Srs, agora fiquei mais curioso ainda...

Ok, vamos partir da premissa que o Software Livre não é compatível com
o Capitalismo. E quando fazemos essa afirmação, subentende-se que o
mesmo seja compatível com outro sistema de governo(pelo menos essa é
minha expectativa...).

Nesse escopo, registro minhas dúvidas.

1. Com qual sistema de governo ele é compatível?
1.1. Como funciona este sistema de governo e principalmente aonde está
esta compatibilidade?
1.2. Em que países ou regiões tais sistemas estão em operação? Ou já
estiveram em execução?


 []s Bruno Salgado

2009/1/17 Roberto Parente <betim.pare...@gmail.com>:
> Sei que já faz alguns dias que a discussão esfriou, mas gostaria de dar um
> pequeno pitaco...
>
> Eu concordo que o Software Livre não é compatível com o Capitalismo e etc.
> Não se pode viver livremente num mundo que não existe liberdade (democracia
> não é ter direito a voto, mas isso é outro debate). Isso pode ser debatido
> posteriormente, pois minha intenção não é jogar lenha na fogueira.
>
> A minha questão é mais nessa do "ponto de encontro", pois acho que isso é um
> equívoco colocada. Acho muito complicado chegarmos a um consenso de que
> podemos juntar forças em prol do Software Livre (é até um discurso bem
> pós-modernista que "todos juntos iremos melhorar o mundo").
>
> A questão é a seguinte: Vamos supor dois caras que acham o SL legal, um
> gosta do mercado e vê o SL como uma forma de redução de seus custo,
> avanço/melhorir rápida de tecnologias, etc, o outro vê o SL como forma de
> possibilidade da apropriação tecnológica pelas camadas mais populares. Então
> a forma que as ações caminharão serão bem distintas e entrarão em choque
> (isso acontece geralmente quando temos flammes gigantescos sobre "pequenas"
> questões), pois são duas formas de ver e organizar sua militância.
>
> Não nos iludamos que o SL irá juntar as diversas formas de pensar, pois não
> dá. Sempre teremos o enfrentamento de visões e disputas de como guiar o
> movimento.
>
> Hoje o movimento SL é em boa parte cooptado pelo sistema capitalista (lembro
> de um relato de um desenvolver que falava "quando alguém reclama ninguém faz
> nada, mas deixa uma red hat reclamar que é gerado patch rapidim"). A
> observação do Banto também foi excelente, tinha notado a poucos dias que meu
> computador antigo não rodava os gnomes+apps mais novos (fica com espaço
> minúsculo para trabalho) em resolução 800x600, mas sempre dizemos que o SL
> roda em máquinas velhas (sim roda, mas rodar != de trabalhar de fato).
>
> Então acho que ainda temos muito o que aprofundar de debate político e
> melhorar muito nossa consciência/formação política. Isso gera problema que
> as vezes entramos no senso comum do "isso não está no escopo da lista"
> (forma virtual de dizer "não gosto de discutir política").
>
> Abração,
> Roberto Parente
>
> 2009/1/12 rafael <rafaelcro...@gmail.com>
>>
>> Concordo...
>>
>> Julian Carlo Fagotti escreveu:
>> > Software livre é um ponto de encontro
>> >
>> >
>> > Movimentos sociais existem enquanto houver reivindicações. Que são
>> > várias. No movimento popular, de moradia por exemplo, quando é feita
>> > uma ocupação de terra tem todo tipo de interesse, desde quem só quer
>> > um lugar para morar, até gente com "idéias capitalistas" de ocupar um
>> > área e depois vendê-la, passando por partidos políticos.
>> > É a característica diferente de partido político e movimento social.
>> > Num partido político, em tese, os correligionários comungam as mesmas
>> > das idéias sobre meios de produção, papel do Estado, República,
>> > Democracia, etc.
>> > Num movimento social como o software livre cabe alguém procurando
>> > emprego, uma empresa (capitalista) procurando mercado, partidos
>> > políticos com referências libertárias, e/ou de esquerda (socialistas,
>> > sociais democratas), anarquistas, Ong,s, agentes de governo, grandes
>> > empresas multinacionais de hardware, querendo diminuir a conta de
>> > software da informática, empresas de software com modelo de negócios
>> > baseado em agregados do software (propaganda ou serviços),
>> > revolucionários, reformistas, republicanos e democratas radicais,
>> > militantes da democratização do conhecimento (cultiura, software,
>> > inclusão digital).
>> > O movimento precisa... movimentar! Precisa priorizar o que nos une e
>> > não o que nos separa. Então, se tem capitalistas que querem reformar o
>> > capitalismo atrvés de software livre, ou socilaistas que veem (isto
>> > tinha acento antes) no Software livre uma movimento de criação de uma
>> > nova sociedade, eles tem que estar juntos, até... Este problema
>> > aparecer definitivamente daqui a... uns 10 anos, 50?!
>> > O software livre deixou de ser um movimento retórico, já existe na
