2009/2/24 Marcelo Branco <marc...@softwarelivre.org>:
> Penso eu que a GPL, o copyleft foram uma forma de violar o sentido original
> do copyright sem ferir a lei, sem alterar as leis. O movimento de software
> livre, na origem e até agora, assume o papel subversivo de inverter o
> sentido original do copyright.

Copyleft se baseia em copyright. É o direito do autor de ditar os
termos pelos quais a obra pode ser duplicada que permite coisas como
ele. Sem o direito do autor, tudo vira domínio público.

> na minha visão, cópia privada de obras compartilhadas pela Internet pode até
> necessitar de um novo direito que compreenda e estimule esta nova forma de
> relacionamento social.

Eu concordo com você. Há um lado benéfico do uso do P2P na divulgação
das obras. É apenas preciso encontrar um caminho justo para remunerar
os autores. Hoje você pode comprar músicas sem DRM de um monte de
lugares. Parte do dinheiro vai para o "dono" da música, seja ele o
autor independente ou a gravadora com quem ele assinou um contrato.

Aliás, as gravadoras prestam um serviço importante para muitos
artistas. Sem elas, artistas teriam que lidar com as despesas de
produção (estúdios bons com bons profissionais custam caro), promoção
e distribuição. Produção é mais barata hoje com os recursos técnicos
que qualquer computador dispõe, mas continua fora do alcance de muitos
músicos, e distribuição em formato digital fica barata com a internet,
mas promoção continua algo caro. Se gravadoras realmente não servissem
para nada, músicos não as procurariam.

Elas vão mudar, sem dúvida. Talvez se pareçam mais com bancos, dando
alguma forma de "crédito artístico" aos artistas em troca de garantias
de viabilidade financeira. Vão movimentar muito menos dinheiro (as
operações fabril e logística vão deixar de existir) e, com isso,
perder importância. Os contratos vão acabar menos onerosos para os
músicos.

No final, o equilíbrio vai ser bom para todos.

> Um direito que legitime esta prática social que é
> benéfica para a maioria da humanidade. Seja para os criadores ou o para
> público em geral.

Os criadores têm o direito de partilhar o que eles quiserem. O
problema é que estão partilhando o que eles preferiam não partilhar, à
força.

> Na minha visão, e de outros que se manifestaram no mesmo
> sentido, esta prática benéfica para a maioria das populações, que o conceito
> está em disputa,  não deve ser criminalizada e nem defendida como crime.
> Estarei defendendo que P2P não viola o copyright...e serei sempre contra
> estas campanhas contra o "download" ilegal.

Eu vou continuar contra a ilegalidade. P2P é uma tecnologia excelente
para distribuição, mas eu prefiro mil vezes ver o download ilegal ser
criminalizado do que se estabelecer um "imposto sobre banda" feito
para alimentar as gravadoras e manter esse status-quo, tratando todos
como criminosos.

E isso é importantíssimo. Um imposto como esse apenas esconderia as
transformações que a tecnologia traz à cadeia de produção de arte.

Infelizmente, com todo esse ativismo em torno da liberalização das
violações de copyright no atacado em escala planetária, essa vai
acabar sendo a saída politicamente mais fácil.

Eu prefiro ver os músicos vendendo suas músicas pela internet
diretamente aos seus fãs e contratando empresas quando precisarem de
ajuda com produção, promoção e afins. Prefiro que os bons sejam
recompensados e que os ruins procurem um day job.



-- 
Ricardo Bánffy
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