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Desculpe, vou tentar dividir as "threads" porque acho que além de
termos assuntos ortogonais, algum são maiores e mais densos do que
outros.

On 31-12-2008 14:50, Fabianne Balvedi wrote:
> 2008/12/26 Felipe Augusto van de Wiel (faw) <f...@funlabs.org>:

[...]

>>        O segundo ponto acho que é exatamente a sua preocupação,
>> e se refere à ideologia por trás da licença.
>>
>>        No entanto, a ideologia da CC internacional me parece ser
>> legítima. Em particular, eu entendo que houve um claro conflito de
>> idéias e ideais no FISL8, em especial com relação à CrieiTiveComo
>> (CTC), todavia, em alguns pontos, me parece que a CrieiTiveComo e
>> a Creative Commons não compartilham 100% de ideais, idéias, ações,
>> posturas e opiniões.
>
> bem, o conflito é ainda mais punk do que você imagina, pois ele não é
> tão bem definido como você cita acima. O CTC tanto é festival
> do FISL promovido pela CC-br, quanto é um movimento independente
> não institucionalizado que luta pela cultura livre. Mas foi dentro deste
> último ambiente que este nome surgiu, um ambiente que, apesar de ter
> "utererizado" o nome Creative Commons para CrieiTiveComo,
> tem sérias críticas a foma como o CC é gerido e difundido.
> Ou seja, um fork brasileiro do CC, mas que o CC-br ainda tenta
> a todo custo que não seja, pois quer poder usar o nome também.

        OK, esta parte é realmente confusa, obrigado por esclarecer.
Particularmente, sugiro que vocês escrevam isso mais claro, se serve
a "Crítica Construtiva", eu achei o site crieitivecomo.org um tanto
quando "bagunçado". :-)   Seria legal ter mais detalhes sobre como
surgiu e os problemas que vocês estão enfrentando neste sentido.


> O problema todo começou quando pediram ao Balbino se poderiam
> usar esse nome pro festival no FISL. Entenda que até este momento,
> ainda achávamos que a galera do CC-br era ética, então ele aceitou
> numa boa o pedido. Só que quando realizaram o primeiro festival,
> a coisa desandou. Além de não convidarem nem o próprio Balbino,
> fecharam totalmente o código do mesmo, em vários sentidos:
> não compartilharam com a comunidade o seu desenvolvimento,
> fizeram curadorias extremamente excludentes e a grande maioria
> dos artistas selecionados usava somente software proprietário para
> desenvolver suas obras, inclusive as interativas que estavam
> em exposição no estande do FISL. Na segunda edição, a coisa
> degringolou de vez, com um VJ/DJ fazendo o show de encerramento
> do FISL usando software de performance realtime proprietário e a notícia
> de que o nome CrieiTiveComo havia sidor registrado pela CC-br
> sem a anuência de quem teve essa grande sacada, o Balbino
> (http://www.estudiolivre.org/tiki-browse_freetags.php?tag=balbino)

        O Balbino ou os responsáveis entraram na disputa pela marca?
        Discutiu-se isso com os responsáveis pela CC-br?
        O tema foi levado à CC?

        Acho importante que um projeto que procura dar crédito e
ferramentas às pessoas seja confrontado quando não age da forma
esperada. Talvez essas informações já estejam documentadas mas
confesso que não as encontrei no crieitivecomo.org.

        Em especial, acho que o FISL também não deveria apoiar
o uso do CrieiTiveComo se a marca está sendo disputada, muito
provavelmente isso deveria ser levado à ciência do temário.

        Quando discutimos sobre a presença do Festival CTC no
FISL8 e falamos sobre o uso de Software Proprietário, acho que
há alguns pontos que *devem* ser questionados para um Festival
de Software Livre como o FISL mas que estão em outro campo com
relação ao uso pessoal.