>> > vida das pessoas, já tem gente qe vive disto, já reune milhares de
>> > pessoas em eventos, mas ainda não tem força para suficiente para
>> > suplantar o modelo proprietário. Quando talvez tivermos 20% da base
>> > instalada nos meios de produção, este debate seja uma preocupação da
>> > sociedade. Por enquanto serve para cada um de nós expor o que
>> > pensamos, e nos agruparmos por afinidades ideológicas, mas temos que
>> > evitar que estes grupos se percam na disputa interna e implodam o
>> > movimento.
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Julian Carlo Fagotti
>> >
>> > CELEPAR - informática do Paraná
>> > Assessoria para Assuntos Institucionais
>> > e Relações com a Comunidade
>> >
>> > 55 41 3350 5519
>> > 55 41 9206 8451
>> >
>> >
>> >
>> > Em 12/01/2009 às 10:36 horas, psl-brasil@listas.softwarelivre.org
>> > escreveu:
>> >
>> >
>> >     para mim o capitalismo sempre esteve muito ligado ao tempo...
>> >     não é importante tanto a produção e sim o resultado dela, os
>> >     seus privilégios a partir do acumulo e da exploração. creio
>> >     que por um tempo o software livre questionou esse tempo e
>> >     propondo outras formas de relações sociais ligados ha um
>> >     modelo de produção. não vejo mais o software livre assim,
>> >     ele estão renovando o capitalismo.. que hoje deixa de ser
>> >     propriedade para ser direito de uso, em tudo. o debian ainda
>> >     resiste, e evitar essa velocidade guiada pelo consumismo
>> >     desenfreado.
>> >
>> >     detalhes, tipo, de alguns dialogos no gnome e no kde que não
>> >     cabem mais em resolução de 800x600, que me obrigado trocar a placa
>> > de
>> >     vídeo, por sua vez a placa mãe, processador, todo computador..
>> >     sim, para a placa de vídeo que suportar "1280x800" do monitor
>> >     lcd widescreen tem suporte.. e assim o tempo capitalismo vao
>> >     nos empurrando para o consumo... olha para onde esta indo o
>> >     libc e pouco se falam em uClibc
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >     On Sun, 11 Jan 2009 23:55:59 -0200, rafael
>> >     <rafaelcro...@gmail.com> wrote:
>> >     > Ola Pessoal,
>> >     >
>> >     > Não posso escrever muito no momento, pois este é um assunto que
>> >     > pretendo um dia elaborar com calma, e antes de fazê-lo preciso
>> >     ler uma
>> >     > boa bibliografia que encontrei na Internet discutindo essa
>> >     questão. Tem
>> >     > muita coisa discutindo o socialismo e o SL, é so dar uma busca.
>> >     Vou ver
>> >     > o que escrevo em 5 minutos...
>> >     > De uma forma estrita, o Software Livre tal qual ele existe não
>> >     > encerra uma contradição necessariamente antagônica com o modo de
>> >     > produção capitalista na fase atual em que o vivenciamos (onde os
>> >     > monopólios já detêm um domínio quase absoluta de todas as esferas
>> > da
>> >     > vida humana). Existe espaço no capitalismo para um SL domesticado,
>> >     > privado das consequências mais radicais da aplicação das idéias
>> > que o
>> >     > geraram.
>> >     > É um caso análogo ao fenômeno das cooperativas. Apesar da forma
>> >     > cooperativada de trabalhos, pressupondo os trabalhadores como
>> >     > proprietários diretos de seus meios de trabalho, seja uma negação
>> > da
>> >     > propriedade capitalista dos meios de produção (onde o trabalhador
>> > não
>> >     > tem os meios de produção, só sua força de trabalho), percebemos
>> > como
>> >     o
>> >     > sistema utiliza as cooperativas até para ser oxigenado.
>> >     > Quem quer que tenha trabalhado em uma cooperativa no Brasil hoje,
>> >     > sabe o quanto não se pode avançar muito, pois você é uma ilha
>> > cercada
>> >     > por um oceano que é esse sistema capitalista de concentração de
>> >     riquezas
>> >     > . Infelizmente no Brasil, a maioria das cooperativas existem como
>> > uma
>> >     > estratégia de terceirização, os famosos coopergatos, apenas para
>> > não
>> >     > pagar os direitos da CLT. Uma subversão total da idéia inicial.
>> >     > Tenho o mesmo sentimento com relação ao SL. Acho que apenas
>> > andamos
>> >     > na ponta do iceberg e que dentro do capitalismo nosso movimento
>> > não
>> >     > existirá plenamente, resistirá com avanços, mas retrocessos. Eu
>> > sou
>> >     dos
>> >     > que pensam que a comunidade do SL deveria se afastar
>> > conscientemente,
>> >     > pese todas as dificuldades das grandes corporações que não são
>> > "evil"
>> >     > ...
>> >     > A crise que vivemos hoje é uma crise de transição de modo de
>> >     > produção. O Capitalismo sofre graves contradições internas, vc
>> >     apontou
>> >     > uma, a concorrência entre os capitalistas por engolir-se o que
