o histórico da empresa não é dos melhores, mas o
> histórico de gente como o Ray Ozzie é bem interessante. E se ele for mesmo
> dar as cartas ao menos como Chief Architect, talvez muita coisa realmente
> venha a ser diferente.
>
>  Peraí, você está mesmo defendendo a Microsoft explicando por que ela pode
>> usar armas piores e as outras não? Você quer alegar IGUALDADE pra ela
>> incluindo em seus argumentos algo que mostra que ela *PODE SER PIOR*? Você
>> está é provando meu ponto ao invés de contradizê-lo.
>>
>
> Em que momento eu "defendi" alguma empresa? Até o momento eu estou apenas
> dizendo que ela é mais cobrada por suas atitudes do que outras empresas.
> Onde *exatamente* eu disse que isso dava carta branca para ela fazer o que
> bem entendesse???
>
>  É exatamente isso que não entendo: como a Microsoft consegue manipular
>> mentes e corações para criar essa impressão falsa, absurda, de que ela é
>> mais vilipendiada que outras empresas não porque é pior, mas porque age
>> igual a todas as outras.
>>
>
> "Pior" aqui é muito subjetivo. Se você for cliente, digamos, Oracle, talvez
> você considere a empresa muito "pior" do que a Microsoft em determinados
> pontos de atuação.
>
>   Porque as outras não são tão malignas. Na verdade elas não são ignoradas,
>> se você googlar por aí você acha críticas contra praticamente qualquer
>> empreendimento comercial que quiser. Mas como a Microsoft é muito maior, ela
>> ganha muito mais vozes. Devia ser diferente?
>>
>
> Olha de novo o julgamento totalmente subjetivo aí. Se você tem como provar
> objetivamente que ela é "pior", beleza. Caso contrário, trata-se apenas da
> sua opinião. Se há quem não concorde, ao menos você deveria respeitar o
> ponto de vista alheio.
>
>  Não estou nem aí se o sistema capitalista em si é algo certo ou errado. O
>> que me interessa é que mesmo dentro de um sistema hipotético capitalista
>> ideal em que todo mundo possa viver feliz, a Microsoft ainda faz errado, age
>> errado, pela simples razão que, por mais que o objetivo de uma empresa seja
>> tão-somente ganhar dinheiro, para esse objetivo ela NÃO PODE CONTRARIAR A
>> LEI e NÃO DEVE FERIR A ÉTICA.
>>
>
> Certo. Me surpreende você considerar que as outras têm passe livre para
> tanto. Pois, no final das contas, ao "valorar" os atos "vis" de uma empresa
> em relação a outras, e estabelecer que "tudo o que a MS faz é pior", então
> você acaba "absolvendo" as demais.
>
>  20 anos não é tanto tempo. Se não devemos esquecer crimes de 70 anos atrás
>> da IBM, por que deveríamos esquecer os de 20 anos da Microsoft? Agora sou eu
>> que questiono seu tratamento desigual.
>>
>
> Não falei que nada devia ser esquecido. E você quer mesmo comparar
> assistência a GENOCÍDIO com práticas predatórias de mercado?
> Em todo caso, eu estava falando de crimes da IBM há coisa de 30 anos (época
> dos processo anti-truste dos EUA e Europa contra a empresa).
>
> Agora, na boa, eu acho que pelos parágrafos um pouco mais acima ficou claro
> que se trata de uma questão subjetiva. Eu realmente não consigo "valorar" de
> forma objetiva que o que a MS faz é "pior" do q as mesmas práticas usadas em
> outras empresas. Pra mim são todos anti-éticos e pronto. Não existe "mais"
> anti-ético ou menos. Ou você é ético ou não. E, neste ponto, a Microsoft tem
> condutas anti-éticas da mesma forma que a IBM, Oracle, Sun, SCO, etc. Não
> acho que se deve dar uma "aliviada" à MS, mas sim dar uma "pressão" maior
> sobre outras empresas. Especialmente aquelas que usam a "bandeira" do
> Software Livre como estratégia de marketing.
>
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