        Imagine um artista usar um software proprietário para
fazer seu trabalho que estará sob uma licença livre. O trabalho
dele é pior do que o dos outros porque ele prefere usar um
software X? Ou o trabalho dele deve ser denegrido porque ele
usou a ferramenta que ele sabe usar? Recentemente, o Ted Tso
publicou em seu blog que no início do Linux ele fazia palestras
usando o MS PowerPoint e era duramente criticado, mas ele fazia
isso porque não havia alternativa livre na época e porque assim
ele podia transmitir melhor a informação que queria, e o Ted
usa, cria e divulga software livre. :-)

        Na outra mensagem eu disse que comparando as licenças
elas seriam igualmente boas (CC-BY e FAL), quando falamos do
trabalho final sob uma licença livre, ignorando as ferramentas
usadas e adotando padrões abertos (a pessoa pode usar uma
ferramenta proprietária e ter o arquivo num formato compatível)
então não acredito que o trabalho de um deva ser preterido ao
de outro, as pessoas levam tempo pra se adaptar e pra conseguirem
mudar.

        É claro, no caso do FISL, procurar por artistas que
optem por Software Livre também no processo criativo é *vital*,
mas novamente é ortogonal ao outro ponto. Questionar essas
ações são parte _fundamental_, mas não acho que deva-se
desencorajar o uso de licenças CC por outras desavenças, ou
ainda, que os artistas que ainda usam Software Proprietário
para fazer trabalhos livres devam ser vistos com maus olhos
(ou combatidos).


>>        A questão é que quando você se refere à ideologia, de qual
>> ideologia você está falando *exatamente*? A CC brasileira parece
>> estar bem desatualizada, só vi a tradução da versão 2.5, e o CTC
>> não parece alinhado com o CC (pelo menos, não com o internacional).
>>
>>        Em termos práticos e no que tange o licenciamento dos
>> trabalhos enviados à Campus Party, a CC-BY é muito boa para e eu
>> diria que a CC-BY-SA é equivalente nos termos à FAL. Talvez tenha
>> faltado ser mais incisiva e direta, particularmente eu também não
>> gosto da história toda por trás da CTC e de como alguns pontos
>> evoluíram no Brasil com relação à CC, mas eu gosto bastante do
>> trabalho desenvolvido pela CC Internacional.
>
> Bem, aí entramos fundo na filosofia, seara em que é difícil sintetizar
> idéias sem tirar-lhes a essência.
>
> Por isso, recomendo que se leia em especial estes textos aqui:
>
> http://crieitivecomo.org/wikka.php?wakka=compromissoanticc
> http://remixtures.com/2007/01/copyright-copyleft-e-as-creative-anti-commons-parte-i/
>
> para que então se possa debater com mais conteúdo.
>
> uma pequena amostra crítica: o CC fala muito de,
> e inclusive defende, a "propriedade intelectual",
> enquanto o movimento do software livre, por exemplo,
> sabe, ou deveria saber, que o uso deste termo é uma farsa:
>
> http://www.gnu.org/philosophy/not-ipr.pt-br.html

        Não acho que as listas nos darão a mobilidade e dinâmica
necessária para debater o tema, minha humilde opinião é de que o
Copyright é parte importante do processo de licenciamento que
permite que usemos licenças de Software Livre e que permite que o
Copyleft proteja o autor mas garanta a liberdade de outros.

        Há um processo de amadurecimento em andamento, o Copyright
tem uma longa história em nossa sociedade, não dá pra simplesmente
rasgar a Convenção de Berne e jogar fora as reuniões da WIPO,
aprender a usá-lo em nosso favor me parece uma ação mais concreta
e real para o momento, até que seja possível questionar os
fundamentos e mudá-los profundamente. :-)


>>        Odeie o jogo, não o jogador. :-)
>>        Ou, na versão mais espiritual: "Odeie o pecado, ame o pecador".
>
> Concordo contigo. Mas penso que CC, CTC ou qualquer outra sigla
> não seja nem o jogo, nem os jogadores, mas sim as peças... ;-)

        As siglas sim, mas siglas não têm ética e você questionou
éticas e ações por trás das siglas. :-) 

Abraço,
- --
Felipe Augusto van de Wiel (faw)
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