Salve, Valerio,

On Feb  3, 2009, VALERIO KIKUCHI <vkiku...@acasadolinux.com.br> wrote:

> Dá prá notar sua ansiedade para que todo mundo use o que é melhor

Não é bem por aí.  Meu esforço é para que todo mundo perceba o problema
social do Software não-Livre, e os danos que esse problema causa à
sociedade.  O "usar o que é melhor" é só uma consequência.

> 1- como fazer uma empresa de Assessoria de Imprensa trabalhar se ela usa
> softwares de conexão entre os jornalistas que está desenvolvido em ASP, o
> front-end e em VB os aplicativos?

1. Reconhecer o problema (ainda é aqui que estamos trabalhando)

2. Planejar os vários passos da solução a longo prazo.

3. Implementá-la conforme o plano e as surpresas que forem aparecendo.

> 2- como uma agência de publicidade vai "se virar" sem softwares em Apple e
> Windows, para fazer sua peças? Não venha me dizer que dá prá fazer
> "igualzinho" que não dá não. Dá prá fazer algo que seja "um pouco" parecido,
> mas não dá pra vender p/ a VW ou a Gol.

Não entendo nada do assunto, mas os passos pra solução são os mesmos

> 3- como um empresário pode usar seu ERP que ele acabou de comprar (ou o usa há
> um ou dois anos) e  precisa da estação Windows?

Ele bem que podia encarar isso do mesmo jeito que um empresário que
acabou de comprar mais um escravo quando foi exposto à idéia de
abolicionistas.  Não que haja semelhança entre os papéis do empresário
nos dois casos (vítima ou feitor), mas uma vez que ele reconheça que é
um problema, que há liberdades fundamentais sendo cerceadas (dele e de
outros), o moralmente correto é trabalhar para que prevaleça a
liberdade, com toda a presteza possível.

Dito isso, continuar a usar Software não-Livre, sem induzir outros a
fazê-lo e sem alimentar o monstro, não é problema social, não escraviza
mais ninguém, só causa danos ao próprio usuário.  Assim, o nível de
urgência para parar de dar tiros no próprio pé é algo que o empresário
pode gerenciar com um pouco mais tranquilidade, em que pese o risco de o
problema "desaparecer" por decisão unilateral do fornecedor.

> 4- Como fazer a equipe de vendas de uma média/grande fábrica integrar os seus
> sistemas CRM / ERP e seus hand-helds com agendas, telefones, VoIP no celular,
> e outras facilidades?

Do mesmo jeito que fazem hoje?

> 5- como fazer um simples agente de correio eletrônico, como o Evolution e o
> Thunderbird rodar sem travar e sem perder dados?

Muda pro Gnus :-)

Ou invista (tempo ou dinheiro) pra que esses dois sejam corrigidos :-)

Melhor isso que ficar usando software (bugado por definição) sem ter a
opção de corrigir.

> EU NÃO SEI mexer no código, entende?

Mais uma razão pra querer 4 liberdades:

#2 pra entregar, do jeito que recebeu, o código pra alguém que saiba

#1 pra ele estudar os fontes e adaptá-los pras suas necessidades

#3 pra ele distrbuir as melhorias pra você

#0 pra você usar o software pra qualquer propósito

> PERDER DADOS é uma VERGONHA

+1

Você por acaso lembra os números dos bug reports que você mandou ou
encontrou a respeito?

> EU SEI que dá para fazer tudo no Linux DEPOIS de desenvolvermos tais
> facilidade e aplicativos.

Dá não.  Precisa de um sistema operacional inteiro.  Só com um kernel
não dá pra fazer muita coisa.  Já dizia o Linus Torvalds quando lançou o
Linux, recomendando o GNU pra completar o sistema.

:-)

> Veja bem: DEPOIS de fazermos os aplicativos, entende?

Você acha mesmo que tem chance de a gente resolver todos os problemas do
mundo fazendo o trabalho a gente mesmo?

