Boa noite,

    Eu crente que iria voltar e ter mais umas 5 respostas no máximo, mas
putz pense num assunto que esta gerando MUITO volume de dados trocados, mas
á idéia é essa mesma trocar idéias e gerar ações mais concisas.

    Vou tentar abordar primeiro os pontos mais fáceis, depois entro no mais
cabeludos...

    Everton, irei sim para o Fórum Social Mundial. Lógico que estaremos lá
:-)
    Bruno Salgado, Eu não entendi onde você não se sentiu contemplado, pois
o rafael já respondeu a suas perguntas logo na intervenção dele depois que
eu tive que me ausentar. Acho que ele explicou de forma interessante, melhor
do que eu conseguiria :-)

    Glauber,  o pessoal do MST não acredita que a reforma agrária seja
possível dentro do capitalismo. O motivo disso dar-se pela questão
fundamental do sistema: concentração de dinheiro/poder/etc. Podemos sim hoje
fazer uma redistribuição de terras, mas sempre terá o lascado que terá de
vender a sua terra para o futuro latifundiário e assim retonaremos a questão
dos latifúndios. Acredito que como a reforma agrária é o S.L. (no quesito de
incompatibilidade), pois ambos quebram a lógica da propriedade privada. O
Software Livre é nada mais que um rompimento da lógica de que "isso é meu e
não seu" para "isso é nosso, e compartilhemos" isso é totalmente
incompatível com a lógica da propriedade privada.

    Essa idéia de  "sociedade do conhecimento", na minha opinião, nada mais
é do que um grande marketing e uma investida para a mercantilização do
conhecimento e tornar esse como propriedade privada (Por mais que o Oliva se
debata dizendo que Conhecimento não é propriedade :-P). O Software Livre,
Cultura Livre, Ciência Aberta e todos os outros movimentos sociais que
reivindicam o "Conhecimento Livre" não consegue sobreviver em sua plenitude
dentro do sistema capitalista, pois a idéia é de acumulação de muito na mão
de poucos. Dessa forma, a mercantilização do conhecimento é um processo de
privatização deste, algo natural do capitalismo e contrário as idéias do S.L
(idéias, não as 4 regrinhas).

    Por outro lado, se formo observar a evolução do S.L. e as argumentações
contrárias a ele, é interessante vermos que o pessoal taxava de "é coisa de
comunista" e etc (lógico que nessa linha eles misturam comunismo com
socialismo e com a aberração chamada stalinismo - interessante é ver essa
mistura que o Eric Raymond faz no Revolution OS), pois ele já notavam isso,
mas com o passar do tempo o mercado financeiro de empresas de TI vinha
rachando por causa do S.L. então eles tinham que criar mecanismo de controle
desse forte movimento, dai surge mercantilização do S.L, o opensource (no
texto do inverta tem mais sobre isso).

    Quanto ao texto da Wikipédia que você coloca como a contradição de falar
que os trabalhadores seriam para sempre lascados, que eles vão atrás do
conhecimento, que têm bons salarios e etc. Isso é normal quando o mundo fica
mais interconectado. Antes se falava de desigualdade e classes dentro de
países e suas diversas consequências interna, mas hoje essas relações passam
para uma esfera planetária.
     Por exemplo, podemos olhar paises como Suíça e CIA, eles podem ser um
bom local para viver sem algumas mazelas da sociedade. Porém, as relações
são transferidas para a periferia do sistema (basta ver o exemplo da aracruz
celulose), hoje não vemos mais empresas americanas "escravizando" nos
próprios EUA (eu sei que ainda tem), pois elas foram para a Africa, China ou
diversos outros países (Ver filme "The Corporation") e deixaram a parte mais
criativa e intelectual em seus paises.
     O vídeo "A história das coisas" [1] comenta isso de forma sutil, os
países para evitar que sua população seja afetada com as mazelas, passam a
explorar outros locais. Basta observarmos que no Brasil não temos fábrica de
carros e sim montadoras, não participamos do processo intelectual e sim
somente da montagem.

"Cada vez mais os processos produtivos estarão mais automatizados eficientes
e reutilizáveis; fazendo uso alternativo de tudo que é possível, acabando
com o problema da escacez. Não haverá motivo para haver excluídos. Os seres
humanos serão remanejados para outras atividades mais ligadas à educação,
lazer, etc..."

    Isso também só seria possível novamente com a mudança de sistema (já
estou me sentindo o cético chato), pois em vez de utilizarmos a tecnologia
para melhorar a vida do ser-humano (sim, tem melhorado), o sistema a utiliza
de modo que aumente a eficiência dos empregados e consequentemente gere mais
riquezas.
     Um exemplo disso: anos atrás o pessoal tinha o seu horário de trabalho
mais fixo, com o advento das tecnologias/Internet quem não é "escravo" do
seu trabalho, agora as coisas chegam por email a qualquer hora e dia, não
existe mais aquela idéia de que somente no local de trabalho. Essa evolução
tecnológica melhorou muita coisa, mas para pouquíssimas pessoas, quem tem
acesso e outros questionamentos são rapidamente pensados.
      Outro exemplo: Em vez de um trabalhador ficar 8h em total eficiência,
ele poderia ficar 4h e outro 4h., pois com a ajuda das tecnologias essas 4h
seria mais eficiente do que as 8h anteriores, mas isso gera custos para o
empresário e isso não é saudável para as empresas...

    No mais acho que o Rafael tem explicado outros pontos que não comentei.
Vamos que vamos que o debate está bom, acho que já escrevi demais e acabei
escrevendo várias coisas fora do escopo, tentemos voltar ao assunto :-)

Abração,
Roberto Parente

[1] -
http://br.youtube.com/watch?v=jROc509oYkw
http://br.youtube.com/watch?v=lDED73H3CHc
_______________________________________________
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