>> > impede
>> >     > uma planificação da produção econômica.
>> >     > Outra, a principal, é que cada vez mais a produção é social e a
>> >     > apropriação das riquezas produzidas é privada. Uma dada
>> > mercadoria,
>> >     por
>> >     > exemplo, pode passar por mais de um país (por muitos
>> >     trabalhadores) no
>> >     > seu processo de produção, de tal forma que toda a humanidade fica
>> >     cada
>> >     > vez mais interligada. Seus problemas são cada vez problemas mais
>> >     comuns.
>> >     > E cada vez mais, meia dúzia de empresas controla uma parte maior
>> >     dessas
>> >     > riquezas geradas socialmente. Já no desenrolar desta crise o
>> >     movimento
>> >     > de concentração é gigante. Os tubarões engolindo os tubarões...
>> >     > Para mim, a contradição entre SL e Software proprietário é mais
>> > uma
>> >     > manifestação da mesma contradição entre os sem terras e os
>> >     > latifundiários, entre os donos das fábricas e seus operários...
>> >     > Bom, foi o que deu para escrever em 5 min...
>> >     >
>> >     > Para uma análise mais detalhada da atual crise e porque sua
>> >     definição
>> >     > como uma crise de transição, sugiro o link (site em SL):
>> >     >
>> >     >
>> >
>> > http://inverta.org/jornal/no-instante/especial/crise/a-crise-do-capital-e-o-fim-da-hegemonia-mundial-dos-eua
>> >     >
>> >     > Rafael
>> >     >
>> >     >
>> >     > Marcel escreveu:
>> >     >> Bruno Salgado wrote:
>> >     >>>>> Para mim o software livre é incompatível com o capitalismo.
>> >     >>>>>
>> >     >>>> Pode elaborar?
>> >     >>>>
>> >     >>>
>> >     >>> Fiquei MUITO curioso tb...
>> >     >>>
>> >     >>> []s Bruno
>> >     >>>
>> >     >>>
>> >     >>> 2009/1/10 Alexandre Oliva <lxol...@fsfla.org>:
>> >     >>>
>> >     >>>> On Jan 10, 2009, rafael <rafaelcro...@gmail.com> wrote:
>> >     >>>>
>> >     >>>>
>> >     >>>>> Para mim o software livre é incompatível com o capitalismo.
>> >     >>>>>
>> >     >>>> O nosso movimento é um movimento social, sem dúvida, e muitas
>> >     vezes
>> >     >>>> encontra força na esquerda, mas isso não quer dizer que seja,
>> > por
>> >     >>>> exemplo, socialista. Segundo consigo ver, o movimento Software
>> >     Livre
>> >     >>>> não é antagônico a sistema econômico ou político algum.
>> >     >>>>
>> >     >>>> Embora capitalismo de sucesso seja aquele em que não se formam
>> >     >>>> monopólios e não se concentra o poder (econômico ou qualquer
>> >     outro)
>> >     >>>> nas
>> >     >>>> mãos de poucos, o capitalista de sucesso é aquele que alcança
>> >     >>>> monopólio
>> >     >>>> e concentra poder. É uma das minhas contradições favoritas a
>> >     >>>> respeito
>> >     >>>> desse sistema.
>> >     >>>>
>> >     >>>> Há contradições semelhantes em diversos outros sistemas. Nenhum
>> > é
>> >     >>>> perfeito, nem poderia ser, porque seria implementado por
>> >     humanos, que
>> >     >>>> são imperfeitos.
>> >     >>>>
>> >     >>>> Gostaria de entender melhor por que você considera que a
>> >     garantia do
>> >     >>>> livre mercado de serviços sobre software, que é uma das
>> >     >>>> conseqüências
>> >     >>>> positivas das 4 liberdades, é incompatível com o capitalismo.
>> > Como
>> >     a
>> >     >>>> comoditização de produtos, à medida que, por pressão de
>> >     >>>> concorrência
>> >     >>>> nesse livre mercado, o preço do licenciamento vai se
>> >     aproximando do
>> >     >>>> custo marginal de replicação e assim tendendo a zero,
>> >     direcionando o
>> >     >>>> foco comercial aos serviços, é incompatível com o capitalismo?
>> >     >>>>
>> >     >>>> Pode elaborar?
>> >     >>>>
>> >     >>>> Valeu, {}s,
>> >     >>>>
>> >     >>>> --
>> >     >>>> Alexandre Oliva http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
>> >     <http://www.lsd.ic.unicamp.br/%7Eoliva/>
>> >     >>>> You must be the change you wish to see in the world. -- Gandhi
>> >     >>>> Be Free! -- http://FSFLA.org/ FSF Latin America board member
>> >     >>>> Free Software Evangelist Red Hat Brazil Compiler Engineer
>> >     >>>>
>> >     >>>> _______________________________________________
>> >     >>>> PSL-Brasil mailing list
>> >     >>>> PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
>> >     >>>> http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil
>> >     >>>> Regras da lista:
>> >     >>>>
>> >
>> > http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
>> >     >>>>
>> >     >>>>
>> >     >>>>
>> >     >>>
>> >     >>>
>> >     >>>
>> >     >>>
>> >     >>
>> >     >> Fiquei MUITO curioso tb...[2] pela resposta :D
>> >     >>
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