Eu sou um otimista, mas acho que não.  Acho que a estratégia correta é
ajudar as pessoas a verem o quão indesejável o software que as
desrespeita é, o quanto elas perdem através do modelo de escravidão
digital vigente, e ajudá-las a ver o que ELAS podem fazer pra melhorar.

É claro que não dá pra uma pessoa sozinha refazer ou contratar o
desenvolvimento de um grande aplicativo inteiro, do zero.  Precisa
formar comunidade, consórcios, o escambau, pra que os usuários, JUNTOS,
unam forças pra contratar o desenvolvimento do substituto pro software
que traz problemas pra eles.  Problemas, sim, se não de curto prazo,
certamente de longo prazo.

"Ah, mas eles não querem, não ligam"

Então nossa missão é ajudá-los a quererem, ligar os pontos pra que
percebam o quanto estão perdendo sem perceber, seja em custos diretos
(não só dinheiro vale dizer), seja em custos de oportunidade.

> estações que ainda carecem de MUITO trabalho para ficar de fácil
> utilização.

Carecem de muito trabalho pra parecerem familiares a usuários
acostumados com o Windows.  Mas será que esse é um alvo importante ou
desejável?

Há diversas evidências por aí de que um desktop GNU/Linux típico, hoje,
é de utilização MAIS FÁCIL que o MS-Windows.  Exceto pra quem já tá
poluído com a mentalidade Windows e procura algo "igual, mas diferente".

Será que é por aí que a gente deve ir?  Será que não é mais inteligente
fazer como a própria Microsoft tem feito com tanta inteligência
estratégica: investir nas próximas gerações?

Não que esta esteja perdida, mas ensinar novos truques pra um cachorro
velho é bem mais difícil.  Precisa ver minha filha de 5 anos usando
GNU/Linux.  Nunca usou Windows na vida.  Vai achar mais fácil de que
jeito?

> O que escrevo é que precisamos DESENVOLVER facilidades, conexões,
> aplicativos, interfaces, etc...

Precisamos estar disponíveis pra desenvolver, prontos pra quanto caírem
fichas e quiserem nossa ajuda pra resolvermos os problemas deles.

90% do software desenvovido é desenvolvido pra cliente específico.  A
maioria disso é entregue com código fonte e tudo.  É o que gera a maior
parte do faturamento do ofício de software, e é um modelo de negócio
perfeito para Software Livre.  Não precisamos ter solução pronta pra
tudo.  Precisamos ajudar os usuários a perceberem e viabilizarem o
desenvolvimento de soluções Livres pra eles.  Esse é o desafio.

> DEPOIS disso, somente depois é que podemos "malhar" o povo, entende?

Nah.  Malhar as vítimas não faz nem sentido.  Temos sim que malhar os
agressores, mas não tanto que as vítimas achem que nós somos os maus ;-)

> E só não usam por terem receio do "novo" ou por ter tudo pirata, e como lhes
> escrevi, R$ 1,00 de custo para trocar é muito mais caro do que o que eles
> gastam hoje.

Custo da licença está bem longe de ser o único fator.  Faz parte do
desafio ajudar as pessoas a enxergarem isso.  Enxergar que custo total
precisa envolver as perdas de longo prazo decorrentes do cerceamento de
liberdades, inclusive o custo de saída, especialmente no caso em que
você pode ser obrigado a deixar de usar o software por falta de
manutenção e desinteresse do fornecedor, sem possibilidade de assumir a
manutenção você mesmo.

> Espero que tenha me entendido.

Entender, eu entendo.  Até compreendo o seu ponto de vista.  Mas parece
que tenho um plano estratégico um tanto diferente.  Se tem mais ou menos
chance de funcionar, não posso afirmar com certeza, mas é o que faz mais
sentido pra mim.

free{};

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Alexandre Oliva           http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
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